Coluna do Gerson Nogueira – 17.12.13

17 de dezembro de 2013 at 1:39 pm Deixe um comentário

A Justiça dos mais fortes

Nenhuma surpresa. Estava escrito, há mais de mil anos, que o Fluminense não iria cair mesmo. Questão de determinismo jurídico. Os debates que dominaram as redes sociais, esquinas e botecos nos últimos dias, indicam que o regulamento devia prever a garantia de que o centenário Tricolor carioca não pode ser rebaixado. Até para poupar o tempo e prevenir transtornos. Das quatro quedas que sofreu em pouco mais de uma década, o Flu subiu normalmente somente uma vez. Nas demais, de alguma maneira, foi amparado por instrumentos legais ou simples virada de mesa.

A possibilidade de um resultado favorável à Lusa no STJD era algo tão inimaginável que somente os mais ingênuos acreditavam em salvação. Na discussão sobre o caso, muitos preferem não questionar o estabelecido “na letra fria da lei”, que prevê perda de pontos para quem escalar jogador irregular. Pois entendo que é justamente a letra fria que deve ser revista.

Que tal lançar mão dos critérios já vigentes nos campeonatos europeus, que aplicam a punição apenas no ano seguinte? É mais simples e evita o favorecimento de clubes politicamente mais fortes, cujos interesses são óbvios no julgamento, como ocorreu ontem no STJD.

Todo mundo – os auditores também – sabia que a queda da Lusa ajudaria o Fluminense. Caso já se utilizasse aqui o sistema europeu, a Lusa entraria no campeonato de 2014 com quatro pontos a menos, mas não se saberia a quem esse castigo poderia beneficiar.

O futebol brasileiro já acumulou experiência suficiente para encarar situações controversas com julgamentos mais técnicos e menos sujeitos ao peso da paixão. A história mostra que, na imensa maioria dos casos, prevalece a intenção deliberada de ajudar um grande clube. Caso o atleta irregular fosse do Fluminense, os quatro pontos seriam suprimidos?

A dúvida é justificada, pois a elite sempre se saiu melhor nessas pelejas. Foi assim com o Corinthians, em 2005, quando 11 jogos do Brasileiro daquele ano foram anulados depois de descoberto o esquema de manipulação pelo árbitro Edilson Pereira de Carvalho. Coincidência ou não, o clube paulista teve dois de seus jogos repetidos e conquistou quatro pontos, quinhão suficiente para terminar a competição à frente do Inter.

O próprio Fluminense se beneficiou de incrível operação de salvamento, em 2000, quando iria disputar a Série B e foi alçado à Primeira Divisão com a criação da Copa João Havelange. O cinismo da manobra não deixou escapar sequer o fato de que Havelange é um ex-dirigente e benemérito do clube das Laranjeiras.

Antes disso, o Brasileiro sofreu interferência do tapetão no caso Sandro Hiroshi, na época atleta do São Paulo. A punição salvou o pescoço do Botafogo. Se há clara tendência de proteção aos grandes, decisões do tribunal costumam ser implacáveis com clubes medianos, como São Caetano, Paissandu, América-MG, Rio Branco-AC e, agora, a Portuguesa.

Ao cabo de nova refrega no tapetão, fica aquele sentimento amargo de que a lei foi cumprida, mas não se fez Justiça. Sempre que os tribunais modificam resultados de campo, o futebol perde credibilidade e respeito. Por isso, a sentença é ruim para todos.

Pergunta inconveniente

Para dar tintas de coerência ao julgamento, o Flamengo também foi sentenciado com a perda de quatro pontos por ter escalado um jogador (André Santos) que havia sido suspenso. Uma dúvida: se houvesse risco de queda, a sentença teria sido a mesma? Aliás, a própria condenação da Lusa teria acontecido?

Direto do blog:

“Grande baluarte, obrigado pelas suas colocações ontem (domingo) no Mangueirão, na apresentação do Camisa 33, pois as palavras de Agnaldo, reforçadas pelas suas, motivaram aquelas palmas já na saída do jogador para os vestiários. Por alguns momentos, esquecemos que Zeca Pirão é político e acreditamos que o 33 seria um jogador diferenciado – não que Eduardo Ramos não seja. Pelo que os dirigentes falavam, através da Rádio Clube, principalmente no programa Cartaz Esportivo, onde por diversas vezes ouvi o Guilherme Guerreiro falar com Zeca Pirão e Henrique Custodio, a torcida ia ficar maravilhada pela escolha e que Ramos poderia até ser contratado, mas não seria o 33. Fosse apenas para imortalizar o tabu, por que não contratar um jogador apenas para pôr nome na camisa e descer do helicóptero (Rivaldo, Cafu, Raí, Djalminha etc.)? Vou comprar minha camisa, mas não com número 33, e rezo para que o time que estão montando seja vitorioso”.

Raimundo Nelson Pinheiro Serrão, azulino ainda desapontado com o desfecho da campanha da Camisa 33.

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