PLANETA COPA – Gerson Nogueira – 20.06.14

20 de junho de 2014 at 11:43 am Deixe um comentário

A velha fibra
uruguaia entra
em campo

É de dar medo quando o Uruguai veste as suas fardas de guerra. Quando vence desafios, empregando a velha fibra para superar situações adversas, a tradicional Celeste se torna um esquadrão quase invencível. Poucas coisas são mais fortes neste jogo do que um time que confia no seu próprio taco. Os uruguaios costumam confiar, até demais, o que é temível para seus adversários. A Inglaterra experimentou isso ontem, ao ser derrotada muito mais pela alma do que pelo futebol dos comandados de Oscar Tabarez. Foi o primeiro triunfo uruguaio sobre uma seleção europeia em 44 anos.
O maior símbolo dessa postura heroica é Luizito Suarez. Artilheiro do último campeonato inglês, venceu as desconfianças quanto à sua recuperação e foi para o jogo de ontem porque era uma decisão. O Uruguai, como a Inglaterra, precisava vencer para continuar vivo. Vale dizer que, há três semanas, ninguém acreditava que Suarez pudesse estar apto a disputar a Copa. Submetido a uma artroscopia, sua escalação só era prevista para as oitavas-de-final do torneio, mas a necessidade forçou sua entrada contra os ingleses.
E sua participação foi fundamental. Abriu o placar no primeiro tempo, desviando brilhantemente de cabeça um cruzamento de Cavani. A Inglaterra era mais consistente, dominava o meio-de-campo e rondava a área uruguaia, mas objetividade é fundamental. Na etapa final, Tabarez optou por uma tática de risco, segurando o resultado e esperando o English Team em seu campo para poder se aproveitar do contra-ataque. Muito recuado, acabou sofrendo gol de Rooney e viu a Inglaterra crescer em campo.
Quando todo mundo na Arena Corinthians imaginava que a vitória estava mais próxima dos ingleses, eis que a velha faísca guerreira uruguaia entrou em cena. Minutos antes, depois de um choque violento, o lateral Alvaro Pereyra recusou a substituição, impressionando pela gana de jogar. Instantes depois, num chutão do goleiro Muslera para o ataque, Gerrard raspou de cabeça e a bola caiu justamente nos pés predestinados de Suarez, que avançou até a área e fuzilou para o gol.
Qualquer análise técnica indicaria uma injustiça para os ingleses, que eram superiores e se organizavam melhor. Acontece que o Uruguai joga assim desde que o mundo é mundo e suas vitórias sempre combinam raça e determinação. Está no DNA de sua seleção desde que Obdúlio Varela e seus companheiros invadiram o Maracanã como hunos em 50.
Suarez já havia mostrado a face da valentia naquela célebre defesa na linha do gol contra Gana, em 2010. A bola ia para as redes e ele comentou o pênalti, que acabaria defendido por Muslera. Uma situação insólita, que exigiu coragem e sorte, mas que resultou em triunfo emocionante, passo crucial para que a equipe chegasse ao quarto lugar naquela Copa.
Ontem, o artilheiro renasceu para a Copa. Fez dois gols e deixou o Uruguai muito próximo da classificação, depois do vexame na estreia contra Costa Rica.
Repito: quando eles se pintam para a guerra, é bom tomar cuidado.

Mudanças necessárias e difíceis

Muito se comenta sobre as eventuais mexidas que Felipão poderia fazer para injetar dinamismo à Seleção Brasileira. Turrão, o técnico rejeita publicamente qualquer palpite sobre substituições na escalação que idealizou para a Copa. As circunstâncias, porém, podem obrigá-lo a rever seus conceitos. Uma conversa reservada com os titulares, ontem, pode determinar o começo de uma nova fase para o time.
O jogo com o México, marcante pela ausência de vida criativa no meio-campo, ainda está vivo na memória de todos e pode ser usado como ponto de partida para uma reformulação do próprio sistema usado por Felipão. Desde a Copa das Confederações, o Brasil joga com dois volantes (Paulinho e Luiz Gustavo), um armador (Oscar) e um atacante que volta para marcar (Hulk). Neymar e Fred se encarregam das ações mais ofensivas. No torneio que antecedeu a Copa, essa formação teve bons momentos, embora sujeita a alguns apagões.
Na Copa, as virtudes da Seleção passaram a ser marcadas com disciplina e método. A Croácia evidenciou isso, explorando os espaços deixados pelos laterais. O México não repetiu esse expediente, mas limitou o território de Oscar e Neymar, sufocando qualquer chance de ações inventivas por parte do Brasil.
Felipão e seu auxiliar Parreira devem estar fritando os miolos para buscar alternativas capazes de surpreender adversários tão bem informados sobre a maneira de jogar da Seleção. Ao mesmo tempo, precisam fazer com que Paulinho, Daniel Alves e Marcelo, principalmente, entendam que a Copa é um torneio muito curto, que exige alto rendimento a cada rodada.
O trio é o que mais destoa a essa altura, embora outros jogadores também não estejam no mesmo nível mostrado no ano passado. Hulk, cuja força física é o único atributo que justifica a titularidade, é outro que segue devendo. Para o lugar de Paulinho, a opção pode ser Fernandinho. O volante do Manchester é o caso mais clamoroso de involução técnica do escrete, deixando no esquecimento aquele futebol ágil e agressivo dos tempos de Corinthians.
Pelas próprias características, Oscar e Neymar precisam ter escudeiros participativos, coadjuvantes que não se restrinjam a executar funções burocráticas.
Caso consiga solucionar essa equação, Felipão ficará mais perto de debelar o apagão criativo do time.

Europeus com a corda no pescoço

A campeã Espanha foi a primeira eliminada do mundial. Um choque. Sem reproduzir sua festejada troca de passes, a seleção de Vicente Del Bosque viu-se alijada depois de duas derrotas acachapantes. Levou uma sova de 5 a 1 da Holanda e foi atropelada pelo Chile, por 2 a 0. Pois os espanhóis podem ter companhia ilustre nos próximos dias. A Inglaterra também corre riscos imensos no Grupo D, após ser batida pelo Uruguai. Com duas derrotas, terá agora que vencer a surpreendente Costa Rica na rodada final, dependendo ainda de uma derrota uruguaia frente à Itália.
Outra equipe ameaçadíssima é Portugal, que chegou com as pompas reservadas a quem tem o melhor jogador do mundo. Depois de goleada impiedosa frente aos alemães, Cristiano Ronaldo e seus companheiros terão que fazer uma caminhada de superação. O primeiro desafio é passar pelos Estados Unidos. Em seguida, terão que superar Gana.

Sem Falcão, Colômbia avança

Mesmo sem seu maior atacante – Falcão Garcia não se recuperou a tempo de ser convocado -, a Colômbia surpreendente com uma campanha vitoriosa até aqui. Passou por Costa do Marfim, ontem, em Brasília, e está quase garantida na próxima fase. Para suprir a falta do homem-gol, o time se une em torno de um meia-atacante de grandes recursos técnicos.
Cuadrado, destaque da Fiorentina, desfilou passes milimétricos e chutes perigosos contra o gol marfinense. O estilo técnico, repleto de fintas curtas e passes em velocidade, remete a Valderrama, embora menos firulento. Com um organizador desse nível, a Colômbia alimenta justas esperanças de ir longe na competição.

A coisa pega quando a fome aperta

A falta de organização nos restaurantes do Centro de Imprensa e lanchonetes da área reservada aos torcedores é desde já a grande falha constatada nas belíssimas arenas da Copa. Em Fortaleza e Salvador, a situação é considerada boa, mas em Brasília e São Paulo prevalece o caos, gerando constantes reclamações. Os preços são extorsivos (uma água mineral custa até R$ 8,00) e o cardápio é pobre, sem variedade de alimentos. Na África do Sul, havia qualidade e fartura de opções, embora os preços fossem também bastante salgados.
A Fifa cobra providências do Comitê Organizador Local, que negligenciou na fiscalização e parece ter descuidado de um item capaz de azedar o humor de qualquer um: falta de comida.

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CLUBE NA COPA – Giuseppe Tommaso – 20.06.2014 CLUBE NA COPA – Giuseppe Tommaso – 21.06.2014

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