Coluna do Gerson Nogueira – 28.11.14

28 de novembro de 2014 at 5:02 pm Deixe um comentário

Nova trapalhada do STJD

Vandick Lima, presidente do Papão, afirmou que nunca mais vai assumir cargo no futebol profissional. O futuro presidente, Alberto Maia, foi na mesma direção, mostrando-se indignado com a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que por maioria de votos deu ao Brasília o título da Copa Verde.
Imagino que os dois dirigentes já estivessem esperando um resultado adverso, tal a demora do tribunal em deliberar sobre assunto tão polêmico. A decisão chegou com sete meses de atraso em meio, agravando a crise de credibilidade que domina a Justiça Desportiva no Brasil. Ficou evidente a influência política no caso.
Criado para mediar conflitos, o STJD tornou-se um grande equívoco. Ao invés de promover justiça, provoca confusão. Pessoalmente, tenho resistência a decisões de juízes que alteram resultados de campo, mas se existem normas jurídicas a regular o futebol entendo que devem ser respeitadas.
No ano passado, o tribunal ficou no olho do furacão ao punir a Portuguesa, que escalou um jogador irregular (suspenso disciplinarmente). O clube alegou não ter sido comunicado sobre a situação do atleta, mas o STJD se manteve inflexível. A decisão provocou a queda automática da Lusa.
Desta vez, ao contrário, a corte acatou como atenuante em favor do Brasília o fato de a CBF admitir suposta falha técnica no sistema de atualização do BID. Tal erro teria suprimido do boletim os nomes dos quatro atletas do clube candango, justamente às vésperas da partida final da competição contra o Papão.
O absurdo é que, graças a essa informação, a argumentação da defesa foi acatada e o Brasília saiu vencedor da Copa Verde na votação do Pleno do STJD. Em resumo, o critério valeu para o Brasília, mas não para a Portuguesa.
São incontáveis os casos que atestam a balbúrdia reinante no STJD, com efeitos lesivos a vários clubes – principalmente os menos poderosos politicamente –, sem que nenhuma providência seja adotada para corrigir esse despautério. Os europeus resolveram isso com cortes que decidem rapidamente, sem direito a contestações ou batalhas judiciais.
No circo brazuca há sempre espaço para arranjos. Ontem, o Corinthians contou com a extrema boa vontade dos juízes quanto ao caso do jogador Petros, cuja regularização era questionada. Em caso de punição, o clube paulista perderia quatro pontos, perdendo a vaga à Copa Libertadores.
Nenhuma novidade. Em querelas envolvendo os chamados grandes, o tribunal costuma ser muito compreensivo. O rigor tribunalesco só é particularmente impiedoso contra clubes sem força política e representados por federações inexpressivas e omissas.
Vítima das posições atrabiliárias do tribunal, ao Papão resta seguir lutando em campo para alcançar conquistas e títulos. E, é claro, rezar para não depender jamais da capacidade de discernimento dos auditores do STJD.

Sobre a grande festa mineira

Não foi a final exuberante que se esperava. Talvez a gente esteja se acostumando mal com finais da Copa do Brasil, sempre muito interessantes de ver. O jogo que definiu a grande conquista do Atlético-MG, anteontem, foi pouco mais que mediano. Disputado palmo a palmo, como todo clássico entre rivais diretos, mas inferior a vários outros do próprio Galo na competição.
Um motivo contribuiu decisivamente para certo esfriamento da final mineira. Ao contrário do Galo, sempre intenso, o Cruzeiro não jogou. De ressaca pelo título da Série A, ganho no domingo, o time estrelado até se esforçou, mas não conseguiu entrar no clima da decisão.
Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Marcelo Moreno, o trio de ouro do bicampeão brasileiro, parecia desplugado. Moreno corria feito louco, mas a bola não chegava. Tudo porque Ribeiro e Goulart, responsáveis pela criação de jogadas, também não viram a cor da bola.
Nada que diminua os méritos do Galo, é bom que se diga logo.
Para superar o melhor time brasileiro da atualidade, Levir Culpi armou uma estratégia interessante. Depois de arrancar a vitória no jogo diante de sua torcida, estabelecendo vantagem de 2 a 0, ele foi à Arena Mineirão com um plano diferente. Inverteu as expectativas, lançando-se ao ataque desde o começo.
Criou três grandes chances antes de chegar ao gol, no penúltimo minuto do primeiro tempo. Para isso, teve uma defesa impecável, um lateral direito (Marcos Rocha) firme, dois atacantes de excelente movimentação (Tardelli e Maicosuel) e uma cabeça pensante no meio: Dátolo.
O meia-armador argentino foi o nome do jogo, organizando o Galo na intermediária e participando ativamente das ações ofensivas. Foi dele o cruzamento perfeito para o gol de Tardelli e vários passes de média distância que confundiam a marcação cruzeirense. Ainda encontrou tempo para mandar uma bola na trave de Fábio em cobrança de falta aos 30 minutos da etapa final.
Além de Dátolo e Tardelli, o Galo deve muito ao comando firme e sereno de Levir Culpi. Dos técnicos em atividade no país é, disparadamente, o mais esclarecido e sincero nas posições que assume. Título merecidíssimo.

Direto do blog

“Para mim a Copa Verde já era página virada, eu não tinha esperança nenhuma, e acho que foi feito justiça no resultado dentro de campo, se existia irregularidades e levaram quase 9 meses para julgar é porque o resultado do gramado não iria ser modificado.
Mas, águas passadas… Bola para frente, a vida segue o seu rumo. 2015 está à porta e o planejamento tem que ser executado com a maior rapidez possível, pois agora, pelo menos de direito, somos um time de série B, e temos a obrigação de ser o protagonista em todos os eventos.
Lembrando que seremos o único time de série B na Copa Verde, portanto, muito mais que obrigação será alavancar este título. No Parazão também somos o principal protagonista. Não aceito este papo de que clássico é clássico. O Paysandú tem que entrar em campo e ganhar o título, sem papo de fase final. É vencer (e vencer bem) os dois títulos e assim chegar na Série B forte e brigando para se manter, a exemplo do que fizeram Sampaio, Luverdense e Santa Cruz neste ano”.
Miguel Ângelo Carvalho, sobre a derrota do Papão no tapetão.

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