Coluna do Gerson Nogueira – 28.04.14

28 de abril de 2014 at 4:09 pm Deixe um comentário

O Remo e a baderna impune

Da arruaça orquestrada na manhã de sábado por uma gangue uniformizada ligada ao Remo a maior vítima, como de praxe, é o próprio clube. Baderneiros – o próprio nome já diz tudo – não têm a menor preocupação com o bem-estar de ninguém, muito menos do clube que dizem amar e defender. São movidos exclusivamente pelo prazer de se fazer notar e poder depois propagandear valentia e coragem.
De valentes e corajosos o mundo anda cheio. A questão é saber até que ponto alguns descerebrados podem agir livre e impunemente, conforme seus instintos, sob a passividade constrangedora (quase cúmplice) dos dirigentes.
Não foi a primeira vez, nem certamente será a última, que uma turba invade treino e hostiliza profissionais em seu horário de trabalho. O abuso é consentido há anos em Belém. Os dois grandes clubes, que concentram atenções e interesses de milhares de pessoas, abrigam em suas hostes gente de toda natureza e motivação. Isso, é claro, inclui os chamados radicais, barras bravas papachibés, que têm extensa folha corrida de maus serviços prestados às duas agremiações.
O Paissandu, por exemplo, foi obrigado a estrear na Série C neste sábado em jogo de portões fechados em Castanhal. Tudo porque um grupelho de “torcedores uniformizados” atirou rojões no gramado na partida contra o Avaí na Série B do ano passado. A travessura rendeu ao Papão um punhado de jogos longe de sua verdadeira torcida, impedido de obter faturamento nas bilheterias.
O Remo, alvo mais recente da fúria sem freios de seus hooligans, coleciona também um histórico alentado de punições sérias advindas de atos irresponsáveis e criminosos em estádios de futebol.
Por tudo isso, a baderna levada a cabo no sábado não surpreende ninguém mais. A surpresa está na plena aceitação dos turbulentos como representantes da massa torcedora. Não representam ninguém, a não ser seus próprios impulsos bélicos.
Quando o clube se prostra como instituição, aceitando que uma minoria ponha abaixo regras mínimas de convivência, ignorando princípios básicos de civilidade e enlameando ainda mais a imagem pública da instituição, algo de muito sério deve ser feito.
Não é admissível que agremiações centenárias do nosso futebol se tornem reféns de grupelhos que se fantasiam de adeptos fanáticos. No ritmo que o problema se apresenta, sem solução aparente há anos, logo haverá muito mais do que agressões e constrangimentos a lamentar.
A impressão é de que, enquanto um dirigente não se sentir fisicamente vulnerável perante os brucutus “organizados”, os clubes continuarão a adiar providências, como que esperando que o problema se resolva pela força da mente.
A desgraça é que quando isso ocorrer pode ser muito tarde para agir. A história mostra que facções violentas no futebol devem ser tratadas como realmente são: quadrilhas criminosas. A Inglaterra, que inventou o futebol moderno e se reinventou como nação esportiva, está aí como exemplo maior de ação enérgica e implacável em relação aos delinquentes.
Repito o que já escrevi aqui dezenas de vezes, há mais de uma década e meia, o futebol precisa aprender a se defender de seus inimigos. E o baderneiro organizado é um deles – e dos mais perigosos.

Série C: apenas a primeira impressão

O Paissandu foi a Castanhal e, cumprindo uma sina de outros campeonatos, apresentou-se para arquibancadas vazias diante do Águia. O lado positivo é que, em campo, o time voltou a apresentar a objetividade que o caracteriza nesta temporada. Mesmo ainda emocionalmente ferido pela perda da Copa Verde, Lima e seus companheiros foram capazes de superar a desconhecida nova equipe marabaense.
No primeiro tempo, pelos relatos do amigo Carlos Gaia (da Rádio Clube), nenhum time prevaleceu. Reinou o equilíbrio ditado pela cautela. Na etapa final, o entrosamento bicolor falou mais alto. O pênalti, sofrido e convertido por Lima, deu ao Papão tranquilidade para se impor, enquanto o Águia saía de seu campo para buscar o empate.
Esta busca pela igualdade tornou o time previsivelmente mais vulnerável, com buracos na defesa e hesitações no meio. O segundo gol (Zé Antonio) retratou um pouco essa desorganização defensiva.
Nada está perdido. Foi apenas a primeira rodada da Série C, um campeonato que se prenuncia dificílimo para os representantes paraenses. Para o Papão ficou a sensação do dever cumprido, garantindo os três pontos como mandante. Ao Águia resta o consolo de ter sido apenas a primeira exibição deste novo grupo de jogadores. O que se viu em Castanhal dá a entender que pode estar surgindo um time bem interessante.
A conferir.

Anúncios

Entry filed under: Uncategorized.

Coluna do Gerson Nogueira – 24.04.14 PAPO DO 40º – Ronaldo Porto – 28.04.14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: