Coluna do Gerson Nogueira – 11.08.14

11 de agosto de 2014 at 11:48 am Deixe um comentário

Empate à altura das limitações

Os relatos dos amigos da Rádio Clube presentes ao Zinho Oliveira indicam que foi um jogo bem animado, com esforço dos times e ataques constantes dos dois lados. Não se está falando aqui de qualidade técnica, que é artigo em extinção no país do futebol. O Pará e sua atual pindaíba apenas se junta ao quadro nacional de indigência boleira.

Como a Série C nunca teve pretensões maiores quanto a dar espetáculo, o confronto paraense não tinha mesmo que ser esplendoroso. Os dois times buscavam vencer em função da precária situação na tabela. E, desgraçadamente, o placar final foi o que menos servia a ambos. Um empate puxa Papão e Águia para baixo, permitindo que os demais adversários se distanciem.

No desespero, o Papão lançou três novatos: Raul, que apareceu bem no primeiro tempo, armando jogadas; Romulo, mais ou menos, como centroavante; e Fernando Lombardi, que ao longo de boa parte do confronto fez boa parelha com Charles.

Ocorre que o time precisa vencer, acumular pontos e levantar o astral, daí certa afobação inicial. Quis o destino que o gol de abertura fosse de Héverton, um renegado na Curuzu, que esteve a pique de ser liberado na semana passada. O Águia era melhor e mais agressivo quando sofreu o gol, mas caiu de rendimento quando ficou em desvantagem.

No lance fatal, Héverton aproveitou um cochilo da zaga marabaense em escanteio batido por Raul e estufou as redes. A jogada aconteceu logo depois da parada técnica, quando a marcação nas entradas de áreas se mostrava feroz.

Com a confusão que se estabeleceu no sistema defensivo do Águia, o Papão desfrutou de chances seguidas, desperdiçadas por Rômulo, Pikachu e o próprio Héverton. Do outro lado, Charles e Lombardi cumpriam atuação correta, não permitindo maiores liberdades a Danilo Galvão e Aleílson. Até Douglas, tão criticado, mostrava-se atento e ágil na saída para interceptar os seguidos cruzamentos.

Veio o segundo tempo e a confirmação de que os bicolores dormiram no ponto, deixando de aproveitar os bons momentos da etapa inicial. O Águia entrou com tudo, disposto a descontar logo no começo. Insistiu bastante até que conseguiu, depois de lance confuso na grande área do Papão. Esdras arrematou para as redes, aos 14 minutos.

Depois da igualdade, os dois lados buscaram de todas as formas chegar ao gol da vitória, com mais presença do Águia, embora o Paissandu aproveitasse os contra-ataques e quase tenha desempatado no último minuto.

A sentença na cabeça do torcedor estava pronta. Um novo tropeço significaria a condenação sumária do técnico Vica. As reações de impaciência por parte do torcedor, lá mesmo no estádio Zinho Oliveira, indicavam que o ciclo estava terminando.

Sem vencer desde que assumiu a equipe, Vica não teria como argumentar. A lógica fria das coisas impõe que saia. A dúvida é saber agora se as coisas se ajeitam ou pioram ainda mais. A conferir.

Leão supera etíopes em amistoso

Em seu 76º amistoso internacional, o Remo manteve o bom histórico e conseguiu derrotar a seleção da Etiópia, ontem à tarde, no estádio Evandro Almeida. O estreante Alvinho fez o único gol do amistoso, no segundo tempo, e deu sinais de que pode vir a brigar por um lugar no time que disputa a Série D.

Como de praxe nessas ocasiões, o jogo serviu para várias mudanças no time, por parte do técnico Roberto Fernandes, e serviu para manter o elenco em atividade.

Na contramão da história

Depois da Copa das Copas, os jogos da Série A do Campeonato Brasileiro se desenrolam quase que no piloto automático, sem encantar ninguém e atraindo cada vez menos torcedores aos estádios. Pior ainda é o comportamento dos jogadores, aparentemente empenhados apenas em ludibriar os árbitros, com aquela malandragem fora de época e que não leva a lugar nenhum.

Em São Paulo, no clássico Corinthians e Santos, boa parte do primeiro tempo foi perdida com paralisações forçadas. Santistas e corintianos competiam para ver quem caía mais, em atuações teatrais de quinta categoria. Sob a complacência do trio de arbitragem, que acabou ignorando lances grosseiros e de franca agressão ao espírito do jogo.

O Brasil que levou de 7 a 1 da Alemanha há pouco mais de um mês não entendeu a mensagem. Os principais artistas do espetáculo estão com a cabeça longe da verdadeira essência do futebol, em descompasso gritante com o que se passa nos outros países do mundo.

Enquanto a principal competição nacional virou um festival de faltas e simulações, amistosos entre grandes clubes europeus mostram entrega e dedicação por parte de todos os atletas. Eles sabem que é o momento precioso de ajustar a equipe, assimilar as orientações técnicas e acertar o pé.

Por isso mesmo, alguns jogos entre times ingleses, alemães e italianos têm se mostrado mais aguerridos e competitivos do que as sonolentas partidas disputadas na Série A brasileira.

Alguma coisa continua fora de ordem.

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