Coluna do Gerson Nogueira – 29.08.14

29 de agosto de 2014 at 11:45 am Deixe um comentário

A nova vitória dos intolerantes

 

Atos racistas se tornaram uma praga no futebol mundial, com seguidas ocorrências na Espanha, Itália, em países do Leste europeu e até na América do Sul, como visto no episódio de agressão ao brasileiro Tinga no Peru. Nos últimos anos, a situação se alastrou tanto que a Fifa decidiu entrar de sola contra essas manifestações, punindo clubes e seleções cujas torcidas discriminam adversários. No Brasil, aqui e ali, de vez em quando o problema brota também.

Ontem à noite, parte da torcida gremista manchou uma noitada que devia ser exclusivamente esportiva. Durante boa parte do segundo tempo, a Arena do Grêmio foi o triste palco de coros racistas, imitando macacos, dirigidos ao goleiro Aranha, do Santos.

Indignados, jogadores do clube paulista chegaram a parar o jogo alertando o árbitro para o fato degradante, mas os xingamentos prosseguiram em volume crescente e foram captados pelas câmeras de TV. Não é de hoje que a torcida gaúcha, representada pela dupla Gre-Nal e de times interioranos, se manifesta dessa maneira.

A revolta normal do torcedor com seu time não pode ser usada como justificativa para tais atos primitivos. Muito menos a irritação com a derrota deve ser canalizada para o time vencedor. Antes disso, deve se voltar contra as limitações do próprio Grêmio, dispersivo e confuso nas jogadas ofensivas e inseguro na defesa.

O Santos de Aranha e Robinho, que também foi alvo de ofensas ao deixar o campo, nem jogou muita coisa, mas soube aproveitou as falhas gritantes da atrapalhada equipe sulista. Nada, porém, foi tão feio quanto o comportamento dos torcedores gremistas.

Que a CBF e as associações de jogadores profissionais tomem providências para que essa prática deplorável não seja estimulada pela impunidade. Sem esquecer que o mau exemplo da torcida gaúcha se mistura às ações violentas que tumultuam campeonatos pelo país afora, inclusive no Pará.

A atitude vista na Arena do Grêmio, é bom lembrar, tem correspondência direta com os palavrões dirigidos à presidente da República na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, e na final do mundial, na Arena Maracanã, no Rio.

O risco que se observa é tanto maior quando há uma forte tendência brasileira de acomodação das coisas. Sempre se busca um jeito de tangenciar os fatos, ignorar a gravidade de episódios e tratar o racismo como algo isolado ou restrito a minorias.

A própria atitude de jogadores negros, como o volante Zé Roberto (do Grêmio), procurando relativizar o episódio, confirma que as coisas precisam ser enfrentadas com coragem e firmeza.

 

 

Técnicos na rota da decadência

 

O processo de pauperização do futebol brasileiro tem diversas origens e múltiplas explicações, mas o papel dos técnicos indiscutivelmente é decisivo para o agravamento da situação. Quando se toca nesse assunto há sempre o risco de vilanizar a categoria, que não é a única a militar no esporte. Ocorre que é inegável a influência que os profissionais têm na formação de atletas e na maneira de jogar dos times.

A recente Copa do Mundo chamou atenção para o atraso do Brasil nesse quesito. O próprio Felipão, que antes da competição era cultuado como melhor treinador do país, foi atropelado pelos fatos, sendo massacrado pela evolução de seus colegas estrangeiros. E Felipão não é o único técnico brasileiro nessa situação – existem muitos outros. Acontece que ele é um dos mais graduados e respeitados do país, o que só agrava o problema.

O comportamento tático do Grêmio, novo time de Felipão, é revelador da ausência de atualização. O time joga com zagueiros em linha e uma segunda ala de defensores à frente. Um verdadeiro exército de Sparta, aferrado ao instinto defensivo. E estava jogando em casa, com a torcida ao lado, contra um Santos pouco inspirado também, mas menos cauteloso.

Foi mais um jogo pela Copa do Brasil, que tem sido pródiga em resultados que fazem pensar. Na quarta-feira, a maioria dos grandes times teve seu favoritismo posto abaixo por emergentes mais ousados.

Técnicos convivem desde sempre com a espada do desemprego sobre a cabeça, mas no Brasil o medo excessivo contribui para a proliferação de sistemas retranqueiros. A preocupação defensivista abrange todas as divisões, mas é mais rígida nos chamados grandes, quando deveria ser justamente o contrário, como a Copa mostrou com tanta clareza.       

 

 

Papão testa o gramado da arena

 

A nova Arena Curuzu começou a ser utilizada pelo Papão, ontem à noite, por ocasião do treino coletivo de preparação para a partida contra o Salgueiro, amanhã. No gramado impecável, Mazola Jr. observou a movimentação de seus jogadores e praticamente definiu mudança no meio-de-campo, com Djalma substituindo a Rafael Tavares e Raul, que vinham atuando por ali.

Desde que voltou ao time contra o CRB, Djalma demonstrou condição técnica superior ao dos meias que Mazola vem escalando. Mesmo entrando no decorrer dos jogos, deu nova dinâmica ao setor e impulsionou o time ao ataque. E é justamente essa a necessidade que o Papão terá no confronto com o Salgueiro: atacar o tempo todo, a fim de garantir os três pontos.

Sem Djalma, o time sofre com outro problema. O rendimento de Pikachu é diretamente comprometido pela ausência de um parceiro que esteja acostumado com seus avanços e posicionamentos do meio em diante.

Mazola só deve definir a escalação amanhã pela manhã, mas é improvável que ignore a importância de Djalma para o bom funcionamento da meia-cancha do Papão.

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