Coluna do Gerson Nogueira – 04.08.14

4 de agosto de 2014 at 4:11 pm Deixe um comentário

Um jejum muito incômodo

E Vica chegou ao quinto jogo consecutivo sem vitória. Um retrospecto desanimador para um técnico que chegou com boas referências e a fama de recuperar times combalidos. Até aqui não tem dado certo. É visível que o trem do Papão descarrilou por completo depois da pausa da Copa do Mundo.

Não consegue repetir nem as atuações pré-Copa, ainda sob o comando de Mazola Júnior. É verdade que as performances do time não eram nada extraordinárias. Havia muita marcação e uso mais efetivo dos contra-ataques, mas em geral a equipe também evidenciava fragilidades.

O problema é que depois da chegada de Vica o time só exibe as fraquezas. A defesa caiu assustadoramente, embora a ausência de João Paulo também possa ser a causa da queda de rendimento de Charles, que foi a grande figura individual do time durante o primeiro semestre.

Na meia cancha, as limitações ficam ainda mais expostas. Ao contrário do técnico anterior, Vica resolveu ser mais ousado, escalando dois volantes e dois armadores. Sua intenção era dar ao Papão uma ofensividade que fosse capaz de recuperar os pontos desperdiçados no começo da competição.

Sua aposta acabou redundando em fracasso, pois sua zaga ficou mais desprotegida e o ataque não se beneficiou da dupla de meias. Um dos motivos para esse desacerto é o mau posicionamento de Pikachu, que Vica insiste em usar como meia-atacante.

O outro problema, mais antigo, é a falta de um meia-armador de verdade. Desde que Eduardo Ramos passou pelo clube em 2013, o Papão nunca mais teve um camisa 10 de ofício. Tem improvisado bastante, sem chegar a nenhum lugar. Marcos Paraná e Rafael Tavares têm se revezado nesse papel, mas não funcionam da maneira que o meio-campo precisa.

Na partida de ontem, em Castanhal, o time parecia travado, como a reverberar as reclamações públicas de seu técnico quanto ao descompromisso de vários jogadores. Não precisa ser profeta para imaginar que as broncas de Vica iriam se refletir no ânimo do time.

Os jogadores correram, se empenharam, mas faltou aquela chama necessária para transformar intenção em resultado. O placar de 0 a 0 espelhou essa realidade. Nos primeiros movimentos, o Crac chegou a ser até mais insinuante, arriscando chutes de média e longa distância.

Fraco do ponto de vista técnico, o jogo também se ressentiu da ausência do torcedor, detalhe muito mais prejudicial ao Papão do que aos visitantes. O segundo tempo mostrou a equipe mais empenhada e concentrada em buscar o gol, mas com falhas terríveis de finalização.

Nada de novo em relação ao que o Papão de Vica tem mostrado na Série C. A semana de preparação para o confronto com o Águia em Marabá promete ter desdobramentos da crise que começou a despontar com as quatro derrotas fora de casa. A situação é grave, mas exige equilíbrio por parte dos responsáveis pelo futebol do clube.

Uma vitória tranquilizadora

O Remo foi a Porto Nacional (TO) e arrancou uma vitória importantíssima. Além do fato de que os clubes paraenses raramente conseguem vencer fora de casa, o triunfo põe o Leão de novo na linha de frente de seu grupo, brigando diretamente pela classificação.

A jogada que resultou no cabeceio de Max para as redes aos 10 minutos do primeiro tempo foi a terceira tentativa do Remo no jogo. Revela a disposição dos azulinos de alcançarem a vitória, objetivo que havia sido anunciado desde o tropeço contra o River, em Teresina.

Com Reis e Tiago Potiguar movimentando-se como alimentadores do ataque, o time pressionava bem, mas falhava nas indefinições do comando do ataque, onde Rafael Paty e Leandro Cearense não conseguiam se posicionar corretamente.

A vantagem estabelecida no começo deu mais tranquilidade à equipe, embora o Interporto tentasse em avanços de Balu e jogadas tramadas por Gian Carlo no meio. Desta vez, porém, a linha de defensores do Remo mostrou firmeza, não permitindo chances para os atacantes adversários.

Na etapa final, o gol de Rafael Paty logo de cara foi fundamental para garantir a vitória. Mesmo muito pressionado nos vinte minutos finais, o Remo resistiu e manteve a vantagem, apesar do gol de Hélder, aos 43 minutos.

Com o resultado, os azulinos passam a ter um novo cenário nesta fase da Série D. Com mais três partidas a cumprir em casa, aumentam bastante as possibilidades de classificação.

Águia se mantém no rabo da fila

Apesar de previsível, pelo histórico recente da equipe na Série C, a derrota do Águia confirmou as instabilidades reinantes no time. A vitória na rodada passada sobre o Cuiabá havia dado a esperança de uma recuperação, mas ontem a equipe repetiu os mesmos problemas de marcação, permitindo ao Botafogo-PB uma vitória relativamente cômoda.

O inquietante décimo lugar na tabela deixa o Águia em situação desesperadora, na iminência de rebaixamento por antecipação. Dentro desse quadro, o jogo contra o Papão no próximo fim de semana adquire contornos dramáticos – para ambos.

O sol por testemunha

Já havia ouvido todo tipo de desculpa de técnicos e jogadores por uma derrota. Em geral, culpam a arbitragem. Quando não há jeito, botam a responsabilidade na bola e até nas chuteiras – como fez o saudoso Giba certa vez no Remo.

O Flamengo inventou uma nova justificativa. A luz do sol. Segundo o “pofexô” Luxemburgo, amparado por imagens repetidas no Fantástico, a culpa de mais um vexame foi totalmente do astro-rei. O reflexo no rosto do goleiro rubro-negro teria levado ao gol da Chapecoense.

Que a luz também possa iluminar o conturbado ambiente da Gávea, a tempo de evitar um inédito rebaixamento, cada vez mais esboçado pela insistente vocação para lanterna neste campeonato.

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