PLANETA COPA – Gerson Nogueira – 04.07.14

4 de julho de 2014 at 1:45 pm Deixe um comentário

Mais um emergente na rota do hexa

Há tempos que a torcida esperava por uma Copa no Brasil. Ela chegou e é uma das melhores de todos os tempos, indiscutivelmente. Pela festa e alegria que vem provocando em todo o país, o jogo de hoje tem tudo para ser a alavanca que faltava para a Seleção. Refiro-me àquele tipo de compromisso que marca a trajetória de uma equipe em Copas. O momento especial que estabelece a diferença entre os meros participantes e aquele time iluminado. Algumas vezes esse sinal não aparece, como em 2006 e 2010, mundiais opacos, com vencedores (Itália e Espanha) que não assombraram o mundo.
Em 2002, no entanto, o Brasil sinalizou que iria marchar para a conquista da taça na vitória sobre a Inglaterra, quando Ronaldinho Gaúcho mostrou suas qualidades e acabou expulso de campo. Naquela ocasião, ficou evidente que a seleção a ser batida era a brasileira e que dificilmente teria obstáculos dali em diante. Voltando um pouco mais no tempo, em 1994 o grande divisor de águas foi o jogo contra a Holanda, no qual Branco acertou aquele míssil de longo curso. Antes, em 1970, a partida emblemática foi o duelo tático e técnico com os ingleses, vencidos afinal pela habilidade de Tostão, a visão privilegiada de Pelé e a fúria de Jairzinho.
Desconfio, não mais que isso, que o Brasil marchará para o triunfo a partir desta jornada em Fortaleza. O time tem exibido vários problemas, o meio-de-campo clama por vida inteligente e Neymar vive isolado, reivindicando uma bola que chegue em boas condições. Sabe-se de tudo isso e que são situações aflitivas para a comissão técnica da Seleção, mas é preciso entender que uma Copa é conquistada passo a passo. Quero dizer que uma fase inicial trôpega, difícil e contestada não é garantia de uma campanha ruim no final.
O Brasil, que não engrenou até aqui, deixa a impressão de que precisa de uma vitória consagradora para resgatar de vez o espírito que conduziu a equipe na Copa das Confederações. Quis o destino que o adversário tenha por característica jogar e deixar jogar. A Colômbia de Peckermann não tem méritos, chegou até aqui por força de um futebol ofensivo e pragmático. Em comparação com outras seleções colombianas, a atual tem menos craque, mas é mais objetiva, não perde muito tempo com firulas e exibicionismos. Nunca um time colombiano chegou tão longe, com reais possibilidades de ir às semifinais de uma Copa. Deu a infelicidade apenas de encarar o Brasil, anfitrião do torneio e ávido por afirmação neste momento decisivo da competição.
Caso Neymar e Oscar sejam reaproximados, atuando mais próximo do meio para a frente, como já ocorreu contra a Croácia, crescem as possibilidades de um ataque mais consciente e insinuante. Depois do susto frente ao Chile, Felipão sabe que o Brasil não pode abdicar da força ofensiva e precisa resolver sua vida nos 90 minutos. Creio que essa nova postura ficará bem visível hoje à tarde no Castelão.

A lista inicial da Fifa

A Fifa resolveu inventar moda e decidiu eleger uma seleção da Copa com base nos jogos da primeira fase. Do Brasil apenas Tiago Silva e David Luiz estão na lista – sendo também o primeiro no ranking de notas do torneio. Outros nomes são mais ou menos óbvios levando em conta as atuações nas primeiras rodadas. O goleiro Bravo foi, sem dúvida, o melhor da fase inicial. Lahm, Robben, James Rodriguez e Di María também. Estranhei um pouco a presença de Benzema e as ausências de Messi e Neymar, mas é bom lembrar que é apenas a primeira avaliação, não a lista definitiva.
Depois dos jogos da etapa de abertura, vários outros jogadores se destacaram. São os casos de Howard, dos Estados Unidos, Pogba, da França, e Muller, da Alemanha. E outros certamente ainda irão brilhar nos jogos mais importantes do torneio, a partir de agora.

Sobre falsas e inúteis polêmicas

Esgotou todos os limites da paciência a falsa polêmica sobre a suposta fragilidade emocional da Seleção Brasileira, em face do choro de alguns jogadores durante a execução dos hinos e na hora das penalidades contra o Chile. Ora, o brasileiro é chorão desde muito antes do desembarque de Cabral e sua turma por aqui. O lado sentimental está cravado no DNA da raça, não há jeito. E muito me admira que se queira passar isso em revista justamente agora, em plena Copa das Copas, algo que mais parece uma tremenda forçada de barra para garantir polêmica nos programas esportivos da TV.
A coisa chegou ao cúmulo com os questionamentos quanto à permanência de Tiago Silva como capitão. Começando pelo fato de que capitães de times são mais ou menos como a Rainha da Inglaterra, não apitando praticamente nada e tendo um ou outro tipo de atenção maior por parte de alguns árbitros, deve-se observar que Tiago tem sido um capitão corretíssimo, sem nada que o desqualifique. Exerceu a função durante a vitoriosa Copa das Confederações e não lembro de qualquer crítica a respeito.
De minha parte, prefiro um capitão que chora do que aquele tipo de jogador metido a muralha inexpugnável, mas que desmoronam diante das situações de pressão mais forte. Ou alguém já esqueceu das explosões de fúria de Felipe Melo na Copa passada? Jogava com a faca nos dentes, olhos esbugalhados como a querer fuzilar visualmente os adversários. Um verdadeiro possesso. Pois deu no que deu.
Mil vezes a sensibilidade explícita do que a truculência desvairada. Tiago Silva tem uma história pessoal como a de tantos outros meninos pobres do Brasil. Foi salvo de uma infância de dificuldades e aperreios pelo talento para o futebol. Anos depois, já profissional e bem remunerado, contraiu tuberculose quando jogava no Dínamo de Moscou. Conseguiu se recuperar, chegou ao Milan, de onde se transferiu para o PSG. Por coincidência, foi capitão em todas essas equipes.
A questão é que quando as coisas começam a não dar certo em campo surgem as teorias mais estapafúrdias, invencionices de toda ordem e até superstições disfarçadas. Mais grave que qualquer hesitação de Tiago como capitão é, por exemplo, insistir com Hulk como opção séria para os problemas da Seleção. Quando alguém fala dos problemas emocionais do Brasil já sei que estou falando com um neófito no assunto bola. Futebol é algo muito mais simples do que esses fricotes fabricados.

Enfim, um grande clássico europeu

Quando pisar no gramado do Castelão hoje, o Brasil já saberá quem será o time classificado para as semifinais. França e Alemanha se enfrentam num duelo europeu de altíssimo nível na Arena Maracanã, às 13h. Batalhas inesquecíveis marcam o duelo entre as duas forças. Foi assim em 1954, 1982 e 1986, quando Platini e sua geração foram atropelados pela máquina alemã de Rummenigge, que depois iria ser destroçada na final pela Argentina de Maradona.
No embate de hoje, Muller de um lado e Benzema de outro concentram as atenções, mas os dois times se notabilizam pela força de conjunto. Por conta disso, não há favoritismo que possa se destacar.

Simpatia e festa nas ruas de Fortaleza

Fortaleza está sitiada. Tem torcedor em todos os cantos da cidade, a algazarra é compatível com a ansiedade e importância do jogo. Na orla, onde os torcedores estrangeiros costumam se concentrar, a animada galera colombiana demonstra crença cega no êxito do time de Cuadrado e Rodriguez, mas sem a barulheira que caracterizou a passagem dos mexicanos por aqui.
Aos que não compreendem o motivo que levou a Fifa a destinar dois jogos do Brasil na capital cearense, o clima e a receptividade da população se encarregam de responder. Fica apenas a expectativa quanto ao comportamento do torcedor nas arquibancadas do Castelão, pois no primeiro jogo a Seleção precisou e não contou com o apoio incondicional na hora do sufoco. Mexicanos cantaram mais alto. É a chance de uma forra em alto nível, contra os simpáticos colombianos.

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CLUBE NA COPA – Giuseppe Tommaso – 04.07.2014 PLANETA COPA: Gerson Nogueira – 05.07.14

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