Coluna do Gerson Nogueira – 02.09.14

2 de setembro de 2014 at 9:09 am Deixe um comentário

É preciso criminalizar as gangues

 

Mais grave do que o risco de novas sanções ao Papão, com consequente perda de mandos de campo, é a constatação de que forças internas conspiram contra o futuro do clube. Os incidentes relatados pelo árbitro Wagner dos Santos Rosa, que apitou o jogo contra o Salgueiro no sábado à noite, confirmam essa triste realidade.

Um menor não identificado teria atirado a garrafa de pet no belíssimo gramado da nova Curuzu, manchando uma programação festiva, que começou com a apresentação ao torcedor da praça de esportes revitalizada e culminou com a vitória em campo.

O que tinha tudo para ser uma noite inesquecível para todos os bicolores, em torno da concretização do antigo sonho de ver o velho estádio reformado e dotado de conforto para seus frequentadores, desandou para a bagunça organizada e tramada nos subterrâneos do futebol.

Quando escrevo aqui reiteradas vezes que o problema da violência nos estádios é questão a ser criminalizada refiro-me exatamente a episódios como o de sábado. Enquanto as diretorias continuarem a tratar delinquências contra o patrimônio dos clubes como algo vinculado a “torcidas organizadas”, o problema irá se perpetuar.

Parem de achar que há torcida envolvida nisso.

Bobagem. Quem está por trás da baderna generalizada e conspiratória contra os clubes são falsos torcedores. Na verdade, duvido que essa gente torça de verdade por algum time de futebol.

Nos estádios, manifestam-se cantando ameaçadores hinos de guerra, provocações às gangues rivais e palavrões de todo tipo. Nunca ouvi falar que cantassem os hinos do clube ou músicas de estímulo aos jogadores.

A Fifa está certa ao enquadrar esse tipo de ataque aos espetáculos de futebol como crime. Avalia que não é obra de torcedor, e não é mesmo. Como a ação é de bandidos, devem ser submetidos aos rigores da lei. Simples.

O mais novo episódio de abuso às regras do jogo pode vitimar o Papão pela terceira vez nesta temporada. A primeira foi herança do ano passado (confusão no jogo contra o Avaí na Curuzu, envolvendo “torcedores” da mesmíssima facção de agora), com a perda de mandos que culminaram em brutal prejuízo financeiro para a gestão Vandick Lima.  

Cumpridos os jogos com portões fechados na abertura da Série C deste ano, o Papão voltou a mandar jogos em Belém e logo na reestreia a violência se repetiu, no estádio Jornalista Edgar Proença, durante a partida contra o Fortaleza. Rojões foram atirados no campo e nas arquibancadas, fazendo o clube tomar mais dois jogos sem torcida e longe de Belém.

Nem bem cumpriu a segunda pena, eis que os turbulentos de sempre providenciam nova dor de cabeça para o departamento jurídico do clube, com o arremesso de uma garrafa pet à vista de todos. A coisa é tão premeditada que escolheram um local bem visível, para que o trio de arbitragem não deixasse de ver e registrar na súmula – como acabou ocorrendo.

O advogado Alberto Maia, candidato à presidência do clube, foi enfático na análise da situação. O Papão, como reincidente contumaz, tem forte possibilidade de vir a ser condenado novamente. Para satisfação de quem? Provavelmente para os imbecis que botam camisa de torcedor, mas têm alma de terrorista.

 

 

Clube pode passar a jogar sem torcida

 

Em entrevista à Rádio Clube do Pará, depois do jogo de sábado, Alberto Maia declarou que – caso se eleja presidente – não irá admitir a repetição desses episódios. E fez uma previsão dramática, mas realista: a continuar assim, os jogos terão que ser realizados sem torcida presente. Ao que parece, esse cenário está mais próximo do que se imagina.

Até porque há uma excessiva compreensão por parte dos torcedores verdadeiros em relação às gangues. Talvez por temor do enfrentamento, a torcida costuma tolerar os excessos dos baderneiros, como se nada tivesse a ver com o problema. Na verdade, tem muito a perder com a presença das gangues.

No Recife, a torcida do Sport adotou uma postura madura e responsável. Depois de seguidos episódios de violência em jogos do clube, decidiu hostilizar a facção mais violenta das “organizadas”. Enfrentou isso dentro da Ilha do Retiro e calou os desordeiros.

Em Belo Horizonte, a diretoria do Cruzeiro proibiu o uso de símbolos oficiais do clube em bandeiras, camisas e bonés usados pelas gangues violentas, lá apelidadas de “máfias”. Foi a saída encontrada para conter a perda de patrocínios de empresas que não querem ser associadas a criminosos.

O Palmeiras seguiu o mesmo caminho, depois que vários jogadores manifestaram o temor de defender a agremiação, temerosos das ações violentas de parte de sua torcida.

Talvez tenha chegado o momento de a diretoria do Papão agir também. Antes tarde do que nunca.

 

 

Leão adota estratégia regionalista

 

O Remo se prepara para a Copa do Brasil Sub-20 com a mesma estratégia utilizada com êxito no ano passado. Está contratando jogadores que se destacaram nos outros times disputantes da Copa Norte. Do Tarumã amazonense já foi adquirido por empréstimo o atacante Wellington Nem. Arisco e driblador, o atleta vem referendado pelo técnico Walter Lima. Mais dois jogadores do clube baré estão na mira dos azulinos.

É uma solução barata e prática para reforçar o bom elenco remista para a competição nacional, que deve ser ainda mais equilibrada e desafiadora que a do ano passado. O primeiro confronto já será uma pedreira, contra o Goiás, no dia 01 de outubro, no estádio Jornalista Edgar Proença.

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