COLUNA DO GERSON NOGUEIRA – 27.02.13

27 de fevereiro de 2013 at 5:56 pm 1 comentário

Um artilheiro no paredão:

Quase todo mundo hoje tem uma boa causa a defender. Muitos lutam contra a extinção de baleias e pinguins. Outros bradam pela extinção das abelhas africanas. Algumas moças desnudas protestam contra o extermínio de marmotas. E agora há também os que pregam contra a escalação de Rafael Oliveira no ataque do Paissandu.

Em comum com os outros militantes, os críticos de Rafael também são movidos por boas intenções. O problema é a rabugice dos que, através do fogo cerrado contra o artilheiro, aproveitam o embalo para tentar desmerecer o trabalho do técnico Lecheva.

Para entender a novela artificial criada em torno de Rafael é aconselhável ir por partes. Depois da bem-sucedida campanha na Série C 2012, Lecheva começou os trabalhos no Campeonato Paraense, efetivando como dupla de ataque Rafael-João Neto.

Apesar do tropeço inicial diante do S. Francisco na Curuzu, Lecheva não mudou de planos. O duo foi mantido e correspondeu à confiança do treinador, marcando 17 dos 28 gols do Papão na competição. Rafael fez nove (juntamente com Aleílson, do PFC) e Neto balançou as redes inimigas em oito ocasiões.

Por incrível que pareça, apesar da expressiva média de quase um gol por jogo, Rafael é questionado sem tréguas. Sofre críticas de todos os lados. Ressaltam seu talento para marcar gols apenas contra times pequenos e acentuam seu jejum no clássico Re-Pa.

Curiosamente, a opção de Lecheva por João Neto, vice-artilheiro do time, permanece imune a reparos dos detratores. Neto parece estar sendo poupado unicamente pelo belo gol anotado no último Re-Pa, apesar de ter sido improdutivo no primeiro.

Outro beneficiado pela bem-aventurança de marcar no choque-rei é Iarley, meia-atacante que ainda não se firmou o suficiente para ser titular, mas que teve a sorte e a categoria de estufar as redes azulinas na 4ª rodada.

Detalhe interessante é que no lance do gol de Iarley contra o Remo a bola chegou a ser chutada por Rafael Oliveira, mas só se encaminhou para o barbante depois do arremate do veterano atacante. Para azar do camisa 9 de Lecheva, essa – digamos – inibição no Re-Pa está sendo cobrada com virulência cada vez maior.

Até a comentada fase boêmia de Rafael é relembrada para reforçar as restrições ao jogador. Que se saiba, o atacante vive período de entrega aos treinos e grande dedicação profissional, atitudes que ajudam a explicar sua excelente performance no Parazão.

No aspecto técnico, a escolha de Lecheva se justifica não só pelos gols de Rafal, mas pelo papel de pivô que ele executa e nenhum outro avante do elenco é capaz de fazer. João Neto, que também gosta de estar na área, não tem o físico apropriado para o embate com zagueiros. Foi visível, no último domingo, a carência que se abateu sobre o ataque do Paissandu depois que Rafael foi substituído por Iarley, a pedidos da torcida.

Em consequência disso, a zaga remista passou a ter menos trabalho na marcação e deu-se ao luxo de liberar um dos seus para se juntar aos atacantes no esforço pelo empate – que veio, coincidência ou não, pelos pés do zagueiro Zé Antonio.

Rafael pode não ser o mais brilhante dos atacantes, mas cumpre bem a missão de fazer gols. Certíssimo em manter o jogador, Lecheva paga o preço de ser o técnico que garantiu o acesso à Série B, contrariando maus presságios de várias pitonisas.

Diante dos exageros da cruzada contra Rafael fico a me perguntar onde estavam os críticos de hoje quando o badalado Adriano Magrão passou um campeonato inteiro (2012) sem fazer um golzinho sequer.

Impunidade cria maus hábitos:

A furiosa reação corintiana à punição imposta pela Conmebol, depois da morte do garoto Kevin na Bolívia, é a típica manifestação de quem se acostumou com a impunidade. O Corinthians parece não acreditar que a desacreditada Conmebol teve peito de impor uma suspensão de 60 dias, durante os quais o time terá que jogar com portões fechados.

Além da manobra de apresentar um menor de 17 anos para assumir a autoria do disparo fatal em Oruro, no afã de salvar a pele de 12 integrantes da facção Gaviões da Fiel, o clube agora desfia argumentos absurdos, tentando provar que o modesto San José também teve culpa pelo ocorrido, merecendo a mesma sanção.

No fundo, a irritação talvez tenha origem no episódio de 2005 no estádio do Pacaembu, quando o jogo Corinthians x River Plate registrou um festival de badernas, envolvendo confronto entre torcidas e tropas da PM. No fim das contas, a punição saiu no melhor estilo tabajara: o único condenado foi o estádio.

Galo altivo e superior:

Com atuações brilhantes de Ronaldinho Gaúcho e Bernard, o Atlético-MG de Cuca realizou ontem à noite exibição de alto nível contra o Arsenal por 5 a 2, em Sarandi, e deixou claro que está entre os times credenciados a brigar pelo título da Taça Libertadores.

Sofreu o primeiro gol, mas partiu com altivez para uma virada incontestável. Ainda se deu ao luxo de desperdiçar um penal (com Gaúcho) aos 41 minutos do 2º tempo. O adversário não é tradicional, mas tem um time arrumadinho, que equilibrou as ações no começo da partida.

Por eles, sempre:

Dedico as mal traçadas linhas de hoje aos meus velhos, Benedita Nogueira e José Dias Rodrigues, e aos filhotes Pedro e João.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Dhayson Pinho  |  28 de fevereiro de 2013 às 12:41 am

    Brincadeira,comentário de mau gosto,respeito sua opinião mas falar q o Corinthians está fazendo manobra para se dar bem é muita falta de responsabilidade com o ocorrido,lembram do confronto sangrento entre os JOGADORES do S. Paulo e Tigres, jogadores q deveriam dar exemplo,todos se calaram e acho até q tem um pouco de inveja de parte do povo Brasileiro com o time q mais ganhou títulos nos últimos anos.
    Brincadeira é pouco o q tão tentando fazer com o Corinthians,Campeão INVICTO dessa copa desorganizada q agora todos os anti querem moralizar,bando de babacas…acho q não importa muito o q estou escrevendo pois a imprensa do Pará não aceita críticas,só colocam em seus programas,blogs,sites,enfim coisas q convém. mas agradeço o espaço e espero q vc’s sejam imparciais em suas opiniões e mudem esse jeito rústico e tosco de fazerem jornalismo…

    Responder

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