Coluna do Gerson Nogueira – 22.10.14

22 de outubro de 2014 at 9:53 am Deixe um comentário

Velozes, audazes e competentes

Não é título de filme, mas é apenas a descrição precisa do estilo alemão de jogar futebol, que está na crista da onda há mais ou menos três anos, desde que o portentoso Barcelona e seu infernal tic-tac saíram de cena. Começou com o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund, que há dois anos decidiram a Liga dos Campeões e deram os primeiros sinais de que uma nova força estava se erguendo.

A Copa do Mundo no Brasil serviu para coroar essa hegemonia germânica. Muito já se falou sobre os esforços que o país de Beckenbauer empreendeu na última década, saindo de situação desconfortável no futebol europeu para uma posição de destaque no mundo. Tudo movido a planejamento e organização, virtudes historicamente associadas ao povo alemão.

O massacre de ontem do Bayern sobre a Roma, por 7 a 1, valendo pela Liga dos Campeões, remeteu de imediato lembrar a histórica goleada da Alemanha em cima do Brasil na semifinal da Copa. Apesar das diferenças óbvias, é inegável o poderio alemão no futebol de hoje.

Curiosamente, essa força se concentra na seleção nacional e em no máximo dois grandes clubes. Ao contrário da maioria de seus vizinhos europeus, o futebol alemão é dominado por Bayern e Borussia. Ocorre que o Bayern, um colosso administrativo, amparado por fortes patrocínios e gestão firme (nos últimos anos), deu um importante passo rumo à excelência ao contratar Pep Guardiola no final de 2013.

Os efeitos dessa aposta já se fazem notar no estilo de jogo desenvolvido pelos alvirrubros de Munique. Com pelo menos 50% dos titulares da seleção nacional, o Bayern se reforça com uma esquadra multinacional de respeito, contando com Robben, Ribéry, Lewandowski, Xabi Alonso e Dante. Mas, na partida de ontem, Guardiola brilhou acima de todos.

Técnica, velocidade e passe. O Bayern de hoje joga assim, quase não dá chutão como era prática do futebol alemão até os anos 90. Com quatro gols fulminantes entre 23 e 35 minutos de jogo, a goleada sobre os italianos foi construída de maneira muito parecida com a que se viu em Belo Horizonte.

Müller, Robben, Lahm, Ribéry e Gotze com toques rápidos e deslocamentos constantes infernizaram a marcação em linha da Roma. Como aconteceu naquele Brasil x Alemanha, se quisessem poderiam ter disparado um placar ainda mais espalhafatoso. Nos instantes finais, o preciosismo de alguns jogadores impediu que o escore se ampliasse. Na Copa, como se sabe, não houve firula do escrete alemão, mas certa compaixão com o infortúnio dos brasileiros.

Quanto a Guardiola, seu papel como responsável pela mudança na forma de jogar do Bayern é evidente. O time agora sai jogando, pelo centro do meio-campo ou com os laterais, tocando a bola e esperando a brecha para invadir a área inimiga. Ao contrário do que desenvolveu Barcelona, onde o estilo era cadenciado e visava minar a resistência do adversário, no Bayern a fórmula é mais acelerada e o jogo fica mais bonito.

As cautelas de Mazola

O desfalque de Augusto Recife é o motivo das maiores preocupações na Curuzu. Natural. O veterano volante é o melhor passador do time e funciona como ponto de equilíbrio. Na ausência de um armador, ele muitas vezes executa as tarefas de um organizador, e com correção. Lógico que um jogador taticamente tão importante sempre faz falta, principalmente num confronto decisivo.

Mazola Junior costuma dizer que prefere se preocupar com os jogadores que pode escalar, preferindo não pensar nos ausentes. É um recurso inteligente, pois o momento exige que ele volte suas vistas para os substitutos eventuais de Recife.

Para o lugar de Zé Antonio, expulso no primeiro jogo, Ricardo Capanema é a opção natural. Mas, para fazer o jogo fluir à frente da zaga e evitar os chutões, Mazola se divide entre Lenine, Billy e Djalma. Deve optar pelo primeiro, que já vinha treinando ao lado de Capanema entre os reservas.

Djalma seria uma opção menos conservadora. Não tem a mesma força de marcação, mas com ele o time fica indiscutivelmente mais rápido na saída para o ataque. Talvez não entre de cara, mas certamente será lembrado no decorrer do jogo, caso haja necessidade de ir ao ataque.

Apitador goiano mostra qualidades

Arbitragem impecável de André Luiz Freitas de Castro, ontem à noite, no jogo Ponte Preta x Avaí. A Macaca venceu por 3 a 1 e o árbitro praticamente nem foi notado em campo. Boa notícia para o Papão, pois Castro será o apitador do confronto decisivo com o Tupi, sábado, em Juiz de Fora.

O árbitro goiano já apitou 18 partidas no Campeonato Brasileiro e foi assistente em outras seis. Castro carrega também a fama de “rei do empate”, o que também é excelente para os bicolores, que garantem o acesso se o jogo terminar empatado.

O fim da era Roberto Fernandes?

A grande notícia da semana para os azulinos é a firme disposição da diretoria de encerrar o ciclo Roberto Fernandes no clube. O vice-presidente Marco Antonio Magnata, em entrevistas, deixou clara sua insatisfação com o trabalho do técnico. Motivos: a política equivocada de contratações e a aversão a jogadores prata-da-casa. A levar em conta as afirmações do dirigente, o treinador não deve voltar ao clube para a próxima temporada.

Sob o reinado de Fernandes, o Remo contratou jogadores que praticamente nem foram utilizados, como Danilo Lins, Régis e Negretti. Não deu chances ao meia-atacante Robinho e a Rafael Paty, artilheiro do Parazão, e autorizou a saída do lateral Rodrigo Fernandes para o Icasa em momento importante da competição.

Ao mesmo tempo, Fernandes mostrou-se contrário ao aproveitamento das revelações do clube. Deixou de lado Igor João, Rodrigo, Yuri, Ameixa, Jonathan, Alex Ruan, Sílvio e Tsunâmi. E até Roni, melhor atacante do futebol paraense na temporada, esteve a pique de ser barrado.

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