PLANETA COPA – Gerson Nogueira – 29.06.14

29 de junho de 2014 at 11:51 am Deixe um comentário

Holanda defende melhor campanha

Não é o Brasil, nem a Argentina, muito menos a Alemanha. É a Holanda que detém a melhor campanha na Copa do Mundo. De estilo agressivo no ataque e com uma pegada forte no setor de marcação, a seleção de Louis Van Gaal só surpreende os desatentos. Desde as eliminatórias europeias, a equipe vem acumulando triunfos e impressionando pela força ofensiva. Coleciona admiradores pela maneira consistente com que se lança ao jogo e, acima de tudo, pela belíssima parelha formada por Robben e Van Persie, dois dos mais qualificados atacantes do planeta.
Vem justamente da habilidade e oportunismo de Robben e da categoria e posicionamento de Van Persie o potencial dos holandeses para fulminar adversários. Van Gaal surpreende também pela formatação ousada do time, que costuma marcar gols em todos os jogos e não dá muita chance aos oponentes. Nas eliminatórias, o time venceu nove jogos e empatou apenas um. Marcou 34 gols, sofreu cinco. Van Persie foi o artilheiro, com 11 gols.
Na Copa, a seleção laranja manteve o nível até aqui. Balançou as redes inimigas em dez ocasiões, assinalando alguns dos gols mais bonitos do torneio. Sofreu três gols. Logrou a façanha de humilhar a seleção espanhola, atual campeã do mundo. Além da sova de 5 a 1, deu-se ao luxo de desperdiçar pelo menos quatro chances reais para ampliar o massacre.
Ao longo das Copas, principalmente a partir de 1974, a Holanda tornou-se uma seleção admirada no mundo inteiro, mas pouco objetiva na busca pelos títulos. Costuma chegar, mas não leva. Bateu na trave três vezes. Tudo começou lá mesmo em 1974, quando tinha o poderoso e revolucionário Carrossel de Rinus Michels e Cruyff. Não superou a marcial Alemanha de Sepp Mayer, Beckenbauer e Breitner, mas cravou seu nome como responsável pela última grande inovação tática no futebol.
Em 1978, novo revés diante de seleções anfitriãs. Os remanescentes daquele fabuloso grupo teve fôlego para ir à final contra a Argentina, perdendo por um golpe de sorte. Nos instantes finais, a bola beijou a trave de Fillol, assustando a multidão ensandecida de torcedores argentinos. A terceira tentativa frustrada ocorreu na última Copa, quando Robben e seus companheiros foram batidos pelo tic-tac da Espanha.
Por força do regulamento, a Holanda inicia o mata-mata no Brasil enfrentando o México, que tem uma das defesas mais fortes do torneio. Será um embate interessante. Robben e Van Persie, municiados por Sneijder, terão que se desdobrar para furar o duríssimo bloqueio liderado por Rafa Marquez. Junto com os confrontos entre Brasil x México e Uruguai x Colômbia, que aconteceram neste sábado, o cruzamento entre holandeses e mexicanos deve ser um dos mais encarniçados desta fase. Promessa de um grande jogo.

Um emergente que sonha alto

O México, sem a mesma relevância para o futebol quanto a Holanda, ensaia fazer deste Mundial sua alavanca para o primeiro escalão do futebol mundial. Em outras Copas, o time de Giovani dos Santos conseguiu ir bem até as oitavas de final, mas jamais se inseriu entre os finalistas. Nos últimos anos, o futebol do país evoluiu, com times que conseguiram boas participações nos torneios continentais. A seleção fez boas aparições na Copa América e passou a sustentar uma ligeira rivalidade com o Brasil, chegando a equilibrar o retrospecto recente.
Sob todos os pontos de vista, é admirável a confiança de jogadores, comissão técnica e torcedores no êxito da seleção em gramados brasileiros. O empate com a seleção de Felipão, conquistado com grande atuação de todo o time, injetou mais ânimo nas fileiras mexicanas. Mas a coincidência feliz de reunir de uma só vez alguns gabaritados jogadores – Ochoa, Guardado, Rafa Marquez, Herrera, Peralta e Giovani – é a principal razão desse entusiasmo todo.
Foi-se os tempos em que o México era mais conhecido pelo colorido espalhafatoso de seus goleiros, como o folclórico Jorge Campos. Mais maduro, o país tenta granjear respeito internacional. Para atingir esse objetivo, nada melhor do que uma grande campanha em Copa do Mundo. Pena que o primeiro mata-mata é logo contra o bicho-papão da Copa.

Um craque na grande área

O ídolo rubro-negro Zico foi o primeiro a render homenagens públicas a Van Persie. Em atenção ao pedido dos netos, o Galinho foi à Gávea acompanhar o treinamento dos holandeses e aproveitou para tietar o grande goleador do time. Como seus compatriotas, Van Persie tem um ar meio antipático de definir sua relação com o futebol. Transmite um certo enfado, como se julgasse tudo desinteressante. Esse esnobismo não é recente. A própria Laranja Mecânica de 1974 tinha essa postura marrenta. Cruyff e seus companheiros falavam de futebol sem dar a mesma importância que os demais boleiros.
Pode parecer menosprezo, mas é preciso aceitar o jeito holandês de lidar com futebol. Isso não explica porque o país conseguiu sempre se renovar, marcando presença expressiva em todos os mundiais nos últimos 40 anos. Acontece que os clubes têm um papel fundamental nessa evolução, revelando valores e repondo peças no escrete.
No auge da forma física e técnica, Persie e Robben sabem que esta pode ser sua última Copa, e estão agarrando a chance com unhas e dentes. Sempre foi dito que a Holanda marcharia até o topo quando tivesse um bom time, treinado para alcançar resultados. A equação parece ter sido resolvida desta vez e o estilo implacável de Robin Van Persie dentro da área tem muito a ver com isso. Legítimo sucessor de Bergkamp, marcou belos e decisivos gols, demonstrando fôlego para ir mais longe.

Costa Rica a um passo das quartas

Quando o campeonato começou, lembro que fizemos um programa especial na Rádio Clube analisando cada um dos oito grupos. Na minha intervenção, procurei eleger as seleções que vieram a passeio. Listei Austrália, Irã, Argélia, Grécia, Honduras, Coreia do Sul e Costa Rica como “turistas” da Copa. Acertei a maioria das apostas, mas quebrei a cara redondamente quanto a Argélia, Grécia e a impressionante Costa Rica.
As vitórias sobre Uruguai e Itália fizeram com que o até então desconhecido futebol do país passasse a ser olhado com respeito. Nomes como Brian Ruiz e Campbell passaram a ser comentados no mundo inteiro. Quando o time se classificou em primeiro lugar no chamado “grupo da morte”, digladiando com três campeões do mundo (Inglaterra, Itália e Uruguai), a façanha se tornou histórica.
Nunca antes na história dos mundiais um azarão tinha nocauteado tantas forças do futebol. O confronto contra a Grécia, hoje, permite que a Costa Rica alcance a inédita presença nas quartas de final. Depois das surpresas da primeira fase, os bravos centro-americanos se tornaram favoritos diante dos inventores da Olimpíada.
Que ninguém duvide mais deles.

Protesto contra o rigor da Fifa

Ainda a respeito da draconiana pena aplicada a Luis Suárez pela Fifa, o Luiz Carlos da Silva Seixas envia mensagem lamentando que o critério do comitê disciplinar da entidade prefira castigar a mordida, que não teve consequências mais sérias para o agredido, do que punir o festival de cotoveladas, voadoras, carrinhos criminosos, cabeçadas e outras modalidades de truculência tão em voga no futebol.
Luiz, que é capitão de longo curso da Marinha Mercante do Brasil, sugere que da próxima vez Suárez procure extravasar seus instintos primitivos aplicando um mata-leão ou um soco, pois não correria o risco de ser atingido por uma sentença “tão rigorosa, arbitrária, preconceituosa e covarde”.

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CLUBE NA COPA – Giuseppe Tommaso – 29.06.2014 A Bola no Bola – Giuseppe Tommaso – 29.06.14

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