Coluna do Gerson Nogueira – 31.07.13

31 de julho de 2013 at 7:40 pm Deixe um comentário

Atitude vencedora

faz a diferença

A lógica boleira de que jogador (e não o técnico) é quem ganha jogo prevaleceu mais uma vez. Com esforço e superação, em alguns momentos jogando apenas com a velha raça, o Paissandu derrotou o Figueirense por 2 a 1, na Curuzu, e exibiu uma nova face ao torcedor. Apesar da repetição de problemas de posicionamento e falhas de marcação, nem de longe lembrou aquele bando desenxabido que se deixou vencer por 3 a 0 para o lanterna ABC.

Sofreu um gol de bobeira, como tantas outras vezes ao longo do campeonato, mas desta vez encontrou ânimo para ir buscar a virada. Mesmo levando em conta que a responsabilidade final é mesmo dos atletas, ficou evidente a diferença de postura do time – a partir dos instantes finais do primeiro tempo e na etapa final – sob o comando de Rogerinho Gameleira, substituto interino de Givanildo Oliveira.

O jogo começou difícil, tenso e duro, como se previa. Mesmo sem mostrar arrumação tática, o Figueirense era superior tecnicamente. Comportava-se como time grande, dono do pedaço e chegava muito bem pelas laterais, com André Rocha e Wellington Saci, criando situações perigosas na área com Ricardo Bueno.

Apático nas ações de meio-campo e ataque, o Paissandu os poucos foi equilibrando o jogo. Parece ter ocorrido a Gameleira e seus jogadores que o jogo era em casa, diante da torcida e que não se podia entregar o ouro tão facilmente. A equipe começou a se desdobrar em campo e Pikachu tornou-se peça muito acionada nas jogadas de ataque.

Aí, quando o jogo era mais parelho, veio o gol catarinense em cochilo da linha de zagueiros. Em falha de Janílson, a bola sobrou para Tchô tocar para as redes. Em desvantagem, o time voltou a mostrar instabilidade e a exibir desorganização, errando bolas fáceis e sofrendo com as vaias da torcida.

De repente, no final do primeiro tempo, começou a reação. Diego Barbosa não contribuía, mas Eduardo Ramos passou a se movimentar mais e, com isso, Marcelo Nicácio e Iarley também se beneficiaram, recebendo mais bolas na frente. O lance do penal de Saci sobre Pikachu (convertido por Nicácio) coroou a tomada de iniciativa do Paissandu.

Com a disposição renovada e passando a ter o incentivo das arquibancadas, o Papão cresceu. Voltou determinado e, principalmente, mais confiante. Aproveitou os primeiros minutos para encurralar o Figueirense, que se intimidou, permitindo a pressão. Foi dos pés do contestado Janílson que partiu o cruzamento para Nicácio decretar a virada.

Por alguns minutos, a superioridade técnica mudou de lado e o Paissandu teve até oportunidade de ampliar, aproveitando-se do nervosismo da defensiva do Figueira. Depois, o jogo caiu numa rotina de passes errados no meio-de-campo, mas o time de Adilson Batista passou a prevalecer, explorando as jogadas aéreas para Ricardo Bueno, principalmente.

A situação era dramática nos minutos finais. Zaga do Papão batia cabeça, errava na saída de bola e obrigava a torcida a muitos sustos. O leitor há de perguntar então qual a diferença em relação ao time que vinha perdendo todas sob o comando de Givanildo. Ora, como diria o filósofo Luxa, tudo tem a ver com atitude.

Até mesmo a vibração de Gameleira ao lado do campo, orientando os jogadores e gritando a todo instante, cria uma atmosfera de envolvimento que o velho Giva já não consegue passar. Por outro lado, é mais ou menos evidente que o time se comporta como se quisesse valorizar a permanência do interino, ao contrário do que demonstrava com o ex-técnico.

Ontem, além das defesas precisas de Marcelo em dois lances no final da partida, o Paissandu teve a melhor atuação de Pikachu no campeonato. Conseguiu ver Janílson se reabilitar diante da galera, indo do inferno ao céu entre um lance bisonho e um cruzamento perfeito.

Iarley, abrindo espaço para os companheiros, voltou a mostrar eficiência e utilidade. E Nicácio, com mais dois gols decisivos, caminha para se tornar um novo ídolo dos bicolores, talvez repetindo outro artilheiro nordestino que marcou época na Curuzu – Vandick Lima.

E agora, o que fazer com Rogerinho?

O time quer Rogerinho. Jogou por ele, esforçou-se ao máximo, deixando até a desconfiança de que fez o contrário em relação a Givanildo. Não há como fugir ao assunto: depois da vitória suada sobre o Figueirense, diretoria e torcida do Paissandu precisam combinar se o time continua precisando de técnico ou se basta efetivar o temporário.

Pelo desembaraço mostrado nas duas vitórias que conquistou no comando do time – contra o Paraná e ontem –, Rogerinho pode ser considerado pronto para a delicada missão de dirigir o Papão na Série B. A questão é complexa, porém.

Todos sabem que técnicos caseiros costumam ser mais vulneráveis às pressões. Por isso, mesmo vencendo e feliz com ele, o clube deve manter seu operoso auxiliar, mas ainda necessita de um comandante mais experiente.

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