RITMO DO JOGO (João Cunha)

24 de abril de 2012 at 5:59 pm Deixe um comentário

EU SÓ QUERIA… ENTENDER!

 

Em pleno século XXI, no ano do centenário do Campeonato Paraense de Futebol, ainda fico pasmado em ver que parte da população continua achando mais que normal, as verdadeiras anomalias que acontecem tanto no futebol quanto na vida da nossa comunidade. O fato do Clube do Remo insistir em jogar, no Baenão, a partida decisiva do returno é uma prova cabal dessa nossa acomodação. “A vida é mesmo assim” e ponto, dizem “os profetas do óbvio ululante”, como afirmava, com muita propriedade, Nelson Rodrigues.

 

Na minha concepção, o ser humano não é obrigado a pensar igual à maioria. Não é porque alguém, algum dia, falou ou escreveu de um modo que, seguindo a síndrome de “Maria vai com as outras”, todos devam aceitar passivamente aquilo como se fosse uma verdade absoluta. Na contra mão da história, insisto em ver as mudanças (para melhor) com normalidade.

 

Não estou aqui para tirar o direito de ninguém, muito menos do Remo, mas tão somente me reservo o direito de contestar os argumentos de quem defendeu um jogo dessa envergadura e importância no Baenão em detrimento do Mangueirão. O Remo ganharia o quê fazendo o jogo ali? Alega-se ser o estádio azulino um verdadeiro “alçapão” beneficiando com esse fator sua equipe. Quantas vezes o Leão Azul Paraense já perdeu e foi eliminado jogando em Antonio Baena?

 

Sabe-se de antemão, que a expectativa remista, em condições normais de temperatura e pressão para este jogo seria de, pelo menos, vinte mil pagantes, no Mangueirão. Do contrário, apenas nove mil “felizardos” poderiam assistir ao jogo ao vivo, pagando para isso vinte e cinco reais cada, sob a alegação do direito da diretoria do clube em mandar o jogo onde quissesse. Onde ficaria, o direito do fanático torcedor azulino que gosta de ir ao campo em grande numero? Por Lei “o meu direito termina onde começa o do outro”. E ai? Tanto pela quantidade de ingressos que seriam disponibilizados (apenas nove mil), quanto pela exorbitância do preço cobrado (vinte e cinco reais), tolhia-se o desejo da maioria dos torcedores, que este ano já provou pelas arrecadações, o gosto em se posicionar do lado do seu clube do coração.

 

O Remo, neste campeonato, já atuou cinco vezes contra o Águia de Marabá, ganhou quatro e perdeu apenas um jogo, portanto, nada justificava  esse “receio” ou teimosia, mesmo porque, há muito tempo o Baenão deixou de ser garantia de sucesso, além de que ditos como “não entre em política sem dinheiro” e “amarre o burro onde o dono manda” precisam, urgentemente, ser mudados.

 

Se o jogo acontecesse no Baenão, mesmo que cercado de todos os cuidados, quem iria segurar o desejo da massa torcedora em estar lá, ao mesmo tempo? Que garantia haveria de conter o sufoco já experimentado no jogo contra o São Francisco? Certo mesmo só o sacrifício de quem conseguisse ir até lá (preço e sufoco) e a verdadeira “mão na roda” para cambistas e proprietários de bar com televisão.

 

Mais uma vez surge claramente aos olhos do Pará, do Brasil e do mundo, o porquê de estarmos no “fundo do poço” em termos de futebol. Não à toa Claudio Guimarães afirma “são essas coisas que eu não entendo” e, no tema, vem-me a lembrança à frase: “Eu só queria… entender”!  Ainda bem que prevaleceu o bom senso e o Estatuto do Torcedor foi levado em conta! O macaco estava certo, mas, baixar o preço do ingresso  é um pouco demais. Manter em quinze reais já estaria de bom tamanho! Ninguém iria reclamar. Fazer o quê? Será que pensar dói?

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 24.04.12 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 25.04.12

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