Coluna do Gerson Nogueira – 29.03.13

29 de março de 2013 at 3:25 pm 1 comentário

Faltou jeito, mas sobrou raça

Há quem argumente que o Remo podia ter optado pelo empate que evitaria o confronto direto com o Paissandu nas semifinais, mas penso que os defensores desse tipo de expediente estão em desacordo com a verdade do futebol. Por mais que se diga que o pragmatismo domina o esporte, clubes de massa não costumam hesitar entre a vitória e um resultado de conveniência. Quando Val Barreto se encaminhou para a marca da cal tendo Adriano a guarnecer a meta do Águia ficou no ar uma réstia de suspense. Iria ou não acertar o chute, decretando o cruzamento com o maior rival ou com o PFC. Bem, provavelmente só os idiotas da objetividade tiveram essa dúvida, pois quem acompanha futebol no Pará sabe que Remo e Paissandu jogam para vencer sempre, seja em que circunstância for.
Não que o Remo tivesse tido moleza para escolher entre vencer ou não. Muito pelo contrário. O Águia cumpriu uma de suas melhores jornadas no campeonato, anulando os laterais Válber e Berg no primeiro tempo e impondo tremendas dificuldades para Tiago Galhardo e Diogo Capela com uma marcação firme comandada pelo veterano Analdo. A primeira metade do jogo foi rica em embates de meio-campo, mas fraquíssima em lances de emoção. Somente Leandro Cearense e Galhardo tiveram chances de finalização, mas erraram no toque final.
Aliás, o Remo se esmerava em errar os passes mais simples e parecia temer arriscar chutes de fora da área. Por essa razão, o time afunilava as jogadas, tentando levar de vencida os beques Bernardo e Vítor, sem sucesso. Como a bola não chegava pelas laterais, o jogo ficou restrito ao espaço central, tornando-se chato para o torcedor.
No segundo tempo, Capela e Galhardo apareceram mais adiantados, aproximando-se de Cearense e Fábio Paulista, mas as laterais continuavam improdutivas. Válber, marcado pela torcida, não conseguia erguer bolas na área. Berg, confuso, quase sempre se embolava com a marcação de Renatinho. Enquanto o Remo não fazia progressos ofensivos, o Águia aos poucos ia ganhando confiança para explorar os contra-ataques. Aos 22 e aos 34 minutos, Alan Taxista e Danilo Galvão estiveram muito próximos de fazer calar a massa azulina. No primeiro ataque, a bola foi desviada por Mauro antes de chegar ao centroavante marabaense. No segundo lance, Taxista desviou cruzamento no primeiro pau e a bola ia entrando quando Berg surgiu para afastar o perigo.
A partir daí, já com Clebson no meio e Val Barreto no ataque, o Remo ganhou em objetividade. Os passes continuavam horrorosos e a organização precária, mas as manobras ofensivas eram mais agudas. Pelo próprio estilo, Barreto imprimiu velocidade e força nas disputas com os zagueiros e forçou o Águia a se fechar mais em seu próprio campo. Ainda assim, cobrança de falta por Balão Marabá quase surpreendeu os azulinos. A bola, que ia em direção à gaveta direita de Fabiano, foi desviada pelo zagueiro Mauro.
Enquanto o Paragominas virava o placar contra a Tuna (3 a 2), Flávio Araújo decidiu renovar as forças de ataque colocando Branco no lugar de Cearense. Brigador, o atacante ajudou Barreto a pressionar ainda mais a zaga do Águia. Até que, aos 44, em bola tocada por Clebson, Capela invadiu a área e foi derrubado por Renatinho. Veio, então, o penal que Barreto transformou em gol.
A torcida aplaudiu, cantou as provocações de praxe ao maior rival e saiu festejando a reabilitação do time, que não vencia há três rodadas. Duvido, porém, que algum torcedor tenha deixado o Mangueirão tranquilo com a produção remista. A equipe teve lampejos, mas, de maneira geral, segue confiando perigosamente nas ligações diretas para tentar vencer.

Mais dois clássicos de tirar o fôlego

A emoção roubada pelo desmembramento da sétima rodada acabou se esboçando ontem à noite. Até o final do confronto no Mangueirão pairava incerteza sobre o cruzamento das semis. Enquanto a Tuna vencia e o Remo empatava, dava Re-Pa nas semifinais. Quando o PFC virou o marcador, passou a dar Paissandu x Tuna e PFC x Remo. Finalmente, o gol de Val Barreto decretou a realização de mais dois clássicos neste Parazão – o mais generoso em Re-Pa’s dos últimos cinco anos.
Oportunidade para que o Remo tente se reencontrar no campeonato e chance para que o Paissandu confirme a condição de melhor time da competição. Acima de tudo, dois jogos para tentar apagar o desgaste que o W.O. causou ao torneio.

Na vanguarda do atraso

Aloprada, para dizer o mínimo, a disposição manifestada pelo diretor técnico da Federação Paraense de Futebol, propondo que se exclua do campeonato estadual a restrição a estádios com menos de 5 mil lugares para jogos de Remo e Paissandu. Ora, apostar nisso é defender o desastre e a bagunça completa. Vai na contramão do esforço para que o Parazão evolua em qualidade técnica e segurança para os torcedores. Na verdade, as autoridades deveriam cuidar para que clubes sem estádio deixassem de ter o direito de escolher onde jogar – fato que está na raiz dos problemas que quase inviabilizaram a competição.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 29.03.13 Chumbo-Grosso – Paulo Fernando – 29.03.13

1 Comentário Add your own

  • 1. anderson fabio  |  30 de março de 2013 às 3:27 am

    bad fala para esses cabeças de vento ,que o time no ataque deve ser o val barreto,e paulista.ok.devem jogar como titulares,e não colocar o val quando a coisa tiver feia fuiiiiii!

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