Coluna do Gerson Nogueira – 12.08.14

12 de agosto de 2014 at 1:46 pm Deixe um comentário

Chance de novo recomeço

E Mazola Jr. volta à Curuzu menos de dois meses depois de ter saído. Fiz a previsão, baseado na mania de nossos clubes darem voltas em torno do próprio rabo, de que ele estaria por aqui novamente num prazo que ia de três a seis meses. Quebrei a cara. O Papão foi mais rápido, demitindo Vica e recontratando o técnico que saiu em junho.

À parte o fato de que nossos clubes se pautam por gestões absolutamente sem critério ou lógica, a opção por Mazola é a mais sensata de todas. Ninguém conhece melhor o elenco do Papão e certamente poucos conseguiriam extrair desse limitado grupo de atletas os resultados que ele alcançou no primeiro semestre.

Escrevi sobre isso inúmeras vezes aqui, falei na Rádio Clube, escrevi no blog e tive a oportunidade de dizer ao próprio Mazola no ar, durante Cartaz Esportivo da Rádio Clube, cerca de três semanas antes de sua despedida.

O trabalho de Mazola só não atingiu o sucesso pleno por ter fracassado nas decisões em que se envolveu. Na Copa Verde, foi atropelado pelo erro primário de Lima na cobrança das penalidades quando as chances de vitória eram bem favoráveis ao Papão. No Parazão, acabou vítima da própria incontinência verbal. Exagerou na valorização de um tal “sistema”, que nunca esclareceu devidamente, e involuntariamente inflou os brios do maior rival.

Além disso, cometeu o pecado de esbarrar em diretores do clube, fato que gerou atritos determinantes para tirar sua tranquilidade na Curuzu. Que esses desentendimentos estejam superados é o mínimo que se espera neste momento de recomeço do trabalho.

Sabe-se que o elenco, apesar das palavras iniciais do próprio Mazola elogiando as contratações feitas na sua ausência, perdeu força de ataque com a saída do artilheiro Lima. Mais que isso: enfraqueceu-se com a má fase de Pikachu, segundo goleador da equipe na temporada.

Caberá ao técnico juntar as peças, reavaliar a produção dos atletas e buscar alcançar o mesmo nível da fase pré-Copa do Mundo. Apesar de ser um objetivo plenamente possível, a missão será das mais desafiadoras.

Contribuição não reconhecida

Colaborador voluntário do Papão durante anos, o professor Evaldo José faz detalhada narrativa em mensagem à coluna, lamentando que seus conhecimentos profissionais tenham sido deixados de lado pelo clube em momento de crise no futebol, com resultados pífios na Série C. Faz a ressalva de que o trabalho de Mazola Jr. no primeiro semestre superou expectativas, chegando a participar de quatro competições e mantendo o time como um dos mais ofensivos do país.

Evaldo recorda que, em 2012, por ocasião da definição do acesso à Série B contra o Macaé-RJ, pediu permissão ao técnico Lecheva e ministrou palestra motivacional aos atletas. O professor destacou, na ocasião, temas como “a conscientização de honrar as cores de um clube como o Papão”, “a importância de saber vencer ou perder” e “conduta diante da arbitragem em momentos de tensão no jogo”. Depois de tudo, ele diz não ter sido procurado nem ao menos para um “muito obrigado” pela contribuição.

Cita, ainda, a quebra do tabu em jogos fora de casa, no ano passado, com a vitória sobre o América-MG em Belo Horizonte. Antes da partida, com aval do técnico Wagner Benazzi, Evaldo voltou a fazer uma palestra de 20 minutos ao elenco. “Porém, dessa vez, não é que eu não consegui nenhum muito obrigado (após a vitória), mas o ‘ataque, pelas costas’ foi pior. O Paysandu ainda iria encarar seis adversários e se eu viesse a trabalhar em pelo menos mais um confronto, não teria descido a ladeira e rebaixado. A ingratidão falou mais alto, mais uma vez, e deu no que deu, e está dando”.

O professor lamenta, ainda, que Mazola Jr. não tenha concordado com sua participação na fase de preparação dos atletas. Evaldo atribui a essa negativa o insucesso do Papão nas duas finais disputadas sob o comando de Mazola, o Parazão e a Copa Verde. “Gostaria de contar um pouco dessa história, pois os torcedores não têm a dimensão do que acontece com quem, mesmo se empenhando em ser um torcedor que não invade campo e nem atira nada para o gramado, não tem o reconhecimento devido”, finaliza.

Ainda sobre as gangues organizadas

Outra mensagem das mais oportunas é a do amigo José Maria Barbalho, bicolor de quatro costados, referindo-se à coluna de alguns dias atrás na qual abordo o sempre recorrente aleijão das gangues organizadas. “Sobre as torcidas que afastam os verdadeiros torcedores dos estádios, concordo plenamente com as tuas colocações, e digo mais: um conhecido meu, que participou da diretoria passada do Paysandu, quando interrogado por mim porque a diretoria não cortava as vantagens oferecidas, ele respondeu que, no dia em que fizerem isso, dirigentes e familiares pagarão muito caro”, observa.

Segundo ele, as ameaças são constantes e sempre que entra uma nova diretoria os dirigentes são logo lembrados sobre as intimidações que pairam sobre as suas cabeças e de suas famílias, caso medidas contra essas ‘torcidas’ forem tomadas. “Não é novidade pra ninguém que as diretorias de Remo e Paysandu se ‘pelam’ de medo das principais e mais violentas facções. Não tenho bola de cristal, mas já estou visualizando atitudes violentas em caso de eventual rebaixamento para a Série D”, arremata o amigo e leitor, coberto de razão, infelizmente.

Um pequeno sopro de liberdade

A pequena revolução iniciada por Levir Culpi no Atlético Mineiro, liberando os atletas do regime de concentração, acena para novos tempos nas relações trabalhistas no futebol. Experiente e sem meias palavras, Levir convenceu o presidente Elias Kalil a endossar a iniciativa. Vem dando certo, embora ainda sob eventuais ataques da cartolagem do clube e de setores da própria imprensa mineira.

Levir não está descobrindo a pólvora. Reedita o que a seleção da Holanda já fazia em 1974, sob o comando de Rinus Michels. Agora mesmo, por ocasião da recente Copa do Mundo, Louis Van Gaal manteve esse procedimento, com excelentes resultados.

No Brasil, o único registro anterior é o da Democracia Corintiana, que sob a liderança e inspiração de Sócrates revolucionou por dois anos o carregado ambiente dos clubes no Brasil. Durou pouco, mas deixou marcas, como prova o gesto de Levir no Galo.

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