Coluna do Gerson Nogueira – 23.12.13

23 de dezembro de 2013 at 11:26 am Deixe um comentário

A força do abismo econômico

Duas opiniões antagônicas, mas que se complementam, ajudam a desnudar – por especialistas no assunto – o abismo entre times europeus e brasileirs. A eliminação do Atlético-GO na semifinal do Mundial de Clubes para o representante marroquino não invalida a comparação com o campeão Bayern de Munique. Pelo tropeço do Galo diante do azarão Raja Casablanca é possível presumir o que aconteceria na finalíssima diante dos alemães.
Depois da vitória do Bayern, no sábado, em Marrakesh, Carlos Alberto Parreira e Zagallo se manifestaram, aparentemente com visões diferentes sobre o mesmo tema, mas no fundo dizendo a mesma coisa. Parreira entende que o futebol brasileiro deve ser observado do ponto de vista da seleção, e não dos clubes.
Para ele, qualquer comparação entre clubes é desigual, pois o poderio econômico dos europeus é avassalador, principalmente quando se fala dos principais times de Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália.
O aposentado Zagallo afirma que os clubes brasileiros não têm a menor condição de enfrentar hoje os grandes europeus. Refere-se aos fracassos de Internacional, Santos e Atlético-MG nos últimos mundiais de clubes. Não leva em conta o triunfo corintiano em 2012 por ter sido quase uma zebra, considerando o caminhão de chances que Fernando Torres perdeu naquele confronto e a meia dúzia de gols que o goleiro Cássio evitou.
Na prática, ambos apontam na mesma direção. O Brasil consegue competir com a Europa quando joga contra seleções, mas nem ao menos equilibra quando a história envolve times. E isto começou a partir dos anos 80, quando o êxodo de talentos se intensificou. A exportação em massa de jogadores golpeou fundo nossos clubes, embora não tenha afetado tanto a Seleção.
Remédio, a curto prazo, não existe. Mais do que uma questão futebolística, trata-se de um problema de ordem econômica. Nossos clubes só terão chances contra os gigantes europeus quando tiverem bala na agulha – e organização gerencial – para formar elencos de primeira linha. E isto não é coisa para esta geração, talvez nem para a próxima.

E o handebol sai do limbo

Esporte dos mais praticados entre nós, o handebol sempre foi uma modalidade segregada, esquecida até. Vista como desimportante pelas autoridades do esporte nacional, somente nos últimos anos emergiu em torneios internacionais. Os resultados ensejaram um investimento maior na preparação, com boa presença no mundial realizado no Brasil (5º lugar) e nas Olimpíadas de 2012. A importação de Morten Soubak, técnico dinamarquês, foi o passo decisivo para tirar o handebol da fila.
Ontem, coroando campanha inédita (oito vitórias em oito jogos), a seleção feminina levantou o título mundial. Algo tão grandioso que causou espanto até no Brasil. Contra a anfitriã Sérvia, o time se superou em técnica e bravura. Em confronto dramático, diante de 20 mil torcedores, as brasileiras marcaram 22 a 20.
A façanha insere o handebol no seleto panteão das seleções brasileiras campeãs do mundo. Antes, somente futebol, basquete e vôlei eram modalidades coletivas vitoriosas mundialmente. O time brazuca é também o primeiro não-europeu, desde 1995 (quando a Coréia do Sul venceu) a levantar o título.
É importante considerar que Alexandra Nascimento e suas companheiras alcançaram um patamar que coloca o Brasil como favorito a uma também inédita medalha de ouro nas Olimpíadas de 2016, no Rio.

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