Coluna do Gerson Nogueira – 30.07.14

30 de julho de 2014 at 3:18 pm Deixe um comentário

O triunfo da competência

A vitória acachapante por 4 a 0 na votação da Comissão Disciplinar permite ao Papão acreditar que não haverá reforma de decisão pelo Pleno do STJD. Portanto, comemorar o título da Copa Verde (e a vaga à Sul-Americana 2015) não constitui euforia exagerada por parte dos torcedores, mas respeito à própria tradição do tribunal. Pelo histórico, uma votação unânime raramente é revertida no julgamento de mérito.

De novo, em destaque máximo, o trabalho competente do departamento jurídico do clube, que tem à frente o advogado Alberto Maia. Foi dele a luta (que resultou triunfante) pelos pontos contra o Naviraiense, na Copa do Brasil 2013. A atenção a detalhes, com vigilância aos limites impostos pela legislação esportiva, mostra-se outra vez decisiva numa competição importante.

Os documentos arrolados pelo Papão, confirmando a irregularidade cometida pelo Brasília ao escalar quatro atletas não registrados no BID, juntaram-se à argumentação de Maia no julgamento de anteontem, formando um conjunto considerado irretocável pelos presentes à sessão do STJD.

O Brasília, que desdenhou inicialmente das reclamações do Papão na seara jurídica, chegando a zombar dos dirigentes paraenses, exibe agora um tom mais contido até mesmo na pretensão de recorrer da decisão inicial que lhe retirou o título da Copa Verde.

As críticas de seus dirigentes já se concentram no suposto erro cometido pela CBF, que alegou uma falha em seu sistema de informática para não ter incluído os atletas no BID antes da decisão do torneio.

A questão é que o tribunal avalia que, segundo o regulamento da competição, há a obrigatoriedade de registro no BID dos atletas que participam de jogos oficiais. Sem isso, todas as demais competições ficariam sob o risco de questionamentos jurídicos.

O fato é que, para recuperar no tribunal a taça que lhe fugiu por detalhes (erros na cobrança de penalidades) em campo, o Papão se cercou das garantias e provas, colhendo agora os frutos do trabalho meticuloso. Se alguém errou nessa história foi o Brasília ou a própria CBF, useira e vezeira em patrocinar deslizes que terminam por tumultuar campeonatos e colocar em descrédito o próprio futebol.

No domingo mesmo, um erro da entidade quase determinou punição ao Botafogo, cujos jogadores Emerson e Edilson não tinham seus nomes inscritos no BID, apesar de aptos a jogar.

Problemas de Vica começam no gol

A vitória no tapetão entusiasma o torcedor, mas não alivia a barra de Vica no comando do Papão. Com oito pontos na classificação da Série C, a um passo da zona da morte, o time precisa reagir diante do Crac. Nas redes sociais, em meio aos festejos pela Copa Verde, o torcedor já manifesta impaciência com a rota tortuosa que o Papão cumpre na Terceirona.

Um dos motivos de maior irritação em relação às escalações de Vica é a insistência com o goleiro Douglas, que tomou nove gols nos três jogos, embora não tenha sido o único responsável pelas três derrotas – longe disso. O problema é que o olho do torcedor é impiedoso: goleiro que toma muito gol cai logo em desgraça, ainda mais quando não inspira confiança.

Os insistentes apelos pela volta de Paulo Rafael devem ter chegado aos ouvidos de Vica, mas os treinos deste começo de semana indicam que Douglas segue como titular.

Um clube entregue ao desmando

Gestões desastrosas (e criminosas) fazem do Botafogo hoje um dos clubes mais endividados do Brasil. Deve cerca de R$ 700 milhões, sendo que a metade é referente a débitos fiscais. Há quem deva até mais (Flamengo e Atlético-MG), mas vou me ater ao clube da Estrela Solitária. Sob a destrambelhada administração do dentista Maurício Assunção, o Alvinegro acrescentou ainda mais perdas financeiras e pendências com a Justiça.

Como sonegou R$ 95 milhões nos últimos quatro anos, o Botafogo perdeu crédito na praça e teve sua receita bloqueada. Na reunião dos dirigentes de clubes com a presidente Dilma, no Palácio do Planalto, Assunção teve a pachorra de dizer que o Botafogo podia sair do Campeonato Brasileiro. Um gesto teatral para tentar conseguir anistia ou parcelamento das muitas dívidas.

Domingo, antes do clássico com o Flamengo no Maracanã, o desfecho constrangedor: os jogadores entraram em campo com uma faixa de protesto por salários e gratificações em atraso, desnudando ao mundo a incompetência da cartolagem botafoguense e derrubando a farsa do falso moderno Assunção.

O mais triste dessa situação é que o Botafogo, ao contrário do Galo, por exemplo, acumulou toda essa montanha de dívidas sem ostentar uma contrapartida de títulos e conquistas que ao menos justificasse o prejuízo.

Nos últimos anos, só conseguiu triunfar no esvaziado Campeonato Carioca. Significa que, seguramente, boa parte dessa dinheirama foi irrigar os bolsos de muita gente graúda no clube. Como, aliás, ocorre normalmente em dezenas de clubes brazucas.

O futebol não é para amadores

Dona Fifa ainda não anunciou oficialmente, mas já se informa que faturou cerca de R$ 10 bilhões com a Copa das Copas, cerca de R$ 6,5 bilhões a mais que na África do Sul há quatro anos.

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