Coluna do Gerson Nogueira – 28.09.14

28 de setembro de 2014 at 12:58 pm Deixe um comentário

O pênalti na marca do pênalti

Por obra e graça de dona CBF e sua cambaleante comissão de arbitragem, o Brasil mergulhou nesta semana num debate chato, improdutivo e confuso sobre os critérios para marcação de pênaltis. Na semana passada, analisei aqui sobre o nível da arbitragem nacional, seguramente um dos piores do planeta. Agora, depois de um verdadeiro festival de pênaltis esquisitos marcados a rodo, a comissão adotou um critério único baseado num certo princípio “da intenção deliberada”.

O conceito já é meio hermético por natureza e a comissão não conseguiu explicá-lo direito nem aos árbitros, que continuaram interpretando livremente, cada um à sua maneira. Diante da bagunça instaurada, o presidente da comissão de arbitragem da Fifa deu entrevista criticando os métodos usados no Brasil. Condenou os critérios e deixou os responsáveis pelo setor ainda mais expostos.

A penalidade máxima, o nome já diz, divide opiniões desde que o futebol existe. Em lances de difícil análise a polêmica substitui a visão isenta e a confusão só aumenta. A repetição das jogadas na TV, longe de esclarecer, amplia ainda mais a balbúrdia.

Quem joga ou jogou futebol, mesmo nas peladas de fim de semana, aprendeu que mão na bola é que vale como pênalti incontestável. O critério de que a bola na mão ou braço também é ilegal foi adotado recentemente e até hoje carece de aceitação plena.

Com medo de causar penalidades, jogadores tentam evitar que a bola esbarre em suas mãos encostando os braços no corpo. É um troço esquisito porque mãos e braços são essenciais para manter o equilíbrio, principalmente quando o jogador está em movimento. Apesar de todo o malabarismo dos defensores, até o braço colado ao corpo não tem evitado a marcação de penais.

Como é próprio da cena brasileira pós-Copa, a onda de queixumes contra os árbitros deu origem a uma nota oficial da Associação Nacional dos Árbitros, divulgada na sexta-feira. Os árbitros denunciam “a falta de respeito” com a categoria e ameaçam paralisar o Campeonato Brasileiro.

A direção da entidade avalia a possibilidade de uma greve por entender que os ataques derivam da má fase técnica do futebol. Os apitadores estariam pagando o pato pela decadência do esporte no Brasil. Em sua defesa, repete aquela lorota cunhada por João Havelange, de que os erros de árbitros fazem parte dos jogos e até dão um tempero emocional à disputa.

Não é bem assim. Só quem vence se beneficiando de erros de arbitragem consegue ter esse olhar generoso e romântico. Os prejudicados amaldiçoam os sopradores de apito. Experimente perguntar a um torcedor do Santos ou do Internacional sobre Márcio Rezende de Freitas, que prejudicou a ambos, contra Botafogo e Corinthians. Ou indague a um botafoguense o que acha de José Marçal Filho ou Ana Paula, a faceira bandeirinha que operou o time na Copa do Brasil.

É claro que o futebol está longe de seus melhores dias, mas é fato também que a arbitragem foi um problema no Brasil. As causas são bem conhecidas, embora nunca atacadas: falta de profissionalização, fragilidade política da Comissão de Arbitragem e desinteresse da CBF e clubes pela qualificação dos árbitros.

Enfim, um domingo de futebol

Depois de meses sem futebol em Belém, o torcedor tem a oportunidade hoje de matar a saudade. Refiro-me, obviamente ao torcedor do Remo, que vai encarar o Brasiliense na primeira partida do mata-mata da Série D.

Parada duríssima, como é natural em fases eliminatórias, o desafio é mais espinhoso pela qualidade do time visitante, ainda invicto na competição e dono de um elenco forte e experiente.

Observadas lado a lado, as campanhas se equivalem. Embora o Brasiliense tenha encerrado a primeira fase na liderança do grupo A5 com 16 pontos ganhos, dois a mais que o Remo, ambos tiveram a mesma quantidade de vitórias, 4, com o mesmo potencial ofensivo (o Remo fez 15 e o Brasiliense, 14).

A coisa se complica na comparação dos números defensivos. Enquanto o Brasiliense sofreu somente cinco gols na competição, a defesa remista deixou passar 10 bolas. Reconhecido ponto vulnerável do time, a zaga terá um teste de fogo hoje à tarde, enfrentando um dos melhores ataques do torneio.

Sob a desconfiança depois de falhas seguidas nos jogos contra Moto Clube, River e Guarani de Sobral, o setor terá uma estreia importante: a entrada de Jadilson na lateral esquerda. O veterano substituirá a Alex Ruan, buscando dar mais consistência na marcação.

O técnico Roberto Fernandes mantém inalterada a formação do meio-de-campo e do ataque. Mas, se acerta ao repetir a escalação, a insistência com Reis no papel de armador (ao lado de Danilo Rios) ainda gera discussão. Jonathan, esquecido ao longo de toda a primeira parte da Série D, é a novidade no banco de reservas, apesar das poucas chances de aproveitamento.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta. João Cunha, Tomazão e este escriba de Baião participam dos debates do programa, que vai analisar a participação dos clubes paraenses nas séries C e D. Na RBATV, depois do Pânico, ali por volta de 00h15.

Comenda da Câmara de Belém

Por iniciativa do vereador Paulo Queiroz, presidente da Casa, este escriba foi agraciado com o diploma e a medalha “Isaac Soares” da Câmara Municipal de Belém, por relevantes serviços em benefício do desenvolvimento na área jornalística no município de Belém.

Honrado, agradeço a generosidade que oportunizou a comenda e estarei presente à solenidade de entrega, prevista para amanhã, às 9h, no plenário do Legislativo

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