Coluna do Gerson Nogueira – 21.08.14

21 de agosto de 2014 at 2:28 pm Deixe um comentário

Outra revelação descartada

A decisão pegou quase todo mundo de surpresa pela esquisitice e ausência de bons motivos. O Remo anunciou anteontem a dispensa de um de seus mais promissores zagueiros. Desde Raul, que também não teve vida tranquila no clube, as divisões de base azulinas não produziam um beque de bons recursos como Igor João. Assim de supetão, alguém da diretoria ou da comissão técnica decidiu se livrar do jogador e ele foi descartado. Sem mais, nem menos.

Como ocorre com tantas outras revelações, o torcedor teve poucas oportunidades de ver Igor João jogar pelo time principal do Remo. Depois de dedicar mais de cinco anos ao clube, ele foi escalado apenas algumas vezes, em situações de emergência e aperreio, mas raramente começou partidas como titular da zaga.

Mas, por coincidência, foi com Igor João na zaga que o Remo garantiu o título estadual da temporada. Isso ocorreu no primeiro Re-Pa da decisão do Parazão, vencido pelos azulinos por 4 a 1. Na ocasião, o técnico Roberto Fernandes viu-se forçado a lançar oito reservas para suprir a ausência de jogadores contundidos e suspensos.

Igor João ficou incumbido de comandar a defensiva. E deu conta do recado. Ao lado de Yan, também oriundo da base remista, foi fundamental para o excelente resultado obtido. Ainda haveria um segundo clássico decisivo, vencido pelo Papão por 2 a 0, mas o título foi assegurado naquele primeiro confronto.

Desde então, como se tivesse desaprendido a jogar, não teve mais oportunidades entre os titulares. Mesmo quando a zaga fraquejou em lances bobos, como na estreia diante do Moto Clube ou nos instantes finais do jogo contra o River em Teresina.

Acabou relegado à condição de terceira ou quarta opção para a defesa, atrás de jogadores mais limitados, como Rubran. Agora, em medida de contenção de despesas, a diretoria resolveu abrir mão do jovem zagueiro. Podia ter começado a adotar medidas de ajuste financeiro evitando contratações de risco, como a do zagueiro Negretti e do atacante Danilo Lins.

Abrir mão de um atleta de bom nível revelado na própria base é daquelas atitudes que caracterizam gestões pouco preocupadas com projetos de médio e longo prazo. Trabalham sempre com a corda no pescoço e só conseguem ver saída na importação de “reforços”. Igor João foi sacado porque era um dos menos salários do clube, o que, em tese, deveria servir para preservá-lo um pouco mais.

Existem dúzias de exemplos a comprovar que essa linha de conduta é danosa aos clubes, mas por aqui a regra imutável é a de persistir no erro. Fez muito bem o grande benemérito azulino Ronaldo Passarinho em questionar junto ao presidente Zeca Pirão a razão da dispensa de Igor João. Não surtiu efeito prático, mas revelou que pelo menos uma voz de respeito no clube não concorda com a aloprada medida.

Mais do mesmo na lista de Dunga

Ingênuos foram os que apostaram em convocação menos conservadora na primeira lista de nomes escolhidos por Dunga para a Seleção Brasileira. Como se os trágicos 7 a 1 não tivessem maior importância, o técnico decidiu prestigiar o grupo de Felipão convocando 10 de seus jogadores. Número muito expressivo para o paupérrimo futebol praticado pelo Brasil no Mundial.

Alguns são nomes até aceitáveis, como David Luiz, Luiz Gustavo e Oscar, mas outros se inserem na galeria dos descartáveis – Willian, Maicon, Fernandinho, Ramires, Hulk. A insistência em preservá-los denota a falta de critérios do novo comandante.

Que contribuição esses jogadores têm a dar à Seleção depois do que mostraram na Copa? Pelo visto, Hulk seguirá como a principal esperança para o ataque. Como não há milagre capaz de transformar caneleiro em craque, Hulk continuará rude e com parcos recursos. Enfim, o mesmo atacante esforçado e errático de sempre.

Acima de tudo, Dunga queimou preciosa oportunidade para impor nomes novos e experimentar jogadores deixados de lado por Felipão. Nesse sentido, soa como pura teimosia a ausência de Paulo Henrique Ganso, preterido pelo treinador, como já havia ocorrido em 2009 e 2010. Ao contrário daquela época, o camisa 10 não está na plenitude da forma, mas na crise técnica atual não é jogador para ser ignorado.

Apesar de boas novidades, como os cruzeirenses Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, Dunga esqueceu de convocar Lucas, que Felipão orgulhosamente preferiu não chamar para a Copa, optando por Willian. Ora, tudo o que o meia do Chelsea não fez em gramados brasileiros deveria ser motivo mais do que suficiente para resgatar Lucas.

As críticas à primeira lista de Dunga não anulam o fato de que o Brasil amarga um terrível período de entressafra, agravado pelas pouquíssimas opções ofensivas. A ausência de um legítimo camisa 9 na convocação é evidência desse cenário.

Ô fase.

Águia sob nova/velha direção

João Galvão é o Águia, o Águia é João Galvão. Isto é algo que o torcedor marabaense sabe de cor e salteado há muito tempo. A pedidos, ele está de volta, chamado a socorrer o time em meio a uma situação desesperadora na Série C. Nunca o Águia esteve tão próximo do rebaixamento como atualmente. Galvão reassumiu o comando técnico depois da demissão do técnico Everton Goiano.

A mudança não elimina a estranheza com a guinada do clube em direção a um treinador importado nesta temporada. É provável que o fracasso do Águia no Parazão 2013 tenha forçado a experiência, que se mostrou ainda mais surpreendente quando o clube anunciou a contratação de Dario Pereyra.

Afastado do futebol há algum tempo, Dario chegou sob desconfianças e acabou confirmando os maus presságios. Desafiado a montar um novo time, mesmo com bons reforços, o uruguaio não conseguiu dar ao time a consistência exigida para uma competição dura e equilibrada como a Série C. Foi substituído por Everton Goiano, que seguiu na mesma toada.

Galvão entra em cena como último trunfo para impedir a queda. Não duvido que consiga seu intento, mas é inegável que a empreitada se impõe como a mais difícil que ele já enfrentou no clube. O consolo é saber que ninguém, além dele, pode salvar o Águia neste momento.

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