Coluna do Gerson Nogueira – 27.10.14

27 de outubro de 2014 at 10:56 am Deixe um comentário

O equilíbrio perfeito

Foi bem mais fácil do que se presumia. Com autoridade e uma impressionante frieza, o Papão conseguiu a proeza de derrotar o Tupi dentro de seus domínios, tornando ainda mais meritória a conquista da vaga à Série B. O triunfo de sábado à tarde remeteu, pelo arrojo e capacidade de decisão, a outros feitos históricos, como as conquistas da Série B, Copa dos Campeões e o acesso de 2012. Por tudo isso, a festa que a torcida alviceleste continua a fazer é mais do que justificada.

Sem seu principal jogador de meio-campo, o volante Augusto Recife, o técnico Mazola Junior armou um 3-5-2 com mobilidade, completando-se com a proteção dos volantes Ricardo Capanema e Lenine. Todos os demais setores funcionaram muitíssimo bem, mas a estrutura defensiva esteve impecável. O ataque do Tupi só conseguiu levar a melhor em uma oportunidade, na metade do segundo tempo, quando o atacante Chico antecipou-se aos zagueiros e cabeceou uma bola na trave.

No resto do tempo, a forte presença dos defensores do Papão inibiu as tentativas do Tupi, que viu seu melhor jogador, Ewerton Maradona, obrigado a buscar o jogo na intermediária e no lado esquerdo do campo para fugir à marcação. Como se afastou muito da área, não conseguiu se conectar com os atacantes. Esta foi uma das causas do fracasso dos donos da casa na busca pelo gol.

Ao longo dos primeiros 45 minutos, o jogo teve altos e baixos dos dois lados, ficando excessivamente preso à marcação. O Tupi atacava com quatro, às vezes até cinco homens, mas de maneira desordenada. Nervoso, o time errava passes e desfazia a boa imagem deixada no jogo de ida, em Belém.

Tranquilo, o Papão se postava no campo de defesa, mas não retrancado. Ágeis nos desarmes, Lenine e Capanema recuperava praticamente todas as bolas nas investidas do adversário. Apesar desse bom desempenho inicial, o time errava passes e deixava de aproveitar corretamente os deslocamentos de Bruno Veiga e Ruan lá na frente.

Ainda assim, nos instantes finais do primeiro tempo, Pikachu teve boa oportunidade. O time começava a acertar nos contra-ataques.

Na segunda etapa, o Tupi veio mais disposto a atacar, pressionando quase o tempo todo. Essa postura serviu para destacar ainda mais a atuação dos zagueiros e volantes do Papão. Com o cuidado para não cometer faltas junto à área, os defensores conseguiam neutralizar bem os avanços de Chico, Douglas e Maratona. Quase na metade dessa etapa, o técnico Léo Condé botou em campo o veterano Ademílson.

Pikachu jogava bem aberto, quase como um legítimo ponta e aproveitava as bolas roubadas no meio para lançar Bruno Veiga e Ruan. Héverton, pouco participativo na criação, ajudava a reforçar a marcação.

Um lance rápido, após roubada de bola na intermediária, deu bem a medida do eficiente bloqueio armado por Mazola. Lenine recuperou a bola, passou a Ruan antes da linha de meio-campo. Com Pikachu e Veiga abertos pelos lados, acompanhando Ruan, a defesa do Tupi ficou inteiramente aberta e o zagueiro Wesley Ladeira foi obrigado a matar a jogada, sendo expulso.

Com mais liberdade para o ataque bicolor, instantes depois nasceria a jogada mais bonita da tarde. Lançado pela esquerda, Ruan dominou a bola, livrou-se da marcação e tocou na saída do goleiro Rodrigo. O gol por cobertura premiou em grande estilo a atuação taticamente perfeita de toda a equipe.

Ruan, por essa rigidez das regras esportivas, foi expulso ao comemorar seu gol. Sempre achei essa punição inteiramente burra, pois cassa o direito à alegria espontânea. Mas isso pouco importou, pois o acesso já estava nas mãos do Papão.

Fortaleza emocional decidiu a parada

Além do desprendimento dos jogadores e da obediência às orientações do treinador, o Papão venceu em Juiz de Fora porque foi a equipe mais preparada emocionalmente. Entrou ciente das dificuldades e procurou se agarrar ao resultado que lhe interessava. Sempre concentrado no objetivo, o time correu pouquíssimos riscos, procurando explorar ao máximo a ansiedade dos jogadores do Tupi.

À medida que o jogo avançava, ficava clara a tensão por parte dos donos da casa, agoniados com a demora em chegar ao gol. O Papão, por sua vez, ostentava um comportamento sereno e confiante.

O desempenho técnico do Tupi, abaixo do que normalmente a equipe apresentou na Série C (tinha a segunda melhor campanha do torneio), teve muito a ver com a fortaleza emocional exibida pelo Papão.

Prova, mais uma vez, de que futebol é, acima de tudo, uma questão de cabeça.

Pressão sobre o maior rival

Sempre que um dos rivais se sobressai, conquistando título ou acesso, significa uma alta carga de pressão sobre o outro. Isto é comum a toda e qualquer rivalidade futebolística. No Pará não é diferente. A partir de sábado, a responsabilidade dos dirigentes remistas redobrou em intensidade. A exigente torcida azulina aumentará ainda mais o volume das críticas e exigências por um bom papel do clube em 2015.

Significa que, além de encerrar o ano em êxtase, com possibilidade real de conquistar ainda mais um título nacional, o torcedor do Papão vai poder se deliciar com o infortúnio do velho rival, que fecha 2014 novamente na condição de “sem divisão”.

Um lisboeta nascido no Nordeste

E que sotaque é aquele do alagoano Pepe, famoso pelas bordoadas que aplica em adversários e que marcou um gol no clássico Real x Barça? Em poucos anos como português naturalizado, o beque nordestino fala hoje como se fosse um legítimo cidadão lisboeta. De impressionar.

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