Coluna do Gerson Nogueira – 27.09.13

27 de setembro de 2013 at 12:16 pm 1 comentário

A síndrome do “chama gol”

Há muito boleiro estigmatizado pela fama de azarado. Incontáveis exemplos atravancam os compêndios da história do esporte. No Brasil e no mundo. Sei de situações em que atletas até qualificados terminaram sendo dispensados pelo simples fato de que a torcida considerava que eles atraíam derrotas. São crendices que um universo tão profissionalizado como o do futebol ainda se dá ao luxo de manter – e respeitar.

Quando o futebol ainda era semi amador, as cismas do torcedor eram até compreensíveis. Na Seleção Brasileira, por exemplo, o histórico revés na final da Copa de 50 renderam ao goleiro Barbosa uma torrente de críticas carregadas de preconceito e pura superstição. Data justamente dessa época a inacreditável desconfiança surgida em relação a goleiros negros.

O interessante é que muitos ainda rezam por essa cartilha primitiva em plena era moderna do futebol. Depois do gol sofrido no minuto final diante da Chapecoense, torcedores do Papão imediatamente começaram a lembrar a coincidência de lances fatais acontecerem depois que o zagueiro Diego Bispo e o volante Esdras entram em campo.

É claro que a opinião do torcedor vem sempre recheada de muita emoção e fanatismo, comprometendo por completo a análise isenta. Tanto Bispo e Esdras, mesmo com evidentes limitações, são jogadores que já demonstraram utilidade em outras ocasiões, chegando a mesmo a salvar o Papão em momentos difíceis.

Bispo chegou a marcar gols importantes, tanto no Parazão quanto na Série B. Já Esdras costuma aparecer como terceira opção para substituir os principais volantes do time, Vânderson e Zé Antônio. Não é brilhante, longe disso, mas não é um desastre absoluto. É um volante de nível mediano, que sabe marcar e não consegue sair jogando, trocando passes – como tantos outros.

Marcar Bispo e Esdras como “chama gol” é um evidente exagero, próprio das discussões apaixonadas e desprovidas de lógica. Que ninguém espere brotar nas arquibancadas e mesas de bar qualquer debate sério quando o tema é futebol.

No Remo, até hoje há quem acredite que o goleiro Adriano foi um dos responsáveis pela má fase do clube nos últimos anos. Não por ser mau profissional ou um atleta ruim, muito pelo contrário. O motivo estaria nas tais coincidências negativas. Como se Adriano jogasse sozinho ou tivesse sido responsável por frangos e falhas decisivas.

Agora mesmo, em pleno Brasileiro da Série A, o Botafogo tem convivido com esse problema. Os jogadores Lucas Zen e André Baía, que costumam entrar no segundo tempo, têm sido diretamente apontados como pivôs de derrotas do time. O curioso é que ninguém parece lembrar que vitórias também já aconteceram com ambos (ou um deles) em campo.

São, de fato, tortuosos os caminhos da superstição.

Leão tem nova opção para o ataque

No amistoso realizado ontem, entre Remo e Ananindeua, mais do que o resultado (2 a 1 para os azulinos), valeu mesmo a movimentação da equipe que Charles Guerreiro estrutura para o Campeonato Paraense. Dentre os destaques, a boa participação da dupla André-Jonathan e a grande atuação de Edcléber, atacante do time sub-20, que já havia mostrado talento no confronto contra o Vitória pela Copa do Brasil.

Desembaraçado, Edcléber infernizou a marcação do Ananindeua, mostrando velocidade e técnica. Terminou premiado com a marcação de um gol e a aprovação plena de Charles e da torcida presente. Tem futuro.

Baenão e Carrossel na berlinda

As especulações sobre a venda da área do Carrossel continuam a todo vapor. Verdadeiro calo na vida dos gestores do Remo nos últimos anos, tendo até posseira no local há mais de uma década, o terreno só causou dissabores (e despesas) até hoje. A incúria de muitos e a falta de coragem de outros tantos acabaram por permitir que, mesmo valiosíssimo por se localizar na principal avenida da cidade, fosse depreciado e desvalorizado.

Diante do risco de leilão para pagamento de débitos trabalhistas, a área volta à berlinda. Dois fortes grupos farmacêuticos se engalfinharam inicialmente, demonstrando interesse pela propriedade. O Remo negocia por R$ 10 milhões, mas nenhum dos pretendentes formalizou proposta.

Nos últimos dias, outra empresa se manifestou, mas não sacramentou os termos do negócio. Na prática, todos os interessados parecem torcer para que a área vá à leilão, o que certamente baixará os valores, permitindo que o arrematante obtenha bom lucro.

Em meio à boataria, corre a história de que conhecido grupo – que atua no setor de supermercado e shopping center – também teria sondado a diretoria remista, mirando a aquisição de todo o terreno do estádio Evandro Almeida. Os primeiros contatos, porém, desanimaram os dirigentes.

Será assim até que o negócio seja fechado. Muitas histórias mirabolantes ainda serão noticiadas, mas, de concreto mesmo, só o temor da diretoria com a ameaça de leilão e a esperança em empréstimo bancário, tendo o Carrossel como garantia.

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1 Comentário Add your own

  • 1. wanderson de jesus teixeira franco  |  28 de setembro de 2013 às 3:58 am

    Alguem aí da radio clube mande meu alô para o NONATO CAVALCANTE e diga pra ele q o ananindêua que o remo venceu éo mesmo que o papão dele enfrentou na série-C em 2007 em que o papão fez só 1 pontinho.

    Responder

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