Coluna do Gerson Nogueira – 29.07.13

29 de julho de 2013 at 4:21 pm Deixe um comentário

O adeus definitivo?

Foram 14 jogos (oito derrotas, cinco empates e uma vitória) em duas passagens curtas pelo Paissandu. Este é o saldo de Givanildo Oliveira, que foi demitido ontem pela diretoria do clube. A gota d’água desta vez foi a derrota frente ao ABC na noite de sábado, em Natal. Além do placar, contribuiu para a queda do veterano treinador a situação em que o clube permanece na tabela de classificação – 17º lugar.

No giro que o Paissandu fez fora de Belém, disputando três jogos (pela Série B e Copa do Brasil), três derrotas, com seis gols sofridos e apenas um marcado. Os números de Givanildo são, de fato, indefensáveis. Até mesmo para ferrenhos fãs de seu trabalho, como o presidente Vandick Lima, que foi dirigido por ele no Papão já no final da carreira.

As duas desastrosas performances no clube em menos de um ano provocaram críticas do torcedor, mas é importante observar que Givanildo ainda é o técnico mais vitorioso da história do clube, respondendo pelo período glorioso de 2001 a 2003, quando o Paissandu conquistou o Brasileiro da Série B, a Copa Norte e a Copa dos Campeões, assegurando a inédita vaga na Taça Libertadores.

Ocorre que o futebol vive do presente e não perdoa insucessos. Givanildo, além dessas duas passagens recentes, já teve outros trabalhos contestados no clube – e no rival. Adquiriu nos últimos tempos a reputação de técnico ultrapassado e conservador, adepto de retrancas e métodos arcaicos.

As restrições podem ser justificadas, mas Givanildo também sofreu desta vez as consequências de pegar um grupo já formado. Assumiu com um elenco pronto, sem muita margem para propor trocas. Não teve apoio nem para executar as dispensas que estavam previstas antes da interrupção para a disputa da Copa das Confederações.

Só indicou um jogador – o meia Tallys – e sofreu na pele os problemas que já haviam custado o emprego de Lecheva, seu antecessor. A zaga não inspira confiança, nem mesmo quando entraram em cena os reforços Fábio Sanches e Jean. As duas laterais continuam inoperantes, sem força para abastecer as ações ofensivas. Na cabeça-de-área, apenas uma peça indiscutível, o nativo Ricardo Capanema. E o setor de criação depende exclusivamente da inspiração de Eduardo Ramos.

Com um grupo de atletas que não conhecia e não escolheu, Givanildo não conseguiu montar um time. Seu melhor momento foi contra o Guaratinguetá, quando obteve a única vitória, mesmo com atuação patética dos zagueiros. Depois disso, perdeu-se em tentativas de estabelecer um padrão e acabou apelando ao 3-5-2, que nunca foi seu esquema tático preferido.

A equipe até se apresentou bem no segundo tempo contra o Atlético-PR, mas sucumbiu diante do lanterna ABC. A dúvida é: Givanildo ainda terá oportunidades no futebol paraense, depois de tantos insucessos nos últimos quatro anos?

Não basta um novo técnico

Que o novo técnico convença a diretoria em investir nas posições carentes, garantindo ajustes para corrigir os erros de planejamento que começaram com a demissão do técnico Lecheva depois de apenas três rodadas. Se era para descartar tão cedo, o técnico campeão estadual nem deveria ter sido escolhido para a Série B. Esse erro comprometeu a montagem do elenco e continua a ter consequências até hoje.

Ainda há tempo de corrigir a rota antes que a situação se torne irreversível, mas a diretoria não pode mais cometer erros na escolha. Dentre as especulações sobre o novo nome para assumir o Papão até o técnico Cacaio, do Paragominas, teria sido sondado. Penso que a diretoria deve analisar com cuidado as alternativas. Não pode optar por um treinador-tampão, não há tempo para experiências.

Apesar de bom trabalho no Cametá, na Tuna e no próprio PFC, Cacaio não reúne a experiência necessária para uma disputa de Série B. Além disso, na condição de técnico regional, ficaria muito vulnerável à pressão de torcedores e dirigentes.

Uma coisa salta aos olhos: além do substituto de Givanildo, o clube terá que reforçar o elenco, dispensando jogadores que não terão utilidade na competição. São óbvias as carências de um zagueiro, um lateral-esquerdo, um lateral-direito, um volante e um meia-armador. Sem essas peças, dificilmente o Paissandu terá um time competitivo.

À diretoria cabe agora apressar as dispensas. O elenco, segundo avaliação feita por Givanildo, está inchado. Novas contratações precisarão ser feitas e o clube não pode arcar com despesas desnecessárias.

O próximo compromisso, contra o Figueirense, um dos melhores times da Série B, será um jogo de alto risco, pois o resultado pode fazer o Papão cair ainda mais na classificação. Nessas circunstâncias, todo cuidado é pouco.

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