Coluna do Gerson Nogueira – 24.11.14

24 de novembro de 2014 at 4:37 pm Deixe um comentário

Uma final eletrizante

Foi um duelo vibrante, como deve ser uma verdadeira decisão de campeonato. Um dos melhores jogos da temporada em Belém. Emoção do começo ao fim. Basta dizer que o Papão esteve com o título nas mãos por quatro vezes (0 a 0, 1 a 0, 2 a 1 e 3 a 2) no jogo, mas o Macaé soube buscar o empate que lhe interessava. Ao Papão cabe valorizar a conquista do acesso, galardão mais importante até do que a taça de campeão.
Contra a aplicação bicolor, o time fluminense usou doses pontuais de eficiência, organização e valentia. O técnico Josué Teixeira parece ter estudado bem o Papão. Percebeu, como poucos nesta Série C, que Pikachu não pode dispor de um corredor aberto à sua frente.
Além de limitar os passos do mais talentoso jogador do Papão, adiantou seu meio-campo para reduzir a movimentação dos volantes paraenses. O expediente deu certo e duas belas chances foram criadas antes dos 15 minutos.
Com objetividade e o entusiasmo transmitido pelos 38 mil torcedores, o Papão conseguiu superar as dificuldades iniciais e aproveitou a única chance que teve no primeiro tempo. Aírton escapou pela esquerda, o lado mais desprotegido da zaga do Macaé, para cruzar no ponto futuro. A bola foi encontrar Zé Antonio. O cabeceio fulminante abriu o placar aos 17 minutos e deu a ilusão de que metade da batalha estava vencida.
O Macaé não se abalou. Errava poucos passes e envolvia seguidamente a marcação no meio-campo. Josué manteve a mesma distribuição de jogo e deu tempo ao tempo. O time mandou uma bola na trave, com Marquinhos, e perdeu um gol incrível com Juba, mas conseguiu empatar aos 44 minutos. Em cobrança de escanteio pela esquerda, João Carlos cabeceou para empatar.
Quando o jogo recomeçou no segundo tempo, a energia positiva do torcedor voltou a funcionar. O Paissandu avançou suas linhas e voltou a ficar em vantagem logo aos 7 minutos. Ruan trocou passes com Bruno Vieira e avançou até a área, de onde bateu forte e cruzado. Milton Rafael pulou atrasado e a bola entrou. O gol incendiou o Mangueirão.
Frio e calculista, fisicamente mais forte, o Macaé mantinha suas esperanças e seguia fazendo o seu jogo particular, de toques curtos e tentativas pelas extremas. Quando Mazola tirou Lenine e lançou Rômulo, o time ficou com apenas dois volantes. Josué não perdeu tempo: deslocou Diego para a meia-cancha, para ficar ao lado de Marquinhos. Acertou em cheio. Aos 13 minutos, em jogada de ambos, a bola foi à linha de fundo e depois cruzada para a finalização certeira de João Carlos.
Pela primeira vez o silêncio caiu sobre o estádio. A conquista do título estava ameaçada e Mazola botou Djalma no lugar de Ricardo Capanema, para aumentar o poder de fogo do time. E seria o próprio Rômulo o responsável por nova explosão da torcida no Mangueirão. Aos 23 minutos, em jogada de Pikachu pela direita, Rômulo recebeu o passe entre os zagueiros e tocou de letra, surpreendendo a todo mundo. Um golaço.
Ninguém se sentia tranquilo, apesar da vantagem. O jogo era tão tenso que qualquer coisa podia acontecer. E aconteceu. De repente, uma escapada rápida pela direita, envolvendo Juba, Marquinhos e Diego, pegou desprevenida a defesa paraense. Diego avançou livre e bateu rasteiro na saída de Paulo Rafael. A bola passou por baixo do goleiro, aos 33 minutos, decretando o empate em 3 a 3.
A partir daí, entregue ao desespero, o Papão lançou-se à frente. Mas a pressão era toda através de chutões e ligações diretas, facilitando o bloqueio da alta zaga do Macaé. As últimas oportunidades de gol pertenceram ao visitante, que quase marcou o quarto gol em cobrança de falta que acertou o travessão de Paulo Rafael, aos 47.
O empate foi justo, nas circunstâncias, e a conquista do Macaé é inquestionável. Depois do apito final, a torcida reconheceu os méritos do visitante, aplaudindo os campeões. Gesto que atesta a evolução do torcedor paraense.

Baixas afetaram o desempenho bicolor

No fim das contas, ficou a sensação de que a sorte que foi parceira do Papão desde a classificação na primeira fase decidiu abandoná-lo no momento decisivo. Sem dois jogadores fundamentais – Charles e Pablo – também foi infeliz nas substituições durante a final. Na comparação direta com Djalma, Lenine não devia ser o titular, mas entrou jogando e pouco contribuiu no jogo.
Pelo Macaé, Josué Teixeira driblou a perda de jogadores também importantes (Romário e Jonathan) sabendo usar bem as peças disponíveis. Gedeil, que desfalcou a equipe na primeira partida, reapareceu dando consistência ao setor de proteção.
Dos grandes nomes da final, João Carlos foi o maior. Seus companheiros Diego, Douglas Assis e Marquinhos também se destacaram.
No Papão, Zé Antonio foi o melhor. Paulo Rafael, Lenine e Reiniê ficaram devendo.

Cinco observações sobre a final

1) Balbúrdia no trânsito, avacalhação na entrada do estádio, desespero dos torcedores. Até o presidente eleito do Papão, Alberto Maia, observou, alarmado, que a Semob não deu as caras. Belém, como se sabe, não tem governo, nem ordem. Um evento de grande porte não pode prescindir do trabalho e da atenção dos órgãos municipais.
2) Falta de batedores para o ônibus da delegação do Macaé foi falha inadmissível. O futebol requer organização e, principalmente, mais respeito pelos visitantes. Por conta disso, o jogo sofreu atraso de 30 minutos.
3) O técnico Josué Teixeira mostrou qualidades. Instigou positivamente seus jogadores a partir do episódio do atraso e foi preciso nas mexidas, superando o desmanche parcial do seu elenco.
4) A informação oficial é de que no Mangueirão só estavam 38 mil torcedores. Ou venderam mais ingressos do que o permitido ou as arquibancadas sofreram encolhimento drástico. Estádio estava apinhado de gente.
5) Alguns bons valores do time campeão encaixariam bem nos nossos dois grandes: Lucas, Gedeil, Marquinhos, Diego e João Carlos.

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