Coluna do Gerson Nogueira – 12.12.14

12 de dezembro de 2014 at 10:57 am Deixe um comentário

Um gigante enfraquecido

A 24 horas da eleição que deveria servir para botar o clube nos trilhos, o Remo se encontra mergulhado numa crise sem precedentes. Muito mais grave que a baixaria que domina a campanha eleitoral é a percepção, cada vez mais clara, de que a centenária agremiação de Evandro Almeida perdeu suas referências políticas.

Houve um tempo em que as campanhas eram igualmente baixas e inflamadas, mas sempre havia um grupo de grandes nomes, que se encarregava de apagar as labaredas e cuidava de restaurar a normalidade.

Isso não existe mais.

O Remo de hoje, prestes a realizar sua primeira eleição direta, está rachado pelo antagonismo feroz entre duas chapas que não representam o conjunto de associados e, obviamente, estão longe de preencher os anseios da imensa legião de torcedores.

Na prática, mesmo que isto não seja dito em voz alta, é uma disputa entre candidatos de grupos emergentes na estrutura do clube. E aí o cidadão mais distraído com o rumo da prosa há de perguntar: onde estão os verdadeiros segmentos políticos remistas? Aparentemente, estão desinteressados da refrega eleitoral e se limitam a acompanhar de longe o tormentoso processo.

A nostalgia é inevitável. Em outros tempos, grandes beneméritos já teriam se movimentado para assumir as rédeas do processo, aplacando as iras e puxando as orelhas dos mais exaltados.

Os últimos lances da campanha têm sido bem reveladores da ausência de uma instância maior no clube, capaz de exercer o papel de reserva moral, acima das disputas entre chapas. Longe de buscarem meios para ajudar a reerguer a instituição, os dois lados se empenham num confronto sangrento, com golpes baixos e que ameaçam a governabilidade do vencedor da eleição.

Denúncias de irregularidades na lista de votantes ampliam o repertório de problemas de uma eleição que foi impugnada da primeira vez, há um mês, por erros primários na organização da votação. A ação judicial que denuncia a ilegalidade de novos sócios, movida pela oposição, pode tornar até sem valor a eleição de amanhã.

Depois de tanto esforço para eleger seu novo presidente, o Remo pode ter a frustração de vir a conhecer o novo mandatário pela via judicial. Além das incertezas que a situação provoca, há a questão prática de que o planejamento do futebol para 2015 está seriamente afetado pelo retardamento da eleição.

Sem técnico e com elenco reduzido, o Remo corre o sério risco de chegar ao campeonato estadual – sua primeira competição em 2015 – sem um time pronto para estrear. Alguém precisa se preocupar com isso.

No país das aparências

A notícia de que o técnico Tite será confirmado pelo Corinthians até o fim de semana só não é mais surpreendente porque diz respeito ao futebol brasileiro, cuja gestão é por natureza incoerente e destrambelhada. Só no Brasil um clube demite um treinador, aparentemente por motivos inconciliáveis, e o recontrata uma temporada depois, ganhando bem mais.

Quando deixou o Corinthians, Tite desfrutava da condição de técnico mais bem pago do país, com salários mensais em torno de meio milhão de reais. Volta em alta agora, depois que o clube dispensou os serviços de Mano Menezes. Como se nada tivesse acontecido, Tite parece ter esquecido as circunstâncias de sua saída. Embolsará R$ 700 mil, segundo informam os jornais paulistanos.

A sem-cerimônia com que os grandes clubes brasileiros movimentam altas somas é outro ponto a desafiar a lógica. Além de concordar em dar a um técnico quase o mesmo que gigantes como Manchester United, Bayern e Real Madri pagam a seus comandantes, os clubes ainda se engalfinham em negociações cansativas pelo direito de trazer os mais caros profissionais.

O Corinthians não é o único. Integra um seleto rol de clubes que parecem se vangloriar pelo fato de pagarem salários europeus a treinadores de nível limitado e que só encontram mercado tão risonho no Brasil ou na Arábia.

A valente resistência argentina

Enquanto por aqui os clubes fingem nadar em prosperidade, nos demais países sul-americanos campeia uma realidade inteiramente diversa. Nem a Argentina vice-campeã mundial está imune a um cenário de forte pindaíba. Seus maiores times padecem da falta de patrocínio e sobrevivem com dificuldades, dependendo da comercialização de seus melhores jogadores.

Apesar da iminente quebradeira, não se pode esquecer que o momento é altamente favorável ao futebol argentino em comparação com o nosso. Conseguiram passar por cima de mazelas bem conhecidas, como a corrupção da cartolagem e a bagunça administrativa, para manter o protagonismo no continente.

Seus times conquistaram a Libertadores e a Copa Sul-Americana, além de a seleção ter feito bonita jornada em campos nacionais na Copa do Mundo, culminando com a ida à grande final no Rio de Janeiro. Não ganharam, mas participaram da festa em grande estilo, ao contrário do time de Felipão.

Ainda assim, a fragilidade econômica do futebol argentino só é hoje compensada pela paixão sem limites das torcidas, cujos espetáculos continuam nos causar inveja. Foi assim, por exemplo, anteontem, quando o River Plate derrotou o Atlético Nacional e festejou o título da Sul-Americana.

Metade do valente time de Gallardo pode tranquilamente tomar o rumo de clubes brasileiros, pois os salários que são pagos aqui superam em muitos dígitos os que são praticados lá. É questão apenas de escolher e partir para a pressão direta.

Desmanche total no Alvinegro

O Botafogo dispensou o técnico Vagner Mancini, o gerente Wilson Gottardo e 17 jogadores. A nova diretoria encontrou os seus culpados para o desastre da temporada. Seria maravilhoso se não fosse trágico.

Com tantas demissões de uma só tacada, o Botafogo se verá obrigado a reconstruir um time na marra. Sem dinheiro e sem credibilidade na praça.

A fúria dos novos dirigentes só poupou o principal responsável pela tragédia alvinegra: o ex-presidente Maurício Assumpção, executor impune do projeto de rebaixamento à Série B.

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