Coluna do Gerson Nogueira – 24.09.13

24 de setembro de 2013 at 12:46 pm Deixe um comentário

Às portas da redenção

Depois do empate com o Atlético-GO, o técnico Vagner Benazzi pôs o dedo na ferida da má preparação do Paissandu para disputar o Brasileiro da Segunda Divisão. Observou que as exigências do calendário impõem cada vez mais providências nem sempre fáceis de aceitar. Exemplificou com sua experiência no futebol catarinense, quando dirigia o Avaí e apostou suas fichas na competição nacional, deixando de lado o certame estadual.

Mesmo sem ter acompanhado a temporada do Paissandu, Benazzi acabou fazendo o diagnóstico preciso. De fato, a preocupação com o Parazão afetou seriamente os preparativos do clube para a Série B. Ao invés de reforçar a equipe ao longo do estadual, optou por disputar a competição com um time mais caseiro e se empolgou com a conquista do título, abrindo mão de cuidados com a montagem do elenco.

Com isso, sobreveio a ilusão de que seria possível disputar o torneio sem grandes gastos. Ocorre que o erro estratégico na formação do elenco e a dificuldade para contratar em tão curto espaço de tempo gerou o efeito contrário. O clube foi obrigado a gastar mais do que esperava, contratando jogadores disponíveis no mercado, mas de baixa qualidade.

A vinda do gerente Oscar Yamato fez crer que os maus passos iniciais seriam compensados pela capacidade de observação e a experiência do executivo. Infelizmente, Yamato até listou um grande número de atletas, mas não havia suporte financeiro para trazer todos os indicados. Com o tempo, as carências começaram a aparecer e refletir na campanha caótica que o time ora cumpre na Segundona.

Foi justamente sobre isso que Benazzi discorreu na entrevista pós-jogo. Lembrou que clubes de massa têm dificuldades em priorizar competições, mas destacou que não há outra alternativa para quem pretende ir longe. Não citou, mas o exemplo do Atlético-PR é obrigatório. Disposto a brilhar na Série A, disputou o certame estadual com o time sub-20. Até o momento, a estratégia vem dando certo, pois chegou ao G4 e está em ascensão no torneio.

Alguém só precisa dizer a Benazzi que o campeonato aproxima-se de sua reta final e não há mais tempo para chorar o leite derramado. É preciso, acima de tudo, agir rápido. Mais ou menos como ele próprio fez no segundo tempo da partida de sábado, ao perceber que precisava entrar em cena para evitar que o desastre se consumasse.

Suas orientações nos vestiários e à beira do gramado mudaram a face do Paissandu, fazendo com que alguns jogadores passassem a jogar de forma diferente, com mais aplicação e objetividade. De uma postura apática nos primeiros 45 minutos, o técnico conseguiu fazer com que o time adquirisse vida e personalidade. Criou várias chances e podia ter vencido.

Graças a essa pequena mágica, o tropeço em casa foi absorvido sem maiores cobranças. A pronta intervenção de Benazzi foi suficiente para restituir a confiança na recuperação do time. Hoje, diante da vice-líder Chapecoense, essa convicção será posta à prova.

É preciso levar em conta que o retorno de Eduardo Ramos vai contribuir para que o meio-de-campo ganhe em criatividade, deixando o esquema mais eficiente ofensivamente. Pelo grau de dificuldades, é o tipo de jogo que pode representar a redenção, apagando a imagem ruim e abrindo caminho para uma campanha de recuperação.

Um visitante muito perigoso

A Chapecoense não é vice-líder (quase classificada para a Série A 2014) por acaso. Com 46 pontos, a equipe catarinense fez 12 jogos como visitante, vencendo seis vezes, empatando duas e perdendo quatro. O aproveitamento é de 55%. Números capazes de fazer inveja ao Paissandu, que só conseguiu um empate fora de casa.

De todo modo, o time do artilheiro Bruno Rangel sabe – por experiência própria – que vai encarar um tremendo desafio na Curuzu. Afinal, no primeiro turno, lá em Chapecó, o Paissandu teve grande atuação e vendeu caro a derrota, surgida no minuto final.

Além do respeito pela tradição do Papão e a experiência de Benazzi, ajuda também a refrear o entusiasmo dos visitantes o inesperado tropeço na última partida, contra o lanterna ABC.

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