Coluna do Gerson Nogueira – 26.08.13

26 de agosto de 2013 at 3:25 pm Deixe um comentário

Nem sal grosso resolve

Podia escrever numerosas laudas sobre os crônicos problemas defensivos, a falta de aproximação dos setores, os passes errados, a pouca participação dos laterais, as falhas infantis da zaga, os erros de posicionamento etc. etc. Acontece que as razões da má campanha do Paissandu não se restringem ao comportamento do time e aos (muitos) pecados do técnico.

Há, acima de tudo, uma fragilidade de gestão. A melhor diretoria que o clube podia ter na realidade atual está cometendo erros primários na gestão do futebol e comprometendo perigosamente sua imagem perante torcedores e sócios. É uma pena que a decepcionante campanha exponha o presidente Vandick Lima, uma instituição do clube, de maneira tão cruel.

É visível o fato de que a diretoria – ou grande parte dela – tem as melhores intenções, busca acertar e trabalha para evitar o rebaixamento, esboçado desde as primeiras rodadas da Série B e cada vez mais provável.

O problema é que de boas intenções o mundo está cheio e o futebol brasileiro atual, por tão complexo em suas entranhas administrativas, não permite hesitações ou critérios desfocados. É preciso atenção permanente e capacidade de observação para não comprar gato por lebre, gastando em excesso o pouco dinheiro existente.

Pelo modelo abraçado pela diretoria, o Paissandu já torrou uma nota preta em contratações que só causaram prejuízos ao clube. A infelicidade nas escolhas legou um saldo extremamente negativo quanto aos atletas trazidos. Apenas Fábio Sanches e Marcelo Nicácio podem ser considerados reforços. Os demais são atletas meia-bomba, quase todos descartados sem saudades por outros clubes.

Refiro-me às escolhas porque elas são determinantes para os passos que o Paissandu dá na Série B. Caso tivesse, por exemplo, resolvido a questão do meio-campo o time teria outro rendimento, inclusive quanto à produção ofensiva, cada vez mais anêmica.

Além de critérios técnicos, a diretoria deveria ter levado em conta outros aspectos para definir as contratações. Jogadores fora de forma ou a caminho da aposentadoria não cabem em projetos vitoriosos. Aliás, atletas nessas condições não deveriam ser considerados profissionais de fato. O Paissandu está povoado de boleiros nessa situação, sendo que os menos culpados são os empregados.

A apatia que domina a equipe na maioria das partidas é o ponto que mais incomoda e irrita a torcida. Vários jogos exprimem bem esse descompromisso. Contra ASA, ABC, Boa Esporte, América-MG, Oeste e Icasa pode-se dizer que o Paissandu não esteve representado, de fato. Havia em campo um arremedo de time. Falta fibra, não há sinal de alma.

Um cálculo em cima da tabela de classificação, com projeção dos jogos que restam, indica que há possibilidades de o Paissandu escapar à degola. O que não existe é indicação de que o time tenha disposição e vontade de reagir em campo.

Sem esses ingredientes fundamentais em qualquer tipo de atividade, nem sal grosso (como fez o São Paulo ontem) pode salvar o Papão na Segundona.

Adeus ao homem da palavra forte

Nonato Santos, o da palavra forte, nos deixou ontem. Partiu cedo, era um sujeito cheio de vida e de projetos. A voz de trovão escondia uma personalidade amável, de boa índole. Bom profissional, amigo dos amigos, participou comigo de algumas passagens interessantes na cobertura do futebol paraense.

Estávamos juntos na cabine de imprensa do Canindé quando o célebre árbitro Bianca operou o Remo de Agnaldo diante da Portuguesa de Dênis, mas, mesmo assim, não impediu a classificação azulina.

Diante da fúria de um grupelho de torcedores e sócios da Lusa, que tentavam invadir nosso espaço no estádio, Nonato muniu-se de uma cadeira e enfrentou corajosamente a turba. Até hoje não sei se foi valentia ou maluquice. Importa mesmo é o gesto, simbólico do grande camarada. Deixa saudades.

Adeus a dois símbolos da glória

Por justiça, a coluna deve render homenagens a outras duas personalidades do esporte. Gilmar dos Santos Neves, goleiro titular, e De Sordi, lateral-direito que jogou quase todas as partidas na Suécia, morreram neste fim de semana, desfalcando ainda mais a galeria dos heróis do nosso primeiro título mundial.

A seleção de Vicente Feola começava justamente por eles. Ambos foram decisivos para a caminhada vitoriosa, que expurgou das nossas vidas a pecha de emergentes do futebol e fulminou o complexo de vira-lata que havia se estabelecido no Maracanazo de 1950. Dois grandes boleiros que partem para reforçar o timaço que já está lá por cima há algum tempo.

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