Coluna do Gerson Nogueira – 21.09.14

21 de setembro de 2014 at 5:33 pm Deixe um comentário

Um herói por acaso

Racismo é um problema que o Brasil há séculos se recusa a enfrentar. Governo e sociedade nunca deram muita bola para o problema, preferindo sempre o caminho do maneirismo, da falsa confraternização entre as raças, para seguir em frente. Historicamente, o caminho para enfrentar esse desvio de comportamento é reconhecer sua existência.

O show de intolerância visto no estádio do Grêmio há algumas semanas ajudou a jogar luz sobre essa terrível chaga brasileira. O episódio exibiu em sons e cores vibrantes o tamanho da encrenca. As reações indignadas até deram a impressão de que ia se achar um jeito de finalmente expor as vísceras do sentimento racista no Brasil.

As atitudes de dirigentes, do técnico Felipão, jornalistas e até de jogadores do Grêmio se encarregaram de derrubar as ilusões. Infelizmente, acabar com a prática nefasta não parece estar entre as prioridades da agremiação. O clube não age muito diferente de um sem-número de instituições e pessoas confrontadas com o monstro do racismo.

Quase todos preferem esconder a sujeira sob o tapete e isso costuma atiçar ainda mais os radicais. Os insultos proferidos no jogo da última quinta-feira lá no mesmo estádio atestam que os torcedores revelam o nível de repulsa pelo goleiro do Santos.

Símbolo involuntário da mobilização nacional que surgiu em consequência daquela fatídica noite no Olímpico, o jogador passou de repente a alvo dos ataques de todos que alimentam preconceitos raciais e não tinham coragem de exprimir abertamente.

Nas redes sociais, arena de todas as batalhas modernas, o debate está posto e Aranha divide opiniões. Sua posição firme na condenação ao crime de que foi vítima ganha credibilidade porque não vem embalada em discurso pré-fabricado, tão ao gosto de debatedores e polemistas profissionais.

O que desarma os detratores de Aranha é sua maneira franca de abordar o tema, expondo livremente seu desconforto com as agressões sofridas no estádio gremista. Com simplicidade, sustenta uma corajosa argumentação de repúdio ao comportamento medieval que ameaça se espalhar por outras praças esportivas do país. De fazer corar de vergonha tantos ídolos do esporte no Brasil, de Pelé a Ronaldo, passando por Joaquim Cruz e Romário. Todos unidos pela prática de tangenciar o problema.

Nas entrevistas, sempre muito sério, Aranha exprime sincera indignação com o ocorrido. Por mais que alguns recorram ao velho mantra de que “são coisas do futebol”, ele resiste bravamente. Até colegas da crônica muitas vezes aderem a essa pífia e preguiçosa maneira de ver o problema.

O goleiro santista faz bem em botar o dedo no suspiro e lembrar que a explosão racista no estádio gaúcho não foi banal, nem pode ser esquecida. A coragem de Aranha é um bom ponto de partida na luta contra essa vergonha nacional.

Tsunâmi pode ser a grande novidade

O Remo desembarca em São Luís para enfrentar o Moto Clube com uma zaga reserva e um meio-de-campo recauchutado. Roberto Fernandes fez vários treinos, testou várias formações e não revelou exatamente qual a escalação para o jogo. Está em disputa o importante primeiro lugar na classificação do grupo.

É provável que a zaga seja comandada por Negretti e Rubran, com Levy e Alex Ruan nas laterais. Na marcação, devem entrar Ilaílson e Michel, mas a possibilidade de estreia de Tsunâmi não está descartada compondo um trio de volantes. Polivalente, o jovem que brilhou na recente Copa Norte pode ser escalado na lateral ou como jogador de meio.

Fernandes faria um bem danado ao Remo se apostasse mais nos valores caseiros. Tsunâmi é apenas o mais destacado deles.

Sesi tem decisão na Cidade Nova

Acontece hoje a grande final dos Jogos Municipais do Sesi 2014, na modalidade de futebol de campo, entre Sinobras e L.C. Oliveira. A partida começa ás 9h, no campinho do Sesi, na avenida Tocantins, núcleo Cidade Nova. Na disputa do terceiro lugar, o time B da Sinobras enfrenta o Dínamo.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro volta a comandar o programa. Começa depois do “Pânico”, por volta de 00h15. Com Giuseppe Tommaso, Rui Guimarães e este escriba baionense na bancada.

Na falta de cão, caça-se com gato

É fato que o futebol paraense anda meio distante da ribalta já há alguns anos, mas o melhor árbitro regional vai estar no centro dos acontecimentos da Série A hoje à tarde. Caberá a Dewson Freitas apitar o Fla-Flu no Maracanã com uma tremenda responsabilidade sobre os ombros.

Diante de 60 mil torcedores, Dewson terá a missão de controlar pressões e catimbas próprias do grande clássico. Para nós, é um orgulho ver o conterrâneo pontificar no principal estádio do país para comandar jogo tão emblemático, que Nelson Rodrigues dizia ter sido inventado 40 minutos antes do nada.

Poucas vezes a arbitragem brasileira foi tão questionada como neste Brasileiro, depois de seguidas barbeiragens cometidas por árbitros da nova geração e até por alguns profissionais mais experientes, como Sandro Meira Ricci, que representou o Brasil na Copa e andou fazendo das suas no recente Flamengo x Corinthians.
A prova é de fogo, mas Dewson tem condições de fazer boa figura.

Entry filed under: Uncategorized.

BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 16.9.14 A Bola no Bola – Giuseppe Tommaso – 21.09.14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: