Coluna do Gerson Nogueira – 04.09.14

4 de setembro de 2014 at 11:59 am Deixe um comentário

A tentação de inventar

 

Futebol, já se disse mil vezes, é um esporte simples. Nós – torcedores, técnicos, jogadores e cronistas esportivos – costumamos complicar as coisas. Um dos primados da modalidade é o entrosamento dos times, que nasce da repetição e da adaptação dos jogadores ao esquema tático.

No caso dos dois grandes clubes de Belém, situações diversas obrigam os técnicos a mexerem o tempo todo na escalação. O Papão, ainda com chances de acesso na Série C, sofre com a perda de peças importantes por lesões e suspensões.

Para o confronto decisivo de segunda-feira com o Botafogo da Paraíba, fora de casa, o técnico Mazola Jr. não contará com o zagueiro Charles, uma das referências defensivas da equipe, e com o polivalente Djalma. Arrisco dizer que a ausência de Djalma é a mais prejudicial ao esquema usado pelo treinador.

Djalma é rápido e sabe como ninguém acompanhar o ritmo de Pikachu, principal destaque técnico do time. Sem o parceiro, Pikachu normalmente arrefece as tentativas ofensivas e tem rendimento prejudicado.         Quem sofre com isso – e como sofre – é o Papão.

Do outro lado da avenida Almirante Barroso os dramas são bem diferentes. A escalação muda sempre por vontade do técnico, que já mandou a campo pelo menos seis formações diferentes ao longo da Série D.

Por insegurança quanto à confiabilidade técnica de seus jogadores ou por pura inquietação, o técnico Roberto Fernandes não conseguiu até hoje encontrar a chamada formação ideal. São mudanças constantes em todos os setores, desde o gol até o ataque.

Está nos manuais do nobre esporte bretão. Nenhum time adquire entrosamento com tantas e sucessivas alterações. No meio-de-campo, ponto nevrálgico de qualquer equipe, o Remo já mudou de cara incontáveis vezes. Nos últimos jogos, Reis se tornou uma espécie de coringa no setor, cobrindo a ausência de um meia-armador, embora seja atacante de ofício.

Antes dele, Tiago Potiguar já foi testado por ali, sem sucesso. E jamais irá dar certo naquele setor, pois é também um homem de frente. O mesmo aconteceu com Ratinho, outro atacante improvisado na meia.

O certo é que enquanto Danilo Rios não podia ser escalado, o Remo viveu de improvisações no compartimento mais importante do time. Com seu retorno anunciado para domingo, a criação deve finalmente ser entregue a um legítimo camisa 10.

Experimentações são até válidas, mas em excesso contribuem apenas para a balbúrdia tática. No caso do Remo, este é o problema que está na origem da instável performance em casa. Mais até do que o gramado ruim do Diogão.  

 

 

Show solo de Di Maria sobre a Alemanha

 

Existirá mesmo a tal depressão pós-Copa? A tese foi levantada novamente ontem depois da chinelada que a Argentina aplicou sobre a seleção tetracampeã do mundo, em Dusseldörf, com requintes de malvadeza.

Os times estavam bastante modificados, é bom que se diga. Messi, que a Fifa elegeu como melhor do Mundial, invento uma desculpa qualquer e não viajou à Alemanha. A seleção de Joachin Low entrou ainda mais desfalcada, com apenas três dos titulares da conquista no Brasil.

Chamou atenção, por sinal, o aparente desinteresse do técnico alemão pelo jogo, evitando recorrer a todas as suas forças para o jogo contra os vice-campeões do mundo. É claro que alguns atletas estão contundidos, mas boa parte deles podia ter sido relacionada para o jogo.

Na Argentina, Angel Di Maria resolveu aproveitar a ocasião para mostrar o futebol que o acaso não permitiu que exibisse na grande final realizada no Maracanã. Grande desfalque argentino na decisão, o meia desfilou em campo, dando passes primorosos, lançamentos precisos e até fazendo gol. Na ausência do astro Messi, ficou à vontade para dar um show solo e provar o quanto podia ter sido decisivo na finalíssima da Copa.

O futebol tem pressa e não se pode brincar de amistoso quando a história é construída a cada jogo. Lição para Low.

 

 

A Estrela continua a brilhar

 

André Bahia, no apagar das luzes, crava a vitória que pode redimir o ano do Botafogo. Ano de pindaíba total, ameaça de rebaixamento, dívidas e humilhações sem fim, mas a Estrela Solitária segue a reluzir. Até em noite de apagão. Melhor ainda é que a vitória veio na bola, dentro do Castelão, sem necessidade de truques ou pênaltis roubados. Uma noite feliz.

Já no Maracanã o outro jogo angustiante da quarta-feira deixou muito a desejar. Nem tanto quanto ao empenho dos jogadores de Flamengo e Coritiba, que lutaram incansavelmente por seus objetivos.

O problema estava na arbitragem, velho calo em jogos que envolvem clubes de massa no Brasil. Principalmente quando esses clubes precisam de algum tipo de ajuda para seguir em frente. Ontem, o Flamengo talvez nem precisasse desse socorro, mas acabou premiado com um penal inventado no segundo tempo.

A bola foi chutada em direção ao zagueiro do Coritiba, que visivelmente tentou evitar o toque, mas o apitador foi implacável e assinalou a infração. Logo depois, ele ignorou um penal claro sobre Alex. Na sequência, em contra-ataque, saiu o terceiro gol rubro-negro, que levou à vitória na decisão em penalidades.

Coisas do futebol brazuca.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 04.09.14 Coluna do Gerson Nogueira – 05.09.14

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