Coluna do Gerson Nogueira – 25.10.14

25 de outubro de 2014 at 2:25 pm Deixe um comentário

Com cautela, mas nem tanto

Um dia antes da grande eleição, uma decisão empolgante vai concentrar a atenção de pelo menos metade da população do Pará. O Papão, vencendo por 2 a 1, disputa com o Tupi-MG o segundo tempo do cruzamento de 180 minutos. A vantagem no placar é expressiva, pois permite ao representante paraense planejar uma estratégia cautelosa, mas que pode se transformar em ousadia a depender do andamento do jogo.

A cautela, por sinal, é um item importante em decisões como a de hoje. Os técnicos muitas vezes exageram nas preocupações defensivas e acabam, involuntariamente, submetendo suas equipes à pressão do adversário. Essa tentação costuma ser mais forte nos visitantes. Fecham-se com unhas e dentes, mas acabam por atrair o ataque inimigo para dentro de seu campo de defesa, com consequências geralmente desastrosas.

Mazola Junior é um técnico rodado, sabe muito bem dos limites de seu grupo de jogadores e tem se revelado um especialista em armar esquemas sólidos na marcação. Foi assim que conseguiu ser finalista em duas das competições que disputou no comando do Papão, o Campeonato Paraense e e a Copa Verde.

Com três zagueiros – Charles, Lombardi e Pablo –, Mazola pretende dar ainda mais força à retaguarda, pois terá pelo menos em quantidade um cinturão defensivo bem consistente. Como seus jogadores assimilam bem suas orientações quanto a combater e proteger a defesa, o setor de marcação do meio-de-campo tem importância decisiva na maneira de jogar do Papão.

Sem os titulares Augusto Recife e Zé Antonio, Mazola viu-se obrigado a apostar em Lenine e Ricardo Capanema. O dado positivo é que Capanema e Lenine têm treinado como dupla há algum tempo, o que elimina o problema do desentrosamento. Em relação a Recife e Zé Antonio, o prejuízo diz respeito muito mais ao primeiro, um bom passador e que assumiu papel de protagonista no time. Virou ponto de equilíbrio e responsável pela transição entre defesa e ataque.

Com Lenine, Mazola compensa um pouco a perda, pois o baiano é um volante que combate, mas sabe sair de seu campo. Capanema fica mais fixo. Para executar a ligação, segundo a escalação divulgada ainda na quinta-feira, o escolhido é Héverton.

Ainda às voltas com problemas físicos, Héverton não jogou bem contra o Tupi na primeira partida e acabou substituído por Marcos Paraná. A virtude maior do ex-meia-atacante da Portuguesa é a capacidade de finalização. Em várias ocasiões na temporada, Héverton surgiu como elemento surpresa, aproveitando espaços mínimos para se insinuar no ataque.

O ataque vai contar com Pikachu no papel de ala avançado pela direita, mais a dupla Bruno Veiga e Ruan. Mesmo com o pecado de se manter longe da área, os dois se movimentam muito e permitem variações de jogadas que podem casar bem com a velocidade de Pikachu.

Pelo que se viu no confronto inicial, Ruan vai atuar junto ao meio-campo, quase como um quarto homem no setor. É a partir dali que ele poderá ser lançado para manobras de contra-ataque. São projeções baseadas no histórico do Papão sob a direção de Mazola, mas nada impede que surpresas táticas venham a ocorrer.

Vale dizer que, há dois anos, quando o Papão conquistou o acesso à Série B, o técnico Lecheva abraçou uma tática ousada no segundo jogo contra o Macaé, lançando-se ao ataque nos primeiros 15 minutos. A estratégia intimidou o adversário e deu ao time paraense a confiança necessária para se impor em campo. É claro que a opção ofensiva naquela tarde foi possibilitada pela vantagem maior obtida no jogo de ida – 2 a 0 –, mas não deixou de ser uma corajosa atitude por parte do treinador.

Uma seleção de alma estrangeira

Quando a Seleção Brasileira é formada apenas por jogadores que atuam no exterior irrompe de imediato a constatação de que o Brasil bom de bola é realmente algo que só se encontra nos registros do passado. A característica dos jogadores convocados por Mano Menezes, Felipão e agora Dunga é a mesma. Todos correm bastante, marcam com denodo, mas criam pouquíssimo.

Até mesmo os homens de meio, como Oscar e William, são pouco afeitos ao jogo de dribles e lançamentos. Jogam muito mais no velho um-dois, tocando rápido e curto. Qualquer expectativa a passes mais longos se frustra na primeira jogada. Foi assim na Copa do Mundo e é pouco provável que o cenário venha a mudar.

E o motivo é bem simples. Todos os jogadores, incluindo ainda Fernandinho, Lucas e Luiz Fernando, tiveram parte de sua formação completada sob influência da escola europeia. Trabalham há anos com treinadores que não admitem mudanças ou improvisos no posicionamento dentro de campo.

Quem se mete a discordar, perde espaço. Com Dunga a prosa é mais ou menos parecida, o que faz com que se sintam à vontade e repitam o joguinho básico de sempre. Eficiente, às vezes. Sem brilho, sempre.

Oposição promete dar CT ao Leão

Na movimentada campanha eleitoral remista, uma informação causou impacto na sexta-feira. A chapa de oposição, capitaneada por Pedro Minowa e Henrique Custódio, anunciou ter conseguido viabilizar o sonhado centro de treinamento, item sempre problemático na agenda dos clubes paraenses.

Pelas palavras de Henrique Custódio, o CT do Remo finalmente vai se tornar realidade, mesmo que a oposição não vença a eleição direta de 8 de novembro próximo.

De uma só vez, duas boas notícias: a obra anunciada e a disposição de doação ao clube, independentemente de interesses particulares. A conferir.

Pela democracia

Uma vibrante festa democrática para todos, amanhã.

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