Coluna do Gerson Nogueira – 12.09.14

12 de setembro de 2014 at 12:26 pm Deixe um comentário

E a lambança continua…

Transformar plenário de tribunal em campo de jogo já é uma excrescência típica do Brasil. E quando as muvucas judiciais se estendem indefinidamente a coisa atinge níveis inaceitáveis. O STJD perdeu ontem a chance de botar um fim na arrastada novela da Copa Verde, mas preferiu cozinhar o galo. O próprio presidente da Corte pediu vistas do processo, alegando complexidade no caso, deixando os torcedores ainda mais frustrados.

A título de recordação, o jogo aconteceu antes da Copa do Mundo. Em campo, vitória do Brasília por 2 a 1 nos 90 minutos e na decisão por penalidades. Como havia escalado quatro jogadores não registrados no BID, o time candango perdeu o título, que foi cassado pela Comissão Disciplinar do STJD e dado ao Papão por unanimidade (4 a 0). A CBF assumiu a responsabilidade pela não inclusão dos atletas no BID e, posteriormente, um mandado de segurança reformou essa decisão, mas a definição final ficaria por conta do Pleno do tribunal.

A sessão que decidiria a parada foi adiada inicialmente e ontem, quando tudo parecia se encaminhar para um desfecho, o resultado foi de novo adiado. Pode não ser (e provavelmente não é), mas parece embromação. Ou, em linguagem de tribunal, uma manobra para ganhar tempo e talvez alterar os rumos da votação.

É bom lembrar que, quando o julgamento foi interrompido, a votação estava empatada em 1 a 1. O relator havia votado favoravelmente ao pleito do Brasília, mas, depois da sessão, outro auditor antecipou voto favorável ao clube paraense. Ainda assim, restam seis votos a serem declarados na próxima sessão. Conforme prevê o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBDJ), o caso será analisado na próxima sessão do Pleno, que ainda não tem data marcada.

Significa que o campeão da Copa Verde 2014 pode ser conhecido só no próximo ano, pois em dezembro o tribunal entra em recesso. O STJD tem apenas dois meses para acabar com esse suspense sem sentido. O estado de ânimo dos dirigentes brasilienses, animados com a paralisação do julgamento, em contraponto com o ar preocupado dos defensores bicolores dá a medida das incertezas deixadas pelo tribunal, que deveria primar por esclarecer pendências. A prática tem sido inteiramente diversa. Como Chacrinha, o STJD parece se esmerar em confundir, ao invés de explicar.

Lavagem de roupa suja no nobre Tricolor

Quando o presidente de um dos mais importantes e elitizados clubes brasileiros condena publicamente práticas amadoras na agremiação é sinal de que alvo vai muito mal na administração do futebol no país. Se no São Paulo, de finanças ajustadas e estádio próprio, um presidente costumava pagar gratificações aos atletas nos vestiários, com o dinheiro embrulhado em saco de padaria, há muito a se repensar nesse negócio.

Carlos Miguel Aidar, o presidente eleito com apoio do antecessor, Juvenal Juvêncio, botou o dedo no suspiro em estrepitosa entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. As declarações visaram, segundo fontes do clube, conter o apetite de Juvêncio, que pretendia continuar mandando mesmo sem cargo executivo na diretoria.

A gota d’água teria sido a fritura e afastamento de Mariana Aidar, filha de Carlos Miguel, da função de assessora da presidência. Agente Fifa, Mariana teria se desgastado por influência de figuras ligadas a Juvêncio. Como revide, o atual mandatário soltou os cachorros sobre a gestão passada, condenando métodos “primitivos” e desfazendo boa parte da aura de modernidade que o São Paulo carrega há tempos.

Os próximos rounds da refrega ainda não estão bem claros, mas é fato que Carlos Miguel parece disposto a ampliar auditorias internas para verificar gastos produzidos pelo ex-presidente. É o tipo da briga que todo mundo sabe como começa, mas ninguém pode prever como termina.

Corintiano é “premiado” com redução de pena

Não foi apenas a vitória sobre o Atlético-MG que deu motivos para o Corinthians comemorar bastante nesta quinta-feira. Depois de dar uma braçada violenta no árbitro (que estava de costas) durante o clássico contra o Santos, em imagem captada pelas câmeras de TV, o corintiano Petros foi condenado e pegou seis meses de suspensão no STJD. Pena mais do que justa pela agressão cometida.

Aí começou o festival de reclamações por parte do Corinthians, tendo à frente o técnico Mano Menezes. A choradeira de um dos mais influentes clubes brasileiros resultou em êxito total: o tribunal, num rasgo de compreensão e generosidade, reduziu ontem a punição do jogador para apenas três partidas.

Pois é. E ainda há quem considere o STJD uma corte séria e respeitável.

Cai outro técnico que fracassou na Copa

Depois da pífia participação de Portugal no mundial do Brasil, que gerou uma série de especulações sobre a demissão do treinador, Paulo Bento finalmente caiu. A gota d’água foi a derrota para a Albânia na fase de amistosos preparatórios para a temporada oficial. A federação lusitana aturou a frustração na Copa, mas não tolerou o tropeço diante de um nanico.

Quando estive em Lisboa, no começo de junho, havia expectativa geral dos torcedores quanto a uma grande campanha em gramados brasileiros. O clima era de discreto otimismo. Mesmo sem confiar em Bento, quase todos achavam que com Cristiano Ronaldo liderando a equipe, Portugal tinha boas chances de superar a terceira colocação na Copa de 1966, sua melhor participação em mundiais até hoje.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 11.09.14 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 12.09.14

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