Coluna do Gerson Nogueira – 24.01.14

24 de janeiro de 2014 at 11:18 am Deixe um comentário

Rolezinho em Barcelona

Quem acompanha futebol, mesmo à distância segura, sabe o quanto são nebulosos os negócios envolvendo venda ou empréstimo de jogadores. O rolo em torno da contratação de Neymar pelo Barcelona, que sacudiu os alicerces administrativos do grande clube catalão, é mais uma evidência dos atalhos obscuros que dominam o mercado da bola.
Chama atenção que nem mesmo uma potência como o Barcelona esteja imune às gambiarras contábeis. Só não surpreende o fato de Sandro Rossell estar envolvido na história. Desde os tempos de Ricardo Teixeira como sumo-sacerdote do futebol brasileiro, o dirigente espanhol já fazia das suas, com participação em jogadas com a CBF até hoje mal explicadas.
Por outro lado, a queda de Rossell, oficializada ontem, comprova também que existem clubes sérios, com acionistas e conselheiros que exercem seu papel. Assim que a denúncia sobre irregularidades na aquisição de Neymar foi publicada pelo jornal El Mundo, o clube cobrou explicações de seu presidente. Rossell passou de imediato à condição de suspeito. Sem argumentos para refutar as acusações, viu-se obrigado a renunciar.
Nem precisa dizer que, caso fosse no Brasil, a história rapidamente ganharia outros contornos e ginásticas para livrar a cara dos culpados. Em poucos dias, ninguém falaria mais no assunto, tal a rapidez com que escândalos se revezam no noticiário. Tem sido assim desde que o futebol aportou por aqui trazido pelos estudantes ingleses.
Além da providência por parte dos sócios do Barcelona, a notícia motivou ação imediata por parte das autoridades espanholas. Assim, o juiz Pablo Ruz aceitou denúncia contra Sandro Rossell pelo suposto crime de apropriação indébita na contratação do atacante Neymar. Ainda não convocado a depor, o dirigente nega qualquer prática ilícita.
Reforço mais cintilante do Barça na temporada, Neymar foi contratado por 57,1 milhões de euros. Ocorre que, por desconfiança de um sócio do clube, veio à tona a informação de que o negócio teria sido bem mais caro – pelo menos 38 milhões de euros acima da quantia oficial, destinados supostamente a uma empresa do pai do atacante.
A grana não declarada precisa ser justificada pelo agora ex-presidente Rossell aos sócios do clube e à Justiça. Ministério Público espanhol pediu neste mês uma investigação sobre o pagamento de 40 milhões de euros a uma empresa do pai de Neymar.
A dúvida é se o Santos e a Justiça brasileira terão a mesma presteza em apurar as responsabilidades fiscais dos representantes do jogador. Pela tradição brazuca, com inúmeros exemplos de negócios esquisitos beneficiando cartolas e investidores, é bom esperar sentado.

Ingressos de alto risco

Torcedores de Remo e Paissandu informam à coluna sobre a fragilidade dos ingressos colocados à venda para o clássico de domingo. O cartão de plástico é simplório, aparentemente feito em fundo de quintal e contendo uma tarja que não funciona como garantia de segurança. O risco de falsificação é imenso e há o temor justificado de que os clubes acabem prejudicados na arrecadação.
No domingo passado, por ocasião do jogo Remo x Santa Cruz no estádio Mangueirão, o cartão magnético era de melhor qualidade, mas as catracas eletrônicas do estádio não estavam funcionando. Com isso, no portão de entrada os cartões eram inutilizados a tesouradas.
Os sócios torcedores do Remo foram orientados a usarem a carteira do Nação Azul, mas no Paissandu todos devem adquirir o ingresso meia-sola. Vale dizer que, anteontem, na Curuzu, cambistas vendiam ingressos até pela metade do valor oficial (R$ 30,00). Das duas, uma: ou o ingresso era falso ou era vendido por pessoas ligadas ao clube.

CFC em defesa do torcedor

O grupo Consenso Futebol Clube (CFC), formado por desportistas paraenses de origens diversas, começa a atuar efetivamente nos próximos dias. O objetivo é lutar pela transparência nas práticas que envolvem o futebol, acompanhando criticamente as gestões e propondo ideias para melhorar a vida dos clubes, sempre em benefício do torcedor paraense. O CFC tem Inocêncio Mártires Coelho como presidente e Hiran Lobo como vice, à frente de pelo menos 20 associados e simpatizantes da causa, entre os quais este escriba baionense.
Uma das primeiras ações do grupo foi se solidarizar e manifestar sentimento de pesar à família de João Bentes Garcia, torcedor do São Francisco que morreu em consequência de infarto durante o jogo de anteontem contra o Remo, em Santarém.
Página do CFC no Facebook: https://www.facebook.com/pages/SOS-Torcedor/1384310328497810?hc_location=timeline

Entry filed under: Uncategorized.

Chumbo-Grosso – Paulo Fernando – 23.01.14 A Bola no Bola – Giuseppe Tommaso – 26.01.14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: