Coluna do Gerson Nogueira – 17.01.15

17 de janeiro de 2015 at 2:04 pm Deixe um comentário

Será que a fonte secou?

Com a nostalgia própria dos românticos, costumo dizer aos meus filhos que o brasileiro é o fã de futebol mais difícil de ser agradado. Também pudera. Aqui floresceu a mais genial confraria de craques da história do esporte. Metade daquela seleção de todos os tempos que a Fifa ou algumas revistas europeias de vez em quando gostam de escolher tem DNA brazuca.
Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Tostão, Gerson, Rivelino, Jairzinho e Ronaldo Fenômeno estão sempre ali entre os mais votados e citados. Não há nenhum outro país com tamanha variedade de craques para entrar nessa seleção ideal.
É claro que o tempo é implacável, principalmente com a memória crítica das pessoas e vamos combinar que a última década abalou muito as convicções sobre o valor do futebol que o Brasil legou ao mundo.
A situação comporta quinhões de culpa de muita gente, embora seja possível dizer que a origem maior do problema está lá na base, onde os jogadores são descobertos e as joias são buriladas. Faz algum tempo já que os efeitos perversos da má formação se fazem notar nos gramados brasileiros.
A formação deficiente dos atletas é uma realidade nacional há décadas, desde os tempos de Perácio e Pirilo, mas suas consequências só passaram a representar graves prejuízos nos últimos anos quando a produção de craques já não é tão farta como no passado.
Foi preciso um choque elétrico de alta magnitude, como aquela surra inominável diante da Alemanha na Copa, para que a maioria das pessoas se conscientizasse da terrível entressafra de jogadores que assola o país do futebol. Até então prevalecia o pensamento generalizado de que brasileiro é bom de bola e resolve a parada sem temer adversário.
Quando Kroos, Müller e seus colegas puseram o escrete de Felipão na roda a história passou a ser vista com outros olhos. Antes tarde do que nunca.
Acontece que o espetáculo tem que continuar e, ao mesmo tempo, o mundo tem pressa e avidez por novos artistas da bola. A existência luminosa de dois supercraques como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo dominando a cena só acentua a indigência do jogo que se pratica no Brasil.
Vem daí o grande desafio dos técnicos e jogadores em ação por aqui. Precisam entender que não há mais o conceito de ilha, comum nos anos 60 e até meados de 80, quando o que ocorria no Brasil era o que bastava para o torcedor.
Hoje, no mundo embalado pela instantaneidade proporcionada pelas plataformas on-line, o conceito de globalização do futebol é mais que uma digressão teórica. É um fato. E o que conta para o torcedor é o que ele vê se desenrolar nas lotadas arenas do rico futebol europeu.
Lá, diante de torcidas cada vez mais exigentes, desfilam futebolistas do mundo inteiro. Na cultuada Champions League as nacionalidades desafiam as quase caducas barreiras clubísticas. Curiosamente, com exceção de Neymar, os brasileiros que merecem ainda algum relevo são todos zagueiros ou meio-campistas defensivos.
Sinal atordoante de que é justificada a insatisfação nacional com as peladas domingueiras do Campeonato Brasileiro. Com o fator agravante de que aqui, como na Europa, poucos nativos são protagonistas. Os melhores e mais criativos meias são argentinos – Conca, D’Alessandro, Dátolo – e os atacantes mais produtivos são o peruano Guerrero e o boliviano Marcelo Moreno.
Sem perspectivas de mudanças imediatas no cenário desolador, chega-se à conclusão de que o nosso maior problema é conviver eternamente com a consciência do passado glorioso e a desconfiança de que a fonte secou.

Quando o treino supera o jogo

Chamou atenção durante a semana uma frase meio despretensiosa do atacante Müller, do Bayern de Munique, avaliando que muitos treinos do time alemão são mais difíceis do algumas partidas da Champions League. Não foi um comentário arrogante, apenas realista.
O Bayern reúne hoje alguns dos maiores craques do planeta e tem no comando do time aquele que é talvez o mais cerebral dos técnicos em atividade. Pep Guardiola.

Direto do blog

“O governo fechou patrocínio do campeonato paraense de futebol, mais uma vez. Em troca de mais de 800 mil reais, transmitirá jogos do certame. Clubes de futebol são entidades privadas. Arrecadam muito dinheiro por semana. Contratam times inteiros e depois não dão resposta sobre a administração do dinheiro a ninguém. Para entrar com tamanha soma, o governo deveria participar do planejamento do campeonato. Exigir das prefeituras das cidades o compromisso de estádios, mesmo que pequenos, absolutamente preparados para receber os jogos. Gramados impecáveis, arquibancadas, segurança. Deveria incentivar o turismo no Estado, oferecendo pacotes com meio de transporte, hotel e ingressos.
Deveria exigir um número x de atletas paraenses em cada equipe, como incentivo aos valores locais. Deveria transmitir para Belém um jogo que estiver sendo disputado fora da cidade. Assim, usaria o futebol como fator de integração. Arrecadaria impostos, alimentaria o Turismo. Aí dá para entender esses mais de 800 mil reais. Se não for assim, creio que cada um de nós pode pleitear um dinheiro do governo para fazer o que quiser e pronto, não é? Inimaginável é essa ignorância que atordoa. O Estado dá um dinheiro que é nosso e pronto. Tudo de maneira amadora, menos o dinheiro. Pode?”.

Por Edyr Augusto Proença (via Facebook), analisando a renovação do contrato entre o Governo do Estado e os clubes.

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