Coluna do Gerson Nogueira – 25.07.13

25 de julho de 2013 at 4:33 pm Deixe um comentário

Vitória do Galo e seus renegados

Ronaldinho Gaúcho não teve participação destacada no jogo mais importante da história do Atlético-MG. Parecia meio travado e não conseguiu fazer a diferença no meio-de-campo, apesar de desfrutar de surpreendente dose de liberdade. Ficou até em plano inferior a jogadores menos celebrados pelos atleticanos, como Jô, Leonardo Silva e Josué. Não teve nem a chance de fechar a série de penalidades, pois a contagem terminou antes de sua cobrança – o chute de Jimenez estourou na trave.

Mas não há ninguém que personifique tão bem o valor redentor da conquista atleticana do que Ronaldinho. Foi resgatado pelo clube depois de sair escorraçado do Flamengo. Mostrou vontade, disposição e comprometimento. Virtudes que muitos imaginavam que ele não seria capaz de mostrar.

No confronto de ontem com o Olímpia, Ronaldinho se restringiu a passar bolas, sem arriscar. Acertou um belo chute de fora da área, defendido pelo goleiro. Depois, errou um cabeceio de frente para o gol e cobrou uma falta na barreira. E foi só. Quando a partida acabou, porém, todos os olhares se voltaram para o camisa 10.

Como Cuca, outro que precisava se livrar da fama de azarado, Ronaldinho parece ter se agarrado ao projeto do Atlético como se fosse a última chance de sua carreira – e talvez fosse mesmo. A improvável reunião de tanta gente que precisava dar respostas deu certo.

É claro que uma conquista dessa magnitude não pode ser atribuída a uma só figura. Além dos jogadores que se brilharam nos momentos decisivos, como o goleiro Victor, há a firme liderança de Cuca. Fiel ao estilo ofensivo e habilidoso que sempre prevaleceu em seus times, fez do Galo uma exceção entre os disputantes da Libertadores deste ano.

Ao contrário da multidão de times retrancados e especialistas em contra-ataque, o Galo foi vencendo obstáculos jogando objetivamente e quase sempre de maneira bonita. Utilizou sempre quatro atacantes (Jô, Bernard, Diego Tardelli e Ronaldinho), auxiliados por laterais avançados e participantes.

Esse estilo destemido rendeu bons frutos na reta final, embora pregando grandes sustos na apaixonada torcida campeã, cujo entusiasmo e vibração nos cânticos foram também peças fundamentais na conquista.

Papão melhora, mas sai da Copa

Com um pouco mais de capricho e ousadia nos lances ofensivos, o Paissandu talvez tivesse obtido a classificação dentro da Vila Capanema, em Curitiba, ontem à noite. Faltou ao ataque a coragem para arriscar mais chutes de fora da área e infiltrações na área. Quando o time fez isso, o gol aconteceu.

Antes do jogo, uma surpresa. Givanildo lançou uma formação que até então não havia experimentado. Botou três zagueiros – Jean, Sanches e Raul – para conter a pressão do Atlético-PR. Esse desenho tático, revelado só minutos antes da partida, parece ter atrapalhado os jogadores de meio-de-campo do próprio Paissandu, que exibiam dificuldades para se posicionar na cobertura da zaga e nas antecipações.

Contribuiu bastante para essa confusão o gol sofrido logo no começo, nascido de pênalti inexistente, que comprometeu a estratégia do Papão. Em vantagem, o Atlético se segurou em seu campo, tocando a bola e esperando surgir algum espaço para explorar. Com isso, não havia como os laterais Pikachu (principalmente este) e Rodrigo Alvim se lançarem ao ataque.

Voltou o Paissandu à velha situação de impotência e hesitação que se abate sobre o time quando precisa tomar as rédeas da partida. No primeiro tempo, teve a posse de bola, mas não sabia como fazer uso dela. Capanema corria, se esforçava e se metia a armar jogadas, Gaibú não armava nem marcava e Eduardo Ramos se perdia em toques para os lados e algumas firulas desnecessárias. Ainda assim, podia ter empatado se Pikachu não perdesse o gol mais feito do ano.

Depois do intervalo, Ramos passou a dominar o setor de meio-campo e o Paissandu cresceu junto com ele. Teve a infelicidade, porém, de sofrer um segundo gol em desatenção dos zagueiros. Com Ramos, Careca e Iarley se movimentando mais, embora este último esteja visivelmente fora de suas melhores condições, o Paissandu conseguiu botar a bola no chão e apertar a zaga atleticana. O gol saiu, depois de um ataque fulminante, mas faltou a força necessária para ir em busca da igualdade que garantiria a classificação.

É preciso fazer justiça, porém, à ligeira evolução que a equipe apresentou em comparação com os últimos jogos na Série B. Caso o time mantenha a qualidade exibida no segundo tempo, a campanha na Segundona ainda pode ser recuperada.

Remo e o direito à livre manifestação

A diretoria do Remo organizou ontem uma faxina geral nas dependências do estádio Evandro Almeida. Uma sessão de “descarrego”, com muito banho de cheiro e ervas trazidas do Ver-o-Peso. A ideia é sacudir a poeira e dar a volta por cima, afastando o mau-olhado, a pissica e a urucubaca. Curiosamente, a iniciativa gerou críticas melindrosas por parte de muita gente, que viu no gesto apenas uma atitude infantil e supersticiosa. Outros chegaram a visualizar um suposto desrespeito aos rivais.

Bobagem. Isto é apenas futebol, um esporte tão brasileiro que comporta manifestações e crenças de toda espécie. O banho cheiroso das erveiras é tão legítimo quanto as demonstrações de fé com a imagem da Virgem de Nazaré nos estádios. Há quem faça promessas e mande celebrar missas por força de interesses futebolísticos. No fundo, tudo é válido. E nada que venha do coração deve ser reprimido.

Entry filed under: Uncategorized.

BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 25.07.13 Coluna do Gerson Nogueira – 27.07.13

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: