Coluna do Gerson Nogueira – 19.12.13

19 de dezembro de 2013 at 2:16 pm Deixe um comentário

O esporte mais democrático

Sempre que um desastre futebolístico acontece, busca-se todo tipo de explicação. Até razões sobrenaturais são levantadas. Ocorre que a bola tem caprichos que nem sempre encontram justificativa lógica. Times superiores tecnicamente podem ser derrotados por equipes mais modestas, operárias e determinadas. Isso normalmente se dá quando há a coincidência fatal: o time mais modesto faz seu melhor jogo e o favorito tem um dia ruim.
Acima de tudo, o que o Raja Casablanca usou ontem contra o Atlético-MG foi o que os manuais do futebol chamam de superação. Defesa fechada a cadeado, rápido nas idas e vindas ao ataque e com aplicação absoluta nos contra-ataques. Os dois gols surgiram em lances de aproveitamento de espaços na defesa atleticana.
O fato de haver optado pelos contragolpes dá bem a medida do respeito que o Raja tinha pelo Atlético. E venceu justamente por ter sido mais humilde e consciente de suas limitações. Se fosse enfrentar o Galo de igual para igual, em ritmo cadenciado, provavelmente o representante marroquino seria facilmente envolvido.
Desde os primeiros movimentos, ao contrário, o Raja mostrou que não iria se expor. Preferia esperar. E fez isso com disciplina e método. Tudo se desenrolou como o planejado. O Atlético, como aspirante ao título, não fez cerimônia e partiu com tudo para o ataque, mas de maneira desorganizada.
Aos poucos, o esquema do Raja foi se mostrando mais eficiente, explorando os corredores abertos nos dois lados e a indecisão dos volantes Pierre e Josué. No final do primeiro tempo, Karrouchy entrou pela esquerda e passou para Moutaouali que, de primeira, disparou e Victor defendeu brilhantemente. O mesmo Moutaouali quase marcou logo em seguida, errando o disparo final.
Foi o ensaio para o que iria acontecer no segundo tempo. Sem aproximação entre os setores, lentidão excessiva de Ronaldinho Gaúcho no meio e laterais inexistentes, o Atlético vivia exclusivamente das arrancadas de Fernandinho, logo bloqueado pela marcação. Tardelli e Jô não davam as caras no ataque.
O gol de Moutaouali aos 5 minutos fez lembrar a histórica tragédia colorada diante do Mazembe. A boa atuação do Raja era premiada e ainda surgiram duas chances preciosas para ampliar, mas a afobação empolgada dos marroquinos salvou o Galo.
O sumiço de Ronaldinho em campo só acabou quando surgiu uma falta à entrada da área. Como se pusesse a bola com a mão, o meia bateu e empatou. Era a senha para que o sonho atleticano renascesse. Com 30 minutos por jogar, bastaria ao Atlético pôr a bola no chão e botar o Raja na roda. Fácil, diriam os pachecos de plantão.
Ledo engano. Quem se mostrou mais concentrado foi o Raja, que não sentiu o gol e continuou a jogar da mesmíssima maneira. Esperando e roubando bolas para sair em contra-ataque, contando com a desarrumação defensiva dos mineiros. O segundo gol começou a nascer assim, em velocidade, e culminou com um penal à brasileira, facilitado pela imprudência do zagueirão Rever. Mabide ainda faria o terceiro. De contra-ataque, a jogada mais óbvia do futebol, que o Galo esqueceu de marcar.
É preciso reconhecer: foi um primor de planejamento, executado com precisão e eficiência. E, ao contrário do Mazembe contra o Inter, o Raja foi bem mais que uma zebra. Teve organização e confiança. Isso, às vezes, basta para vencer.

Sonho ou ideia fixa?

Diretoria do Papão informa que o meia Júnior Xuxa, velho sonho de consumo dos bicolores, está quase certo para a temporada 2014. Confessor que até hoje não entendi tamanha insistência.
Xuxa mostrou qualidades na Série C há uns cinco anos. Desde então, não soube de nada relevante em sua carreira. Enfim, sonhos devem ser realizados e o Papão deve saber o que faz.

Brincando com coisa séria

O Botafogo mostra suas armas para disputar a Libertadores, depois de 18 anos. Primeira providência da genial diretoria: promover a técnico dos profissionais o treinador das divisões de base. É por isso que eu costumo dizer, parafraseando o grande Tom Jobim, que o Botafogo não é para amadores e sim para profissionais.
Chega de gente que brinca com futebol, que pode (e deve) ser divertido, mas tem que ser levado a sério.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 19.12.13 A Bola no Bola – Giuseppe Tommaso – 22.12.13

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