Archive for maio, 2010

E AGORA… JOSÉ?

Carlos Drummond de Andrade já faz esta pergunta a um hipotético José, em sua bela e intrigante poesia.  No futebol paraense não paramos de fazê-la sempre que nos deparamos com um novo fundo de poço. E isso é cíclico em nosso futebol. O José que se apresenta agora é o Clube do Remo que vem atravessando um verdadeiro inferno astral muito por culpa de seus últimos dirigentes.  Para ele, tal qual para o José, de Drummond, a festa acabou, a luz apagou, após a derrota do último domingo, em Marabá. Desde o ano passado que havia uma pedra no meio do caminho no Baenão e todos sabiam disso, inclusive que nada seria fácil para o Leão Azul Paraense. Seria necessário um grande planejamento visando reverter o quadro dantesco que se apresentava. Sem time; sem dinheiro; inclusive, sem competições  oficiais a disputar, o presidente Amaro Klautau sabia muito bem que estava recebendo um verdadeiro presente de grego da direção anterior. Abelardo Sampaio e Lucival Alencar, sob protestos de alguns azulinos de proa, foram chamados para assumir o futebol remista, com a obrigação de tirar o time do marasmo em que se encontrava. Dentro do que se pensou ser um planejamento apropriado às condições e necessidades do clube, o barco azul veio sendo tocado. Sinomar Naves e contratações foram feitas. Tempo é o que não faltava. Dentre poucos acertos e muitos erros, eis aí  o resultado.

E agora Leão? Está sem discurso, está sem carinho, o dia não veio e tudo acabou. Apesar dos pesares, a vida segue e ainda resta esperança. Você é duro Leão! Você não morre! Reuniões estão sendo realizadas. Giba é a solução? Dispensar é preciso e  certamente dispensas serão feitas, até porque tem jogador  que não deveria nem ter vindo. Pelo menos quinze do atual plantel são plenamente dispensáveis. Sem dinheiro, a montagem de um novo e melhor time levará a observações dentro do nosso próprio universo.  Nada de mais uma vez trazer gato por lebre, pagando muito por mercadoria duvidosa. A torcida  não merece e as tradições do clube precisam ser respeitadas. Um clube com as dimensões do  Remo deve, sempre, se preparar para o papel principal. Chega de ser apenas coadjuvante. Como diz o poeta “a vida é um jogo e cada um joga o que tem”. Mesmo tendo somente a quarta divisão no horizonte, o Remo, a exemplo de 2005, quando foi Campeão da Terceira divisão,  até então a última série do Campeonato Brasileiro, precisa se espelhar em seu lema: o filho da glória e do triunfo não pode se amofinar. Merece uma vida melhor.  E agora Amaro? A bola está contigo e nem a impossibilidade da venda do Baenão pode ser desculpa para mais um fiasco. Afinal de contas, você mais do que ninguém deve saber que governar é administrar problemas e o torcedor azulino quer soluções, não  sofrimento e justificativas vãs! (JOÃO CUNHA)

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26 de maio de 2010 at 12:32 pm 3 comentários

TRÊS HISTÓRIAS E UM DESTINO

No Parazão 2010, ao que tudo indica o último nesse formato porque com toda certeza teremos mudanças para 2011, temos três histórias e um só destino.  O Paysandu, campeão do turno, titubeou no segundo e agora assiste de camarote, o duelo entre Clube do Remo e Águia de Marabá pela única vaga na final.

O Leão Azul Paraense, aos trancos e barrancos, conseguiu chegar ao jogo de volta com a vantagem de atuar por dois resultados por haver revestido o quadro na primeira partida, no Mangueirão, de virada. Para alivio de muitos,  Otacílio não poderá atuar em Marabá por ter recebido o terceiro cartão amarelo. Giba que assumiu o Remo no returno e promoveu importantes mudanças na equipe, pode manter a cautela que o caracteriza até então ou surpreender o adversário. Para isso utilizará outro volante no time ou optará por um armador. Ramon, Samir e Gian aparecem como favoritos. Na prática o técnico azulino tem preferido “cansar” seu oponente no primeiro tempo mantendo o “sofrimento” até o intervalo, quando volta com tudo. Pelo menos até agora, tem conseguido seu objetivo. A pergunta que não quer calar é: até quando? Haja coração!

O Águia de João Galvão & Ferreirinha, depois daquele verdadeiro fiasco no turno, em função do entrosamento dessa dupla, mudou da água pro vinho e, não a toa, liderou o returno de cabo a rabo. Tirando aquele acidente de percurso quando foi goleado pelo Paysandu faz bonito até agora. Apesar de ter perdido a vantagem para o Remo e dos desfalques importantes  para o jogo de volta – o goleiro Alan e o volante Analdo não jogarão -, já adiantou ter Inácio e Soares como substitutos. Como é caso de vida ou morte para os marabaenses, o técnico se arrisca com o sistema  “lençol curto”, fortalece o ataque e enfraquecendo a proteção da zaga, ou seja, quando cobre a cabeça descobre os pés. Será premiado ou castigado pela ousadia? Quem viver verá!

Já o Paysandu não pode desperdiçar o tempo que tem, pois qualquer um que vier, virá com vontade. Todo cuidado é pouco, pois terá três desfalques sérios para o primeiro jogo da decisão – Sandro, Thiago e Fabrício. Sua Diretoria, porém, em vez de focar como objetivo principal a decisão do campeonato, cuidando de tranqüilizar o grupo, preferiu dispensar três  e acena com mais demissões. Até Charles Guerreiro não está garantido no comando da equipe para a Série C que se avizinha. Quatro caras novas estão contratadas: Vaninho, ex-Potiguar de currais Novos; Marcelo dias, ex-Santa Rosa; Adelson, ex-Independente Tucurui e o “rodado” Marcelo Ramos, de 37 anos de idade. Será essa a melhor estratégia para o momento? Só Deus sabe!

Quem errar menos levará a taça, mas tudo o que for feito agora, de bom ou de ruim, será revertido em sucesso ou insucesso. Como sabemos que ri melhor quem ri por ultimo, só nos resta aguardar, torcer e rezar. Infelizmente para Paysandu, Remo e Águia somente um poderá fazer a festa no final, sendo o Campeão Paraense 2010. Quem será? Façam suas apostas!  (JOÃO CUNHA)

19 de maio de 2010 at 2:13 pm 2 comentários

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

Infelizmente para todos nós seres humanos, a cada dia aquele ditado: “quanto mais conheço os homens mais gosto do meu cachorro” se torna mais palpável. Isso ocorre em todos os cantos do mundo, porém, no Brasil e particularmente no Pará, a situação foge dos limites da razão.  Sei muito bem da existência, em maior quantidade dos bons, mas a ignorância, a astúcia e a “cara de pau” dos maus por serem mais agressivos, fazem com que os primeiros se intimidem e, até por isso, fiquem ausentes dos grandes debates. No intuito de viver suas vidas sem grandes problemas isolam-se e acabam sem querer, contribuindo para a proliferação e destaque dos péssimos exemplos em detrimento das boas ações. Isso desvaloriza o homem a ponto de haver uma dúvida geral sobre toda e qualquer atitude, seja na política, na medicina, na advocacia e em todas as atividades humanas. Não temos segurança, saúde, trabalho, educação, etc.  A cultura que impera é a do poder e do dinheiro acima de tudo. A maioria  julga os outros por si, mesmo sem ter a real percepção disso. Aqui mesmo, neste espaço,  já tive oportunidade de tocar no assunto no texto “Encanto, conceitos e preconceitos”, motivado, já aquela ocasião, pela dúvida, publicamente manifestada, dos torcedores bicolores,  sobre o caráter, o profissionalismo, a responsabilidade e a postura dos integrantes do seu clube:  Dirigentes, Comissão Técnica e Jogadores. No delírio das acusações, atingiam também a equipe adversária que teria aceitado aquele suposto conchavo e, por extensão, a FPF, Árbitros,  imprensa  falada, escrita e televisada, enfim a toda a comunidade envolvida com o Futebol Profissional em nosso Estado. No REPA de sábado  o fato se repetiu em dose ainda maior. Mais uma vez temos uma agressão insana e injustificável. Lamentável é ver, nesse meio,  pessoas das quais se esperaria  postura mais digna, justamente por terem sido contempladas com  oportunidades na vida que a maioria da população não teve. O fato de ter cursado uma faculdade,  possuir  uma boa posição social, ter religiosidade, família, trabalho, deveria ser atenuante que as distinguiriam do “torcedor comum”. A atitude  agressiva de alguns se explica e para muitos até se justifica, pelo sujeito ser um tipo excluído social, que muitas das vezes vive de “bicos” ou de um subemprego.  Com tanta dificuldade na vida, que o futebol é, talvez, a sua única válvula de escape para o stress do dia a dia. Nesse momento é o obcecado torcedor do Paysandu que está nessa, mas, me arrisco a dizer que, não seria muito diferente caso os, também fanáticos, torcedores do Remo vivenciassem a mesma situação. Uno-me a todos os que não aceitando tal imposição, sentem-se envergonhados e, diferente de muitos, dou a cara a bater demonstrando toda minha indignação. Por todos que, como eu, ainda podem se indignar peço desculpas a Diretoria, Comissão Técnica e atletas bicolores, pois, vinda a ofensa de onde vem, justamente dos seus mais “apaixonados” torcedores, a dor deve ser ainda maior. Tenho fé que um dia os bons prevalecerão sobre os maus em todos os campos da vida e, o respeito ao outro será a coisa mais natural do mundo, inclusive no futebol, apesar de toda a paixão nele envolvida. Bem sei que assim caminha a humanidade, mas, tenho direito de pelo menos lamentar! Marmelada pra mim, nem no pão!  (JOÃO CUNHA)

12 de maio de 2010 at 1:17 pm 1 comentário

UMA LUZ NO FIM DO TUNEL (João Cunha)

Há algum tempo venho me  desiludindo com o futebol brasileiro. Nossos principais clubes não conseguem segurar os craques emergentes em casa. Isso vem acontecendo cada vez mais cedo. Kaká, Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Pato são alguns exemplos dessa situação. Com as finais dos campeonatos regionais,  da Copa do Brasil e da Libertadores, tivemos  oportunidade de assistir belas partidas no País, onde, como  se sabe,  sempre se praticou o melhor futebol do planeta. Contudo,  a TV nos obriga a assistir, sistematicamente, jogos de Flamengo ou Corinthians, que não  praticam um futebol para tanto, o que desagrada aos não fanáticos e que exigem  um bom espetáculo de futebol. O último clássico entre as duas equipes foi uma verdadeira lástima, com dois ex-atletas em atividade se arrastando no gramado pesado do Maracanã. Ronaldo e Adriano  mostraram ali o retrato da decadência e da teimosia no Futebol Brasileiro. Felizmente hoje existe o Santos de Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso que vem encantando a todos os amantes da arte e do destemor no jogo de bola, seguidos de perto por outras equipes.

Cada uma ao seu modo  vem praticando um futebol mais envolvente, dinâmico e objetivo, como é o caso do Cruzeiro, em seus melhores momentos; o Atlético Mineiro, de Wanderley Luxemburgo e Diego Tardell; O Grêmio comandado por  Silas e alguns clubes emergentes  como o Atlético de Goiás, o Avaí e o Fortaleza, campeões em seus estados, além, de Santo André, Ipatinga e Santa Helena vices-campeões. O exemplo santista está proliferando e,  até agora, nada consegue empanar ou inibir este brilho. Confio  que as arbitragens consigam evitar o anti-jogo e a violência que gera o chamado “futebol de resultado” tão feio e desestimulante.Diretoria e treinadores brasileiros têm um papel importante na evolução desse futebol tático, técnico, competitivo, coletivo e também individual na medida certa. Para continuarmos a evoluir é necessário  que os dirigentes consigam segurar por mais tempo os craques por aqui enquanto que os treinadores devem evitar escalar jogadores “brucutus” e  utilizar sistemas rígidos, medrosos e retranqueiros.

No próximo dia 11/05 Dunga convocará a Seleção Brasileira para a copa da África. O nosso maior temor são seus conceitos, mais que ultrapassados, de manter o grupo que “ralou” com ele nas eliminatórias, não deixando margem para “surpresas”, independente do mérito que elas possam ter. O torcedor  brasileiro que adora surpresas positivas sonha com os nomes de Neymar e Ganso nessa lista. Afinal de contas lugar de craque é na Seleção, pouco importando o time, local que atue  ou idade, pois, pra quem não se lembra, Pelé, o maior de todos os craques, tinha apenas 16 anos e nenhuma experiência internacional em sua primeira convocação. Não há desculpa para mais essa teimosia de Dunga, que além de enfraquecer o nosso time ainda poderá desestimular essa nova arrancada do futebol brasileiro. Logo agora que começamos a ver a luz no fim do túnel, será que um Dunga poderá mais uma vez, a exemplo de outros treinadores turrões e reacionários, “tapar o sol com uma peneira” criando um novo retrocesso em nosso futebol?   (JOÃO CUNHA)

5 de maio de 2010 at 1:06 pm 2 comentários


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