PLANETA COPA: Gerson Nogueira – 05.07.14

5 de julho de 2014 at 5:32 pm Deixe um comentário

A dois passos do paraíso

Quando vi Neymar nocauteado, temi o pior. Fiquei mais apreensivo ainda quando ele saiu e Felipão botou seu predileto Henrique. Vi a situação quase fora de controle. O Brasil todo na defesa – com quatro zagueiros e quatro volantes em duas linhas – e permitindo o sufoco fácil. A Colômbia retomava a bola e avançava, sem bloqueio dos tais volantes. Foram duas ou três bolas rondando o gol, escanteios perigosos e tentativas dos ensaboados Cuadrado e James Rodriguez. Por isso, quando o espanhol trilou o apito, o país inteiro soltou aquele grito de “ufa!” que estava preso na garganta.
Pelo amor dos meus filhinhos, diria o gaiato do Sílvio Luiz. Que Copa, que sustos.
O Brasil mandou no jogo até os 15 minutos iniciais do segundo tempo. Uma hora de domínio evidente, insofismável. Nesse período, construiu a vitória, com gols de zagueiros. Tiago Silva fez o primeiro logo aos 6 minutos, escorando para as redes escanteio cobrado por Neymar. A partir do gol, as chances foram se repetindo. Cada investida brasileira criava um sobressalto na defesa colombiana.
A forte presença de Fernandinho na marcação, ajudado por Oscar, provocava erros constantes de passe pelos meio-campistas. Neymar, Hulk (duas vezes) e Oscar desperdiçaram oportunidades cristalinas. Excesso de afobação em alguns momentos, preciosismo em outros. A Colômbia ia se safando como podia, distribuindo alguns pontapés e tentando sobreviver no jogo.
Veio o segundo tempo e o argentino Jose Pekerman decidiu adiantar sua marcação, inserindo James Rodriguez e Cuadrado entre os beques brasileiros. Inicialmente até deu certo, mas nas duas primeiras bolas roubadas por Fernandinho e Paulinho surgiram contra-ataques poderosos. E faltas perto da área. Logo na segunda, David Luiz encaçapou, fazendo a torcida explodir no Castelão.
Parecia que tudo estava sacramentado. Ledo engano. Em minutos, a coisa virou por completo. O Brasil perdeu a briga no meio-de-campo, Rodriguez achou espaço e arrancava com a bola dominada para cima de Tiago Silva e David, sem que Paulinho e Fernandinho fizessem o bloqueio. Felipão resolveu tirar Hulk, sumido do jogo, botando Ramires em campo. Não adiantou muita coisa. O bom Rodriguez continuava levando desassossego à defensiva brasileira.
Até que Bacca foi lançado na área, entre Tiago e Julio César. Sem alternativa, o goleiro teve que derrubar o atacante. Pênalti que Rodriguez converteu em gol, criando um novo cenário no Castelão. Felipão recorre ao banco de novo e põe Hernanes no lugar de Paulinho. Três volantes em campo e os briosos colombianos em cima, buscando o empate.
Neymar levou uma joelhada nas costas, saiu de maca e o time se desmantelou de vez com a nova mexida de Felipão. Entrou Henrique, zagueirão que às vezes tira onda de volante. O bloqueio parecia estar recomposto. Que nada. Até o último minuto dos acréscimos a Colômbia impôs um cerco à saída de bola do Brasil, fazendo com que o torcedor ficasse em estado de angústia até o apito final.
Todo mundo sabia que o Brasil era superior e só precisaria se impor para ganhar. Fez isso muito bem até levar o gol. Aí, pela segunda vez seguida, o time se abalou e descuidou de cuidados básicos. Afrouxou a marcação e se meteu a dar chutões. Sob pressão, a pior das alternativas é ficar espanando bolas. O adversário cresce ainda mais e volta com cada vez mais força. A Colômbia fez isso e esteve perto de levar o jogo para a prorrogação.
Por outro lado, louve-se a luta e a disciplina de quase todo o time – até mesmo o quase invisível Fred. Todos se entregaram à marcação e ninguém teve medo de se jogar no chão para cortar jogadas. É um forte sinal de determinação, quesito fundamental em qualquer disputa esportiva.
Arrisquei o palpite de que ontem seria o jogo da arrancada brasileira para o título. Não foi. O primeiro tempo funcionou bem sob essa perspectiva, mas o segundo período voltou a mostrar uma Seleção insegura quanto às suas próprias forças. Contra a Alemanha, um adversário contra o qual o Brasil sempre jogou muito bem, será a última chance de confirmar minha teoria. Eu acredito.

Perdas e ganhos no setor de defesa

Uma notícia terrível marcou o jogo de ontem. O capitão Tiago Silva, esteio do sistema defensivo, levou o segundo cartão amarelo. Lance bobo, tentando atrapalhar o goleiro Ospina na cobrança de um tiro de meta. Sem ele, Felipão vai lançar Dante. Quis o destino que o zagueiro reserva conheça como poucos a seleção alemã, pois joga no Bayern de Munique. O lado preocupante é que o Brasil entrará sem sua zaga titular justamente em jogo tão importante da Copa.
Em contrapartida, o volante Luiz Gustavo reaparece, depois de cumprir suspensão. Com ele em campo, a marcação fica qualificada e os passes saem mais redondos para Neymar e Oscar, isto levando em consideração que o camisa 10 irá se recuperar da sarrafada feia que sofreu contra a Colômbia.

James sai da Copa, mas deixa sua marca

O jovem colombiano se comportou discretamente no primeiro tempo. Seu companheiro Cuadrado foi mais incisivo. No segundo tempo, porém, James Rodriguez mostrou porque está na seleção da Copa até agora. Chamou as principais jogadas para si e investiu sem medo para cima da forte zaga brasileira. Premiado com o pênalti, marcou seu sexto gol, superando a marca dos artilheiros de 2010. Ele ainda tem boas possibilidades de terminar como goleador da Copa, apesar de Muller, Messi, Neymar, Van Persie e Robben ainda permanecerem na luta.
A frustração estampada ao final da partida revelou o rosto juvenil do craque e deixou a certeza de que ele estará na Rússia daqui a quatro anos, provavelmente com muito mais recursos técnicos do que hoje. E talvez tendo um parceiro do quilate de Falcão García para atormentar as zagas inimigas.

Alemanha chega e a França sai por cima

Quem viu França e Alemanha no começo da tarde, duelando no Maracanã, teve a visão mais aproximada possível do que é o futebol europeu de hoje. Marcação incansável concentrada no meio-de-campo, zagueiros rebatedores e jovens atacantes à espreita de um cochilo do adversário. Quis o destino que logo no comecinho a Alemanha encontrasse o caminho do gol, em cruzamento que a zaga francesa marcou com lentidão.
Depois disso, o equilíbrio se instalou no jogo, com oportunidades para os dois lados. Antes, um toque deslocou Klose na área francesa, mas o árbitro mandou seguir a jogada. Em estocadas de Valbuena e Benzema, a esquadra francesa ameaçou chegar no final do primeiro tempo. No segundo tempo, explorando um aparente cansaço alemão, a França se posicionou mais à frente e seguidamente rondou a área, sem conseguir aprofundar as jogadas.
Com a astúcia habitual, a Alemanha administrou as ações e está outra vez nas semifinais (é sua 13ª) e confirma a tradição copeira, mas, como lembrou bem um leitor da coluna, parece pouca taça para muita chegada. Méritos para o trabalho de renovação iniciado para a Copa de 2006. Os frutos se revelaram oito anos depois.
Já a França, mesmo eliminada, deixa no ar a certeza de que Didier Deschamps armou um time de qualidade, mesmo sem o craque Frank Ribèry. Ninguém apostava um franco furado na seleção recheada de garotos, mas eles chegaram muito além do esperado. Bela campanha.

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