Coluna do Gerson Nogueira – 14.05.14

14 de maio de 2014 at 5:45 pm Deixe um comentário

A dura sina dos técnicos

A demissão de Jaime do comando técnico do Flamengo repercutiu nas redes sociais e em setores da imprensa, mas não chegou a surpreender o mundinho do futebol. Profissionais ligados ao esporte no Brasil, tanto jogadores como técnicos, vivem num estado de distanciamento tão grande que parecem ter tomado a vacina da indiferença.

Não se viu um técnico comentar em público a forma grosseira com que o clube tratou o empregado – que, diga-se, não era um empregado qualquer, visto que dedicou mais de 30 anos às cores rubro-negras. Jaime pertence a uma família com grandes serviços prestados ao Flamengo, mas nem isso o poupou de um tratamento publicamente desrespeitoso.

Soube de sua substituição por Ney Franco através dos repórteres, que ligavam insistentemente para sua casa e seu telefone celular. De meio-dia até 18h, a notícia de sua demissão circulou pelas redes sociais, sites noticiosos, emissoras de rádio e TV, mas não foi oficialmente comunicada ao principal interessado, o próprio Jaime.

Ele só foi avisado, ainda assim de forma enviesada, por um diretor, que tentou marcar uma reunião sem sentido para que o anúncio fosse feito no começo da noite. O assunto já ficando velho, Ney Franco já até havia falado como novo contratado do Flamengo.

Jaime, com razão, relembrou da quantidade de vezes que o presidente do clube o procurou pessoalmente para dar orientações e informes. Aliás, quando Mano Menezes abandonou a nau rubro-negra no ano passado, o presidente achou rapidamente Jaime pedindo que assumisse o cargo em situação extremamente delicada.

Com competência e disciplina, o interino operou uma grande transformação no elenco do Flamengo. Em poucas semanas, fez com que o grupo desacreditado se tornasse repentinamente vitorioso. Conquistou a Copa do Brasil em campanha surpreendente, ganhou o campeonato estadual do Rio e ainda livrou o time do rebaixamento no Brasileiro.

Tudo isso acabou esquecido pelos dirigentes depois da má jornada na Libertadores e do começo titubeante na Série A deste ano. Poucos lembraram que o Flamengo entrou nas duas competições ainda mais desfalcado que no ano passado. Afinal, perdeu Elias e Marcelo Moreno.

O futebol é rico em histórias desse tipo, com treinadores que vêm e vão dos clubes em divórcios tumultuados ou simplesmente incivilizados. Leão foi demitido da Seleção Brasileira por telefone, quando estava no aeroporto, se preparando para voltar ao Brasil.

Jaime não foi o primeiro nem será o último, nem os dirigentes flamenguistas são os únicos a agirem assim. É uma praga nacional, estimulada pela omissão e desunião dos próprios treinadores, que não hesitam em aceitar o lugar de um colega antes mesmo que este tenha sido avisado.

Na Europa, referência em gestão de futebol, as demissões são sempre anunciadas antes do fim dos contratos. Como ocorre agora com Tata Martino no Barcelona e já aconteceu com Vanderlei Luxemburgo no Real Madri há alguns anos. Lá, pelo menos, o demissionário ganha tempo para limpar as gavetas e começar a procurar um novo emprego, pois a vida continua.

O Papão e seus 300 volantes

Contra o Sport, hoje à noite, no Mangueirão, o Paissandu tem tudo para desfrutar da primeira facilidade nesta atual maratona de jogos. O campeão do Nordeste vem a Belém com um time misto, disposto a não ir longe na Copa do Brasil, pois seu foco é a Sul-Americana, que começa logo depois da Copa do Mundo. Em outras palavras, o rubro-negro pernambucano está a fim de entregar os pontos.

Mazola Júnior, que conhece bem o Sport, deve finalmente lançar mão de um esquema mais ofensivo, explorando a qualidade de seu ataque, com Lima e Leandro Carvalho. Sim, porque se insistir na rotineira barreira de volantes, de nada vai adiantar as chances oferecidas pelo desfalcado visitante.

É preciso entender que volantes podem ser últimos, pois guarnecem a defesa e seguram a onda no meio-de-campo, mas são por essência inimigos do futebol ofensivo.

Depois do Sport, caso confirme a passagem, o Papão pegará o Coritiba, que também não está nada interessado na Copa BR. Significa que, sem fazer maior esforço, o bicampeão paraense já pode estar às portas das oitavas-de-final da competição.

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