Coluna do Gerson Nogueira – 07.06.13

7 de junho de 2013 at 4:45 pm Deixe um comentário

Givanildo em nova estreia

Rabugento e disciplinador, com aquele jeito de professor de antanho, o técnico pernambucano não foi recebido desta vez no Paissandu com o entusiasmo que despertava em outros tempos. Grande parte da torcida já questiona seu estilo de trabalho, considerado ultrapassado e distanciado das variações táticas que o futebol moderno exige.

Pelo passado glorioso no clube, principalmente no começo dos anos 2000, Givanildo não merece essa desconfiança quanto à sua competência, mas é fato também que as últimas passagens pelo Pará não fizeram bem ao seu currículo. Pelo contrário, contribuíram para queimar o filme do treinador. Tanto no Remo, onde aceitou missões impossíveis, quanto no Paissandu, onde ficou por pouquíssimo tempo nas duas últimas vezes, sem deixar saudades.

A maneira de conduzir carreiras é um dos aspectos que deveria nortear a preocupação de todo profissional, mas técnicos de futebol não costumam se importar muito com isso. Givanildo, talvez pela paixão pelo ofício ou por ligações afetivas com o Paissandu, não costuma recusar ofertas para trabalhar aqui. Por conta disso, entrou em certas canoas furadas que tisnaram sua imagem de comandante vencedor e competentes.

Na recente passagem, por ocasião da Série C 2012, ele pegou o Paissandu em situação mais ou menos parecida, cheio de incertezas quanto ao futuro na competição. Acabou saindo seis rodadas depois sem conquistar vitória. Foi substituído pelo tapa-buracos Lecheva, que teve talento e sorte para levar o time ao acesso.

Givanildo veio agora substituir justamente a Lecheva, que ganhou o título estadual e já se consolidava como técnico. Em função de resultados pouco convincentes na Série B, o ex-interino caiu em desgraça, mas boa parte da torcida considerou precipitado (e até injusto) o seu afastamento.

Com experiência em situações assim, Givanildo certamente não terá dificuldades para impor seus métodos de trabalho e dar ao time o perfil competitivo que a diretoria tanto quer. Para facilitar as coisas, passa a contar com um artilheiro inquestionável. Marcelo Nicácio, velho sonho de consumo dos bicolores, chegou praticamente junto com o técnico.

E Nicácio talvez seja o responsável pela nova fase do Paissandu na Série B. Depois de perder alguns jogos por desperdiçar muitas oportunidades de gol, o time passa a dispor de um artilheiro que funcionou muito bem em todos os times que defendeu.

Givanildo, que gosta de fechar seus times, usando defesas fortes e muitos volantes, vai alterar – talvez não de imediato – a forma de jogar do Paissandu. Com Lecheva, o time tocava muito a bola, procurando partir para o ataque sempre que as condições permitiam.

A partir de agora, o torcedor terá que se reacostumar ao padrão Givanildo. Com ele, o time vai ser mais objetivo nas saídas e vai passar a valorizar o contragolpe. Essa proposta, que costuma dar certo em jogos fora de casa, significa que o time será bem mais defensivo do que era.

O torcedor talvez estranhe, mas os resultados (desde que positivos) serão os avalistas do esquema. O confronto com o Atlético-GO, hoje à noite, já irá permitir avaliar este novo Paissandu. A conferir.

Série D: muito esforço por nada

Os remistas, que tiveram na terça-feira à tarde a quase confirmação de participação na Série D, terminam a semana em clima de desolação. As incursões de bastidores no futebol rondoniense não surtiram o efeito desejado, deixando apenas um rastro de desgaste para o clube.

A busca desesperada pela vaga, em esforço empreendido pelos dirigentes, colidiu com o firme posicionamento do presidente da Federação Rondoniense, que nos últimos dias assumiu a missão de manter a vaga no Estado como questão pessoal.

Chamou atenção a diferença de comportamento dos cartolas que comandam as duas federações. O rondoniense postou-se, pelo menos formalmente, ao lado de seus filiados. A Federação Paraense de Futebol, como de praxe, deixou o Remo entregue ao deus-dará, evitando envolver-se na espinhosa situação.

O único gesto da FPF foi notificar a CBF do interesse em herdar a vaga de Rondônia, em caso de desistência, providência tão burocrática quanto inócua. A entidade foi igualmente sucinta na resposta, deixando claro que não haverá alteração no grupo A1.

Em nenhum momento, a entidade paraense deu-se ao trabalho de pelo menos argumentar o óbvio em defesa do Remo: os rondonienses extrapolaram todos os prazos para indicação de seu representante, o que deveria, em tese, abrir espaço para outro Estado interessado.

A diretoria do Remo, porém, já deveria saber que não pode contar com a federação e podia ter sido mais ousada na reivindicação da vaga. Por muito menos do que a já citada questão dos prazos descumpridos por Rondônia, o Treze da Paraíba foi à Justiça comum paralisar as competições oficiais no ano passado, atrasou o calendário e terminou por ser premiado com um acordo risonho apadrinhado pelo Supremo Tribunal Federal.

O que o Remo teria a perder se tomasse o mesmo caminho?

Um craque na liderança

O novo líder do Brasileiro da Série A é o Coritiba, um time sem maiores investimentos e taticamente igual a tantos outros. Há, porém, um diferencial: o talento indiscutível do veterano Alex, um verdadeiro camisa 10, à altura dos craques do passado. O gol que marcou ontem diante do Fluminense diz muito dessa categoria que tanto falta aos adversários – e à Seleção de Felipão.

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