Coluna do Gerson Nogueira – 28.03.13

28 de março de 2013 at 2:39 pm Deixe um comentário

Sobre omissão e conivência

Foi uma experiência esquisita para jogadores, arbitragem, imprensa e torcida. De um lado, o Paissandu em campo, pronto para jogar. Do outro, o vazio. O Santa Cruz não compareceu ao estádio Edgar Proença, configurando a derrota por W.O. e a consequente eliminação do Campeonato Paraense. O melancólico desfecho de ontem à noite estava desenhado desde a véspera, quando o clube interiorano anunciou que não iria jogar, mas até o último momento ficou no ar a esperança de que houvesse uma mudança no cenário.

Muito se discutiu sobre os desmandos da Federação Paraense de Futebol ao longo dos últimos dias, em face da decisão de desmembrar a rodada decisiva da fase de classificação do returno. O grande erro por parte da entidade foi ter permitido que a vontade isolada do Santa Cruz fosse acatada, transferindo o jogo contra o Paissandu do Mangueirão para o Parque do Bacurau.

Quando essa pretensão foi manifestada, modificando (fora do prazo) a tabela do campeonato, a FPF deveria ter dado um freio na situação. Como é praxe, porém, a entidade preferiu empurrar com a barriga e aceitou a exigência do Santa Cruz.

Sem compromissos maiores com história, torcida, ou patrocinadores, o Santa Cruz se deu ao luxo de abrir mão de disputar o jogo, aparentemente esnobando as punições previstas no regulamento da competição – perda de 10 pontos, eliminação do campeonato e rebaixamento à primeira fase de acesso em 2014.

No fundo, a reação é própria de clubes de aluguel, que não têm qualquer vínculo maior com torcedores e são conduzidos conforme a vontade do patrão – ou, como é o caso, patrono. Fosse o Santa Cruz um clube de verdade, com torcida de verdade e contratos de patrocínio, a história seria outra. Chama atenção a tranquilidade com que o clube optou pelo W.O., certo de que não haveria maiores consequências. Quanto às punições, quem se importa?

O episódio desgastante e desrespeitoso com o torcedor tem, pelo menos, uma vantagem: permite que se reveja o modelo de disputa e acesso à divisão principal do Campeonato Paraense. Ao contrário de aceitar qualquer engodo como se fosse agremiação séria, a FPF tem o dever de redobrar o rigor na aceitação de clubes inscritos.

É hora de botar um freio na licenciosidade que campeia no certame regional. Nesse sentido, Remo e Paissandu têm a grande responsabilidade de resguardar os interesses de seus torcedores – que, ao fim e ao cabo, são as locomotivas do futebol no Pará.

Não é admissível que continuem a tratar a FPF com a complacência atual, marcada por um tom respeitoso que beira a humilhação. Caso não tomem as rédeas do processo serão atropelados pelos fatos, como neste ridículo desfecho da classificação às semifinais do returno. Chega de amadorismo, omissão e passividade.

O certo é que, de uma só canetada, a cartolagem conseguiu estragar um campeonato que tinha estabelecido boas médias de público até aqui, empolgando as torcidas com jogos razoáveis, como há muito não se via. Parabéns a todos os envolvidos.

Rodada pode definir Re-Pa nas semis

Com a desistência do Santa Cruz, que ameaça recorrer à Justiça depois de ter sido derrotado na pretensão de interromper o torneio, os classificados às semifinais do returno já estão definidos – Paissandu, PFC, Tuna e Remo. Falta apenas definir a ordem classificatória e a ordem dos jogos. Essa definição sai hoje à noite, com as partidas Remo x Águia e PFC x Tuna.

No Remo, a expectativa é pela volta ao sistema 4-4-2, com Diogo Capela e Tiago Galhardo responsabilizando-se pela armação. O Águia, prejudicado pelo empate entre São Francisco e Cametá e beneficiado pelo rebaixamento do Santa Cruz, pode escapar à queda se empatar com o Remo e a Tuna não marcar pontos em Paragominas.

Diante disso, o jogo deve ganhar em intensidade, valendo também pela definição do posicionamento do Remo nas semifinais. Vale lembrar que, caso o PFC vença a Tuna, em Paragominas, garante automaticamente a primeira colocação, abrindo grandes perspectivas de um confronto entre Remo e Paissandu.

Espaço aberto para os leitores

O Antonio Pantoja indaga até quando a FPF continuará sob a gestão atual. “Tudo o que está acontecendo no campeonato paraense é fruto de sua falta de seriedade e compromisso com nosso futebol. Não dá para culpar presidentes de clubes por esta ou aquela atitude. O atual presidente vem se perpetuando no poder, sem mostrar interesse em elevar o nível de nosso futebol”, opina.

Já Luiz Roberto (Lula) Rabelo, conselheiro nato do Paissandu, parabeniza o escriba pelos “comentários na Rádio Clube sobre as partidas e pelos assuntos em sua coluna. 100% imparcial, coerente e profundo conhecedor do futebol”. Agradeço pelas palavras generosas.

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