Coluna do Gerson Nogueira – 24.04.14

24 de abril de 2014 at 12:46 pm Deixe um comentário

Longe demais do centro do mundo

A visão que os técnicos brasileiros têm do jogo é algo para ser revista com urgência; Quase sempre arrogantes, donos absolutos da verdade e sensíveis demais a críticas, todos – sem distinção – armam seus times com a mesma filosofia dos tempos de Oswaldo Brandão e Yustrich. O mundo evoluiu, as modernas plataformas tecnológicas facilitam a comunicação instantânea e o acesso fácil às diversas formas de conhecimento. Há, porém, um setor aparentemente inexpugnável e ele é guarnecido pela velha mentalidade dos que dirigem times no Brasil.
Os jogos semifinais da Liga dos Campeões da Europa, maior torneio de clubes do planeta, têm como duelistas dois técnicos europeus e dois sul-americanos. Os representantes do nosso continente são argentinos, Diogo Simeone e Tatá Martino. Ouve-se a respeito disso o argumento de que ambos foram ajudados no futebol espanhol pela facilidade do idioma. Pode ser, mas não explica tudo. Vanderlei Luxemburgo foi muito atrapalhado pela gramática de pé quebrado na terra de Cervantes, mas certamente caiu em desgraça pela incapacidade de dar liga a um grupo de galácticos.
Para quem acompanha este começo de Campeonato Brasileiro em suas duas primeiras divisões não surpreende que os treinadores brasileiros se mantenham afastados dos principais centros. Equipes retrancadas, agarradas à cautela, proporcionaram exibições horrorosas, salvo discretas exceções. Na Copa Libertadores, os nacionais sucumbem diante de treinadores de agremiações modestas, sem história ou maior lustro.
León, Bolívar, Atlético Nacional, San Lorenzo, Lanús. Todos são times com estrutura bem definida, que desempenham uma estratégia clara em campo. Os brasileiros se notabilizam pelos cruzamentos para a área e a eterna esperança de um contra-ataque feliz. Ainda ontem à noite, na Colômbia, o apenas esforçado Atlético Nacional deu um sufoco no campeão continental Atlético Mineiro. Paulo Autuori, técnico do time mineiro, passou o jogo mordendo os lábios e sacudindo a cabeça, incapaz de ordenar uma mudança de atitude de seus jogadores diante da iminência de um gol inimigo – que, obviamente, acabou acontecendo.
Nossos astros, que gostam de ser chamados de professores, precisam urgentemente de reciclagem. Sempre é possível aprender mais um pouco.

As contas que atormentam o Leão

Em meio a preocupações quanto à evidente queda de rendimento do time no campeonato, exposta na derrota perante o Independente em Tucuruí, um outro drama começa a inquietar a diretoria do Remo. Sem nenhum patrocinador privado, além do Banpará e do repasse da Seel (pois os valores da Big Ben foram adiantados até dezembro de 2014), o clube desdobra-se para manter em dia uma folha salarial que beira R$ 600 mil, puxada por quatro salários na faixa de R$ 50 mil e ao pacote emergencial firmado com Roberto Fernandes e sua comissão técnica.
Dos dos donos de maiores salários no elenco, apenas um se mantém como titular, o que provavelmente afeta o clima geral na tropa. Todos os contratos, diga-se, sem qualquer parecer do departamento jurídico do clube, o que significa certamente uma enxurrada de processos mais à frente.
Um grande benemérito, defensor da ousadia administrativa do presidente Zeca Pirão, avalia que a ele só falta uma voz moderadora, um conselheiro que recomende prudência nos momentos mais impulsivos. Com ironia, ele avalia que seria aconselhável que a lei da Fifa que impede o Barcelona de fazer novas contratações fosse imposta também ao Remo, livrando o clube de futuros dissabores.

Uma repetição do caso Naviraiense?

A notícia começou a circular desde cedo, primeiro sob a forma de rumor, logo amplificado para boataria pesada. Finalmente à tardinha, o advogado Alberto Maia confirmou ao repórter a decisão de recorrer ao STJD reivindicando o título da Copa Verde (e consequente vaga à Sul-Americana 2015). Baseia-se na suposta perda de prazo pelo Brasília para registrar a reforma de contrato do meia Gilmar, autor do primeiro gol da decisão da última segunda-feira. O fato aparentemente guarda semelhança com o caso do Naviraiense, que, no ano passado, escalou contra o Papão um jogador também não inscrito regularmente junto à CBF.
A questão, agora, vai depender da análise e julgamento do STJD, caso a denúncia do vice-campeão da Copa Verde seja acatada pelo tribunal.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 24.04.14 Coluna do Gerson Nogueira – 28.04.14

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