Coluna do Gerson Nogueira – 27.01.14

27 de janeiro de 2014 at 12:44 pm Deixe um comentário

Objetividade premiada

Foi a vitória do time melhor arrumado defensivamente e mais aplicado no ataque. Se há uma palavra que resume o que foi a atuação do Paissandu, ontem à tarde, esta é objetividade. Com funções bem definidas e concentração total, a equipe pouquíssimas vezes se afastou do roteiro previamente desenhado. Marcava com até seis jogadores no meio-de-campo, levando em conta que Aírton e Djalma se juntavam ao esforço para bloquear os avanços dos meias e laterais remistas.
No futebol, muitas jornadas são vencidas nos vestiários – perdidas também. Desta vez, Mazola Junior e seus comandados trilharam o caminho vitorioso porque sabiam que o Paissandu precisava enfrentar jogadores habilidosos no meio-de-campo e se prepararam adequadamente, montando um planejamento preciso e simples.
Seus três volantes começaram a partida sem passar da linha divisória. Cada um, Vanderson à frente, combatia um adversário. O entrega era tão intensa que nos primeiros minutos foram cometidas oito faltas seguidas, levando a um cartão amarelo para Charles logo aos 5 minutos.
Depois de enganoso domínio territorial do Remo, o gol contra de Rogélio aos 16 minutos desnudou a realidade do jogo. No lance fatal, Vânderson chegou à intermediária, lançou para Djalma, que cruzou à meia altura em direção à área. Simples e certeiro. A bola resvalou no zagueiro e entrou.
O Remo entregou-se então a uma combinação de apatia com desarrumação, receita infalível para o insucesso. Ainda esboçou uma reação, deslocando Eduardo Ramos para o lado direito do ataque, mas sem resultado prático. Potiguar, inicialmente explorando a faixa esquerda, era cercado por Djalma e Zé Antonio, sendo obrigado a investir pelo meio, onde embolava com Leandrão e Athos.
No segundo gol, um contra-ataque perfeito, com nova participação de Djalma, que acionou Héliton mais à frente. Dele partiu um lançamento alto para o centro do ataque, onde Lima recebeu à frente de Rogélio e seguiu livre para o arremate à direita de Fabiano.
Enquanto o Paissandu impunha dois gols de diferença, tocando menos na bola, mas com muito mais rapidez e eficácia, o Remo teve somente duas boas oportunidades. Na primeira, cruzamento de Ramos, que Matheus desviou com dificuldades. Logo em seguida, Rogélio cabeceou com perigo, mas o goleiro estava bem colocado. Não por acaso, Potiguar e Ramos deixaram o campo no fim do primeiro tempo clamando por aproximação e entusiasmo dos colegas.
Veio a etapa final e, logo de cara, o Remo mostrou que também podia ser ágil e objetivo. Potiguar foi lançado na área, atraiu a atenção dos zagueiros e chutou forte. Mateus rebateu e Zé Soares (que havia substituído Athos) botou para dentro.
Por cerca de 10 minutos, o Remo esteve muito perto do empate. Perdeu chances seguidas com Leandrão, Potiguar e Zé Soares. Seguro, Mateus já se estabelecia como o grande nome da tarde. A agressividade azulina empolgou a torcida e a pressão foi muito forte sobre a defesa do Paissandu, que se postou com correção e não se abalou com a situação.
Aos poucos, o jogo se reequilibrou, embora o Remo continuasse sempre presente no ataque, ameaçando com Potiguar e Zé Soares. Val Barreto substituiu Leandrão a dez minutos do fim e empreendeu a jogada mais emocionante do segundo tempo. Driblou dois marcadores junto à pequena área e bateu no canto. A bola caprichosamente resvalou em João Paulo e saiu a escanteio. Na sequência, Jonathan chutou na gaveta, mas o goleiro evitou o gol.
Resumo da ópera: Paissandu se fez merecedor da vitória por ter consciência de suas limitações. O Remo jogou como se as coisas se resolvessem naturalmente em campo. Ambos precisam melhorar muito, mas do ponto de vista anímico a vantagem hoje é alviceleste.

Lembranças fortes do passado

A maneira como o Paissandu se estruturou em campo, priorizando a defesa, como no basquete, remeteu diretamente ao primeiro clássico do Parazão 2013. Na ocasião, Flávio Araújo fechou o Remo e dedicou-se aos contra-ataques. Ganhou por 2 a 1, como fez Mazola ontem. Para reforçar as coincidências, o jogo ocorreu na mesma data, 26 de janeiro.
Cabe a Mazola e ao Papão mudarem o rumo da prosa na sequência do torneio, pois Flávio Araújo se perdeu nas retrancas e levou junto o Remo, que acabou derrotado na decisão dos dois turnos.

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