Coluna do Gerson Nogueira – 25.02.14

25 de fevereiro de 2014 at 1:00 pm Deixe um comentário

Sobre a nobre arte de torcer

Um grupo de torcedores surpreendeu jogadores e funcionários do Paissandu ao aparecer no clube, ontem, para saudar o time e reafirmar apoio incondicional. É preciso entender que isso aconteceu no dia seguinte à perda do primeiro turno para o grande rival. Outra demonstração explícita de amor e compreensão foi vista depois do próprio clássico de domingo. Quando os jogadores deixavam o campo foram aplaudidos pela torcida bicolor.
São gestos como esses que permitem acreditar que o futebol paraense trilha o caminho certo, pelo menos quanto aos torcedores mais participativos e solidários. Indiferentes às paixões destemperadas que abundam nas redes sociais, com diatribes e insultos endereçados a adversários, os verdadeiros desportistas se comportam com fleuma e superioridade.
Perder jogos ou campeonatos é coisa normal em futebol. Acontece com todo mundo, mais dia menos dia. Revoltar-se contra isso é, além de perda de tempo, puro desequilíbrio. Quem gosta do esporte verdadeiramente não se prende a miudezas do gênero. Vitória, empate e derrota. Não há como escapar a esse destino. E não existe time no mundo – não inventaram ainda – absolutamente invencível.
Alguns foram particularmente brilhantes. Real Madri de Di Stéfano, Honved de Puskas, Santos de Pelé, clubes que passaram um bom tempo sem conhecer o sabor de uma derrota. Só que, um belo dia, a casa caiu e foram derrotados. Acontece.
A compreensão acerca da insustentável leveza do futebol é um dos sentimentos mais bonitos que o torcedor pode desenvolver. Não pode ser um acomodado, que aceita a derrota e renuncia à ideia de vitória. O céu é o limite. Todos querem ver seus times sempre vitoriosos. Como isso é impossível, resta a humildade. Entender que não há time imbatível não diminui ninguém; pelo contrário, eleva.
Da mesma forma, a arte de torcer implica em ter jogo de cintura, flexibilidade e espírito esportivo para suportar as brincadeiras, que se ampliaram expressivamente na era da internet. Quem não tiver sangue frio e nervos de aço, não sobreviverá aos novos tempos digitais. Os fracos apelam para a ofensa gratuita, a intolerância e os xingamentos. Não merecem ser chamados de torcedores de verdade. São pequenos demais para fazer jus a essa denominação tão nobre.

A última arbitragem

A propósito da mui comentada arbitragem do clássico, o amigo e professor Cássio de Andrade destaca um aspecto pouco abordado. “O futebol paraense teve o privilégio de assistir ontem a despedida do árbitro Wilson Luiz Seneme. A qualidade técnica esbanjada no jogo transformou sua atuação no canto de cisne da arbitragem nacional. O provincianismo mequetrefe e o passionalismo clubístico criaram um clima de desonra após o jogo em relação a esse grande profissional do apito. Parabéns, Seneme, pela aula de arbitragem ministrada no gramado do Mangueirão”.

Mazola na marca do pênalti

Transcrevo a análise do leitor Júlio César Aires sobre o trabalho de Mazola Junior, do Paissandu. “Acho bastante engraçado o técnico dando entrevistas com aquele ar rompante, típico de técnicos vindos do eixo sul e sudeste. Lembra outro loroteiro chamado Giba, que após ter feito uma campanha de recuperação com o Remo foi muito supervalorizado”, observa, criticando a louvação que parte da imprensa faz ao treinador: “Pelo amor de Deus, ele pegou o time com uma espinha dorsal pronta, pois Matheus, Pikachu, Pablo, Vanderson, Capanema, Djalma, Zé Antonio e Héliton eram figuras presentes em boa parte dos jogos da Série B do ano passado”.
“Mais interessante de tudo é vê-lo dando entrevista, como se fosse Guardiola ou Mourinho. Faça-me o favor, esse senhor nunca ganhou nada! Na temporada passada foi eliminado vergonhosamente pelo mesmo Paissandu, quando técnico no Sport, inclusive sendo goleado historicamente dentro de casa. Seu maior feito foi conseguir livrar o Cuiabá do rebaixamento, vencendo apenas um jogo, em meio a seis, salvo engano. Seus times atuam quase sempre com três volantes, privilegiando o contra-ataque. Na final do turno, seu time não fez sequer uma jogada trabalhada, passou 90 minutos alçando bolas na área”.
Para Júlio César, Mazola não passa de “um bom de papo, que distribui alguns elogios, ganhando assim simpatizantes. Ou será que existe outro motivo para não contestar um técnico que não vence um jogo de time profissional (o Náutico não é) a cinco ou seis rodadas? E olha que nem estou mencionando os erros de arbitragem que sempre ajudam os dois grandes do Estado, principalmente quando atuam em seus domínios”.
Apesar de entender as críticas do torcedor, estou no rol dos que aprovam o trabalho de Mazola, que conseguiu dar conjunto a um time desconjuntado e sem um organizador no meio-de-campo. Levou o Papão à decisão do turno, sem derrota para o rival até aqui. Tem méritos.

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