PLANETA COPA: Gerson Nogueira – 02.07.14

2 de julho de 2014 at 6:32 pm Deixe um comentário

Torcida forte e intensa, time nem tanto

O mais interessante do jogo de ontem à tarde, no Arena Itaquerão, foi a barulhenta cantoria dos torcedores argentinos, sacaneando com o Brasil e louvando o papa Francisco, prometendo que Messi vai ganhar a Copa aqui dentro e – como de hábito – apregoando que Maradona é melhor que Pelé.

Zoação típica de torcedor, os gritos de provocação dos hermanos são bem ensaiadas e têm rima gostosa, ao contrário dos cânticos de guerra das “organizadas” brasileiras, que a cada verso incluem palavrões e ameaças de morte.

Não que os barra-bravas de lá sejam mais bonzinhos que os daqui, mas o fato é que a galera que veio para a Copa tem dado um show dentro dos estádios, empurrando o time de Alejandro Sabella e esbanjando bom humor.

Em campo, a história não foi tão festiva assim. Favorita desde sempre para a Copa 2014, a Argentina sofreu um bocado para superar a limitada e disciplinada Suíça. Com cinco jogadores na linha de defesa, a seleção europeia se concentrou primeiro em impedir os avanços de Messi, Lavezzi e Hinguaín.

Só não encontrou jeito de neutralizar Di Maria, que jogou solto por todos os quadrantes do gramado. Organizando a saída, ainda teve fôlego para ir ao ataque e criar as melhores alternativas de finalização. O problema é que os atacantes estavam pouco inspirados, chegando sempre atrasado e raramente acertando o gol.

Messi fez duas tentativas, sem maior perigo, e Higuaín só foi notado por um forte cabeceio no final do tempo normal. Lavezzi era o mais ativo, buscando a extrema esquerda e levando a marcação na base de muitos dribles. Apesar de seu esforço, as jogadas não tinham continuidade, permitindo que a zaga suíça se recompusesse e afastasse os cruzamentos mais agudos.

Os 90 minutos foram consumidos em tentativas de pouca eficácia, de parte a parte, com os suíços se limitando a manobras com o hábil Shaquiri. Não fosse pela solidão do atacante, a Suíça talvez tivesse melhor sorte, pois os defensores argentinos permitiram contra-ataques seguidos.

Na prorrogação, duas estratégias bem claras. A Suíça claramente jogando para gastar o tempo e esperar a cobrança de penalidades. A Argentina começa já em desespero evidente, partindo com tudo para cima, mas sem lucidez ou criatividade. Até Messi andou se irritando com os próprios erros e chegou a cometer falta que merecia uma advertência. Di Maria tenta de fora da área, mas o goleiro põe a escanteio.

Veio então o 13º minuto do segundo tempo e a Suíça foi desarmada no meio-campo. Di Maria avançou, tocou a Messi e este segurou a pelota, atraindo a atenção de três zagueiros. Com a bola colada ao pé esquerdo, o craque vislumbrou Di Maria entrando pela direita, livre, pronto a receber. E assim foi feito. No instante seguinte, tocou rasteiro, fora do alcance do bom goleiro Benaglio, fazendo explodir a maioria dos torcedores presentes ao estádio corintiano.

Mas o jogo ainda reservaria um momento de suspense para os hermanos, com direito a bola na trave aos 16 minutos e uma falta perigosa cobrada por Shaquiri no finalzinho. Um milagre? Talvez “são” Diego tenha a ver com isso, ou até mesmo o papa, que também foi lembrado no hino de vitória dos argentinos.

O triunfo faz esquecer as agruras, mas é evidente que Sabella ainda não conseguiu que seu time jogue com sincronia e seja de fato visto como um favorito. Tem sido beneficiado pelos espasmos de gênio de Messi e obviamente bafejado pela sorte – mais ou menos como o Brasil.

Os dois velhos rivais estão mais parecidos do que nunca.

Futebol não pode ter mistérios

Algo de esquisito está ocorrendo na Granja Comary. A crise existencial que ronda a Seleção Brasileira, explorada com exagero por alguns veículos da grande mídia, começa a ganhar mais importância do que questões realmente urgentes, como a substituição de Luiz Gustavo e os problemas de indefinição no ataque.

Em conversa com um grupo de jornalistas, na última segunda-feira, Felipão admitiu a existência de preocupações com o aspecto emocional do time, mas também avaliou que são atitudes normais, explicitadas de maneira mais forte em situações de pressão e cobrança.

Felipão deveria ter aproveitado para dizer que as manifestações públicas de tristeza ou apreensão de jogadores como Thiago Silva, Neymar e Julio César são acima de tudo humanas. É compreensível que a disputa de uma Copa dentro de casa, com obrigações tão claras, provoque tais reações nos jogadores.

Povo chorão por natureza, o brasileiro ficaria irreconhecível é se enfrentasse uma Copa do Mundo com aquele ar britânico de enfado. As lágrimas dos jogadores na execução do hino nacional não atrapalham e nem devem surpreender. Pelo contrário, são inteiramente previsíveis.

E já é hora de alguém atinar para o fato de que o Brasil não tem uma safra excepcional de jogadores, como no passado. Há um fora-de-série apenas no time. Neymar é tudo, arco e flecha, armador e finalizador. Às vezes, resolve. Outras vezes, não consegue. O sofrimento contra mexicanos e chilenos deve se repetir nas próximas jornadas, mas é parte do processo. Não há nenhuma seleção sobrando nesta Copa e este equilíbrio vai nos favorecer no fim das contas.

Velocidade belga e bravura ianque

Estados Unidos e Bélgica fizeram um dos mais empolgantes confrontos deste Mundial. Nos 90 minutos, os belgas foram incisivos e abusaram de perder chances. A maioria dos disparos de Hazard e seus jovens companheiros parou nas mãos do excelente Howard, que defendeu 16 bolas – um recorde nesta Copa.

Se o torneio organizado pelo Brasil merece a denominação de Copa das Copas o jogo de ontem em Salvador faz jus à condição de melhor jogo das oitavas de final. Vibrante, não deixou ninguém quieto nas arquibancadas. Era emoção a todo instante, principalmente nos 30 minutos de prorrogação, quando aconteceram os três gols.

A Bélgica avança, mas os Estados Unidos jogaram com uma vontade comovente. Tipo da derrota que dignifica um time.

Torneio confirma talento de jovens astros

James Rodriguez, artilheiro e melhor jogador da Copa na primeira fase, tem semelhanças interessantes com Neymar. Têm 22 anos, usam o número 10 na camisa e demonstram a mesma volúpia ofensiva.

Acontece que Rodriguez não era tão conhecido quanto o brasileiro antes da Copa, embora já tivesse sido protagonista de negociação milionária entre o FC Porto e o Monaco, seu clube atual. Depois dos gols marcados na Copa, ganha credenciais de novo astro do futebol mundial.

Outra diferença é que Rodriguez joga com a 10 e ocupa uma faixa de campo mais condizente com o número. É um meia-armador, que tem potencial ofensivo, mas que trabalha um pouco mais recuado que Neymar.

Algo que ninguém pode negar aos dois é a condição de craques indiscutíveis, que a Copa está se encarregando de confirmar.

Entry filed under: Uncategorized.

CLUBE NA COPA – Giuseppe Tommaso – 02.07.14 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 03.07.14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: