Planeta Copa – Gerson Nogueira – 12.07.14

12 de julho de 2014 at 8:53 pm Deixe um comentário

CBF quer prestigiar
comando da Seleção

Mais do que as prováveis mudanças que a Seleção terá para o jogo de hoje contra a Holanda, valendo o terceiro lugar da Copa do Mundo, o que quase todo mundo quer saber mesmo é como fica o comando do escrete depois do torneio. Até anteontem, falava-se na saída iminente de Felipão. Aos poucos, porém, a ideia de mudança começou a abrir espaço para bombeiros influentes que estariam a fim de manter a atual comissão técnica.
A tese ganhou corpo e começa a ser assimilada por parte da mídia esportiva. A avaliação dentro da CBF (leia-se: o futuro presidente Marco Polo Del Nero) é de que a poeira da chinelada de 7 a 1 logo irá baixar e será possível definir tudo com mais “maturidade” e sem pressa.
Em caso de confirmação, será um tremendo erro de avaliação. O torcedor sabe que o placar do jogo, mesmo que seja infelizmente inesquecível, é o que há de menos problemático na Seleção.
O que realmente preocupa a todo mundo a essa altura é a situação de marasmo do futebol brasileiro, evidenciada pelo fracasso da Seleção na Copa e espelhada na situação geral dos clubes, que perderam força diante dos adversários sul-americanos e estão fora da fase decisiva da Taça Libertadores, principal torneio continental.
A permanência de Felipão e sua equipe representará a renúncia a um projeto de resgate do prestígio do Brasil no futebol. Técnico vitorioso até a pisada de bola nesta Copa, o gaúcho há muito tempo se revelou um profissional mais afeito à motivação do que a conhecimentos táticos. Jamais se notabilizou pela capacidade de mudar o desenho de um time em campo. Pelo contrário, seus times são quase robóticos, jogam sempre de um mesmo jeito.
Quando o Brasil levou em sequência cinco gols alemães na semifinal, muita gente questionou os motivos que fizeram Felipão permanecer indiferente ao desastre, esperando o intervalo para fazer as burocráticas substituições. Quem acompanha sua carreira sabe que não há histórico de mudanças no calor do jogo, nem mexidas que alteraram o ritmo de suas equipes.
Felipão é isso aí mesmo e foi chamado, sob aplausos gerais, porque todos lembravam do que havia feito em 2002. É preciso ver que naquela ocasião o Brasil tinha três craques – Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho – em grande forma. Isto faz uma brutal diferença e Felipão, tendo o suporte desses jogadores, pôde se dar ao luxo de usar até figuras inexpressivas como coadjuvantes, casos de Kléberson e Roque Júnior.
Para a hipótese de Felipão sair, restam pouquíssimas alternativas no mercado brasileiro de técnicos. Tite, também cogitado, é da mesma escola gaúcha, que prioriza o jogo bruto, a marcação forte e o contra-ataque. Mano Menezes já teve sua vez e fracassou. Muricy, apesar de não serem gaúchos, conseguem ser tão conservadores quanto os três citados anteriormente. Vanderlei Luxemburgo, que sempre cultuou esquemas ofensivos, está em baixa, vivendo um período declinante na carreira. O técnico campeão brasileiro, Marcelo Oliveira (Cruzeiro), podia ser uma alternativa real de renovação, mas carece de padrinhos de peso.
O momento seria apropriado para inaugurar uma experiência internacional no comando da Seleção, como já fizeram vários países, com sucesso. Pep Guardiola, que se interessou vivamente pela possibilidade de dirigir o Brasil na Copa, seria um nome interessante, pela inventividade e afeição pelo jogo bonito. Não por acaso, seu Barcelona quase imbatível era inspirado em craques brasileiros do passado.
Mas, como qualquer menção a craques e ao passado parece provocar alergia nos dirigentes da CBF, é improvável que a Seleção seja entregue a um estrangeiro. A não ser que novo fiasco nas eliminatórias para a próxima Copa torne a situação insustentável. Desde já, uma bela chance de reforma desperdiçada.

O jogo mais sem-graça de todos

Disputa de terceiro lugar de Copa do Mundo só desperta o interesse quando envolve times emergentes, que anseiam por uma chance de ganhar visibilidade internacional. Quando os duelistas são seleções de prestígio e bem posicionadas no ranking da Fifa a festa perde o sentido. Se perguntarem a jogadores e treinadores quanto à utilidade desse jogo extra, será quase unânime a desaprovação.
Holanda e Brasil terão que fazer o sacrifício de se enfrentar hoje, no Mané Garrincha, em Brasília, mas se pudessem abririam mão desse compromisso. Os holandeses chegaram a admitir esse desinteresse pelo jogo.
Do Brasil não se pode esperar muita empolgação, depois da traumática queda na semifinal. Felipão disse ontem que psicologicamente o time já está 75% recuperado do massacre, seja lá o que isso signifique. Mas é certo que bem mais do que os holandeses, que foram eliminados em confronto duríssimo decidido nos pênaltis, os brasileiros têm motivos de sobra para quererem estar longe desse novo embate decisivo.
Desestimulados, os jogadores mal disfarçavam o tédio nos últimos treinos realizados em Teresópolis. Felipão devia aproveitar para prestigiar alguns suplentes, que não tiveram oportunidades na Copa do Mundo, para lançar um time mais leve: Jefferson; Daniel Alves, Tiago Silva, David Luiz e Maxwell; Hernanes, Paulinho, Willian e Oscar; Bernard e Jô.
É lógico que isso não vai acontecer porque mais do que nunca a comissão técnica teme a repetição de uma goleada na despedida da Seleção.

Brazuca termina Copa como campeã

Ao contrário do desafortunado e quase esquecido Fuleco, o tatu-bola que serviu de mascote para o mundial, a bola Brazuca termina a competição em alta. Superou em qualidade sua antecessora Jabulani, que foi duramente criticada por goleiros e atacantes na Copa da África do Sul porque fazias curvas inesperadas e era considerada muito leve. Para não correr riscos, a fabricante Adidas se cercou de cuidados. Testou a Brazuca durante dois anos por 16 times, em situações completamente diversas, chegando ao modelo que foi trazido para a disputa do mundial.
Ao longo da Copa, os jogadores não fizeram qualquer reparo em relação à Brazuca e alguns chegaram a afirmar que é a melhor bola já fabricada. Em contrapartida, o mascote Fuleco já registra um encalhe considerável de bonecos em miniatura.

Aos berros, argentinos dominam a cena

No Rio de Janeiro, que ainda mantém bandeiras brasileiras nas janelas de todos os prédios, as manifestações das torcidas finalistas variam muito de intensidade. Em Copacabana e Ipanema, locais de maior concentração de turistas, a presença argentina é avassaladora. Eles estão em toda parte, perambulando de um lado a outro, fazendo rodas para cantar e tocar violão, e até se arriscando a jogar futevôlei na areia da praia. Tudo aos gritos.
De vez em quando, irrompe a musiquinha (que era originalmente de provocação da galera do Boca à do River Plate) infame a dizer que Maradona é melhor do que Pelé, relembrar o gol de Canniggia na Copa de 1990 e perguntar, provocadoramente, “diz Brasil o que sentes por receber o teu papai?”. Pois é, argentinos se acham nossos pais no futebol e olha que ganharam mal e porcamente duas Copas, uma delas vencida meio na marra, sob a ditadura do general Jorge Rafael Videla.
Agora, num exercício de futurologia, imaginemos que eles amanhã derrotem os alemães e conquistem seu terceiro título mundial. Não tenho dúvida que nunca mais o torcedor brasileiro terá sossego na vida, pois os hermanos são especialistas na arte de provocar e debochar. Fazem na cara dura mesmo, embora sempre deixem no ar uma simpatia pelo país de Pelé, particularmente pela beleza do Rio de Janeiro.
Os alemães, em número menor, são mais discretos, evitando comemorações efusivas. É claro que com esse comportamento atraem mais a simpatia dos brasileiros, principalmente junto à torcida do Flamengo pelo uso da camisa rubro-negra – que eles decidiram trocar pela tradicional branca na decisão de amanhã.
Ao lado dos companheiros da Rádio Clube, acompanhei de perto essa movimentação nos últimos dois dias, registrando o que se passava nos principais pontos turísticos cariocas e em torno do Maracanã. Em meio a tudo isso, não podemos negar o sentimento de inveja dos finalistas. Fazer uma Copa e não participar da festa final é como preparar uma festa e ser proibido de entrar na hora mais animada.

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