ENCANTOS, CONCEITOS E PRECONCEITOS (João Cunha)

21 de abril de 2010 at 1:01 am Deixe um comentário

Não há paixão mais arrebatadora que a dos torcedores de futebol por seu time do coração. Ela os cega e cria um encantamento cheio de conceitos e preconceitos. Se já notamos esse fenômeno, em cidades aonde a população divide suas preferências entre três ou mais clubes grandes e tradicionais, imagine então naquelas, em que se dividem ao meio, por apenas duas grandes forças, caso particular de Belém. Ai o bicho pega pra valer e o que se vê, é o mais delirante exercício de imaginação da massa torcedora que aposta e briga por suas idéias. Por exemplo, ainda que sem convivência pessoal com os profissionais da imprensa, a maioria adora defini-los “torcedor”, para poder ufanar-se, no caso de o elegerem do seu time ou para acusá-lo, caso o elejam do time contrario. Na tentativa de validar sua irrealidade, tornam-se Sherlock em busca de informações desde a infância do individuo. Invadem privacidades, desprezam o conceito de seres humanos, imprensa ou não, como produtos do meio em que vivem: educação, cultura, caráter, profissionalismo, família, condição financeira, conveniência, além naturalmente das diferenças que nos torna único. Isso chega às raias do absurdo, às vésperas de um jogo de futebol entre os dois maiores rivais.  Embora todos saibam das características que envolvem um clássico, independente da condição técnica momentânea ou certo favoritismo, há perspectiva de jogo duro, truncado, de resultado indefinido. Na hora H, a situação tende a mudar de figura e tudo pode acontecer. Contudo, o apaixonado torcedor, sempre é capaz de imaginar algum tipo de “armação”. No Pararão 2010 já tivemos quatro clássicos: três no turno e um no returno. No 1º turno o Remo parecia melhor. Havia formado seu grupo há mais tempo e, apesar de ter um time instável, se mantinha a frente na tabela. Nas semifinais, o Paysandu “achou” um técnico, Charles Guerreiro, e um time. Tivemos uma expulsão aqui outra ali; empate de 1×1 no primeiro jogo; Vitória do Papão por 4×2 no segundo e novo empate por 3×3 no terceiro jogo.  Equilíbrio total e Paysandu Campeão do Turno. No Remo, cai Sinomar, chega Giba e mesmo assim, a situação azul só piora. Muito antes do primeiro clássico do returno, vários torcedores bicolores, “prevendo algum arranjo”, para justificar uma possível derrota, afirmavam que o Remo ganharia o jogo, em função de novos REPAs, uma vez que derrotado, o Leão ficaria fora do G4, e aquele seria o ultimo clássico da competição. Todos perderiam dinheiro. O mesmo falou-se do jogo Botafogo x Flamengo, que vencido pelo rubro negro teríamos mais dois clássicos, dois Maracanãs lotados. Haja grana para ambos. Lá deu Fogão e a festa acabou. Por aqui, bem ou mal, o Remo ganhou por 2 x 1 e a disputa continua. Até hoje se pode ouvir o eco bicolor falando em conchavo, num preconceito que certamente seria azul, caso o Remo estivesse na mesma situação. Como o futebol não é nenhum carnaval, considero impossível ou, pelo menos, improvável tais combinações acontecerem, pois tudo se dá em 90 minutos, ao vivo, com solução imediata, em uma atividade que envolve dois times incluindo reservas, comissão técnica, arbitragem, torcedores, imprensa falada, escrita e televisada, etc. Todos sabem que nada mudará tais conceitos ou preconceitos, porque assim são os torcedores com sua paixão sem limites envolvendo o futebol. Resta-nos, como analistas desse esporte, continuar trabalhando da melhor maneira possível, visando agradar a Gregos e Troianos. Sempre ao lado da realidade. Assim é a vida, assim é a nossa profissão, cheia de encantamentos, conceitos e preconceitos. Graças a Deus! (JOÃO CUNHA)

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FUTEBOL: UMA PAIXÃO SEM LIMITES (João Cunha) FUTEBOL COMO ANTIGAMENTE (João Cunha)

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