Coluna do Gerson Nogueira – 20.10.14

20 de outubro de 2014 at 10:54 am Deixe um comentário

A um passo da glória

Uma importante e merecida vitória. Foi o que o Papão obteve sábado à tarde no Mangueirão. Com 2 a 1 no placar sobre um dos melhores times da Terceira Divisão, o acesso à Série B depende agora de um empate apenas. Empurrados por cerca de 30 mil pessoas (segundo melhor público do país no fim de semana), no primeiro tempo os bicolores atacaram menos do que podiam, respeitando excessivamente a qualidade de passe do visitante.

Para a segunda etapa, voltaram mais resolutos, com ânimo redobrado e alguma sorte também, pois ninguém é de ferro. Logo aos 4 minutos, Pikachu disparou um chute de longe encontrando pelo caminho um desatento zagueiro do Tupi. A bola carimbou a mão esquerda do defensor, já dentro da área, configurando a penalidade máxima.

Com categoria, o melhor jogador do Papão na partida foi lá e converteu. Sim, além do gol, Augusto Recife foi soberano naquele espaço reduzido e decisivo da meiúca, aonde os fortes prevalecem. Distribuiu passes, lançou os atacantes e parou jogadas no desarme ou com faltas necessárias. Pena que, em lance meio desnecessário, longe da zona de perigo, exagerou na força e ganhou um amarelo que barra sua presença no jogo da volta, sábado que vem. Baita prejuízo para o Papão.

Mas o jogo teve muito mais lucros que perdas para a equipe de Mazola Junior. A começar pelos gols que o Tupi desperdiçou antes dos 20 minutos do primeiro tempo, em contragolpes agudos. Um dos lances só não resultou em gol porque o centroavante quis tocar de letra e errou a passada, permitindo que Lombardi desviasse para escanteio.

Lucrativa também foi a participação de Ruan, um atacante que ainda não deslanchou desde que desembarcou em Belém. No sábado, porém, foi um dos mais participativos, buscando o jogo no meio-de-campo, brigando sempre pela recuperação da bola e responsável direto pelo gol da vitória. Apenas três minutos do gol de Augusto Recife, Ruan ganhou no tranco uma disputa pela direita e cruzou na medida para Bruno Veiga só empurrar para as redes.

A partir daí, o jogo ficou muito aberto e mais emocionante. De um lado, o Papão tinha a confiança e a empolgação da torcida para tentar o terceiro gol, que na prática pouco buscou. Do outro, o Tupi se enchia de brios e partiu para fazer o gol que lhe interessava. Durante uns bons 15 minutos a parada ficou equilibrada, mas sem chances muito claras de parte a parte. Cansado, Augusto Recife foi substituído e Zé Antonio logo em seguida cometeu falta desclassificante, levando o vermelho e atrapalhando os planos de Mazola.

Aos 40 minutos, veio o castigo que os bicolores não mereciam e o prêmio pelo qual os mineiros tanto esperaram. Em mais um escanteio contra o Papão, o ataque do Tupi se aproveitou de uma das raras falhas do goleiro Douglas no jogo. Ele saiu para dar um soco na bola, mas desviou para o centro da área, justo onde estava Bruno Barros. Este só teve o trabalho de empurrar para o gol. A bola ainda passou entre várias pernas e foi beijar as redes.

Um gol capaz de esfriar comemoração, pois o Tupi conseguiu aquilo que os analistas chamam de melhor derrota, impondo ao Papão o que seria a pior vitória. Sabemos, porém, que as coisas não são bem assim. Toda vitória é positiva. O Papão venceu bem, fez por onde merecer o triunfo e larga na frente nesse mata-mata encarniçado com o Galo Carijó. Metade da missão já foi cumprida. Resta agora se cercar dos cuidados necessários (embora sem exagero) para arrancar em Juiz de Fora o empate salvador ou, quem sabe, uma vitória.

Bom time, Galo Carijó não dá chutões

Sobre o Tupi é importante dizer que Léo Condé montou um time interessante. Quase sem figuras conhecidas, a equipe tem uma excepcional virtude: quase não erra passes e, por isso, dificilmente recorre aos chutões. Veio fechadinha, como se esperava, mas à medida que foi se soltando criou várias situações difíceis para a defensiva paraense.

No primeiro tempo, Ewerton Maradona comandou as ações no meio, mas faltou presença de área. No segundo, Condé corrigiu isso avançando seus laterais e posicionando Maradona mais próximo aos atacantes.

O estilo técnico do Tupi contribuiu para uma partida bonita de ver no Mangueirão. Ficou a impressão de que, em Juiz de Fora, com torcida a favor e tomando iniciativa ofensiva, o Tupi será ainda mais temível. Por outro lado, sua zaga deixou alguns espaços e deve se abrir mais ainda com a necessidade de construir resultado dentro de casa.

A dúvida é saber como o Tupi irá reagir tendo que furar o bloqueio defensivo do Papão no sábado. Uma coisa é jogar contra um adversário que precisa atacar e fazer resultado. Outra, bem diferente, é impor-se a uma equipe fechada e que detém vantagem no cruzamento.

Premiação gorda pelo acesso

Diretoria do Papão, conselheiros e grandes abnegados do clube já definiram a premiação pelo acesso à Série B. Elenco e comissão técnica dividirão a quantia de R$ 300 mil se a classificação for alcançada. Em caso de conquista do título da Série C, o prêmio será ampliado para R$ 500 mil.

Dewson brilha e incomoda

Enquanto na ESPN o trabalho do paraense Dewson Freitas na partida entre Internacional e Corinthians foi louvado pelo comentarista de arbitragem, Sálvio Spínola, em outras emissoras paulistanas prevaleceu o ranço bairrista e preconceituoso de sempre. Milton Neves e o tal Morsa chegaram a insinuar “apito amigo” porque Dewson não deu penal em lance envolvendo William, do Inter.

Tive o cuidado de ver e rever várias vezes o lance, constatando que o árbitro agiu corretamente em ignorar a infração, que lembrou até aquela queda teatral de Fred contra a Croácia na estreia do Brasil na Copa. Dewson acertou também em punir com o amarelo o meia-atacante Alex, que ao final da partida fez questão de admitir a simulação.
Curiosamente, árbitros muito mais inconstantes e erráticos (como o problemático Sandro Meira Ricci) têm sido poupados de ataques, mas Dewson, talvez pela origem geográfica, ainda levanta esse tipo de reação injustificada. Felizmente, para outros (como Spínola) Dewson vem se consolidando como o melhor árbitro da competição.

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