Coluna do Gerson Nogueira – 06.02.15

6 de fevereiro de 2015 at 1:58 pm Deixe um comentário

Boto surpreende o Papão

A segunda rodada do turno começa a se desenhar como a mais trepidante da competição. Depois da derrota azulina em Tucuruí (fato nem tão surpreendente assim), eis que o bravo Tapajós dobra o Papão da Curuzu, que já começava a despontar como grande favorito desta fase após a goleada aplicada ao Gavião em apenas 45 minutos.
O futebol tem dessas coisas que garantem o seu fascínio incontestável. Quando se começa a acreditar muito em algumas evidências, bate uma pancada de vento e muda todas as convicções. Até ontem, com base na já citada acachapante vitória na estreia, ninguém botava em dúvida a capacidade que o Papão tinha de ir a Santarém e trazer mais três pontos.
Fato amplificado pelas dificuldades vividas pelo representante tapajônico, que até a quarta-feira tinha apenas 12 atletas regularizados para a partida, além de quatro lesionados, um suspenso e um atacante (Wélton) liberado para ir jogar em Portugal.
Foi a bola rolar e todas as cartas se misturaram. O Papão esbarrou na firme determinação dos defensores do Tapajós, exercendo eficiente marcação a partir da linha de meio-campo. Rogerinho usava de toda a sua habilidade para tentar mudar o panorama, buscando alguns lances individuais para furar o bloqueio, mas o fato é que os bicolores pareciam não esperar tamanho grau de dificuldades no Barbalhão.
Do lado tapajônico, Wendel regia a orquestra, com simplicidade e alto sentido coletivo. Rápido no estilo e na maneira de pensar, o camisa 10 lançava seus companheiros e ditava o ritmo na meia-cancha. Sempre de cabeça erguida, como rezam os manuais de etiqueta do futebol.
A ajudá-lo um trio igualmente ágil: Moisés, Adriano Miranda e Patrick. Na ala, Felipinho, um velocista que pensa. E foi justamente o quinteto citado, mais o goleiro Jader, o responsável pelo justo triunfo do Boto santareno.
O gol logo aos 13 minutos (Patrick) premiou a distribuição de jogo e a ousadia do Tapajós. A partir daí, a equipe adquiriu mais confiança, passando a correr ainda mais. Esteve perto de marcar pelo menos mais dois gols.
O técnico Sidney Moraes, tão surpreso quanto seus jogadores, demorou a fazer as mexidas que se impunham desde o primeiro tempo. Leandro Canhoto, que entrou bem, podia ter sido lançado antes mesmo do intervalo, tamanha era a confusão tática reinante no setor de criação. O empate obtido no início do segundo tempo (Dão, aos 9) trouxe a ilusão de uma reviravolta, mas o Tapajós seguiu mandando no jogo.
O ataque do Papão refletia a falta de aproximação dos setores. Apenas a movimentação de Pikachu (e Rogerinho, em menor intensidade) não foi suficiente para estabelecer uma ligação plena.
Diante disso, Leandro Cearense foi o principal prejudicado pelo isolamento. Perdido entre os zagueiros, pouco fez no primeiro tempo e sumiu de vez na etapa final. Bruno Veiga reapareceu, mas também foi vitimado pelas circunstâncias, embora tenha características que permitem recorrer a iniciativas individuais.
Enquanto os bicolores não se entendiam quanto à melhor maneira de enfrentar o dono da casa, o Tapajós foi lá e beliscou o segundo, com Júnior, aos 12 minutos. E esteve perto de fazer o terceiro, pecando no arremate final.
Um ponto deve ser considerado: ao contrário de outras jornadas, os volantes do Papão saíram pouco, permanecendo muito presos à proteção dos zagueiros. Um equívoco, pois nem protegiam e também não participavam da troca de passes mais à frente, na zona onde tudo se define.
Como recebem muitas bolas, os volantes não podem ficar distanciados dos meias e alas. É fundamental que saiam para o jogo e se ofereçam como opção, permitindo-se até aparecer como elemento surpresa diante de bloqueios defensivos bem armados, como o do Tapajós.
O lado positivo para o campeonato é que há um novo animal a participar da festa. Pelo destemor demonstrado, ninguém mais pode alegar desconhecer o Boto tapajônico.
A derrota do Papão pode ser analisada como um alerta para os que já davam o time como pronto e o elenco como ideal. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Direto do blog

“Uma vergonha. Bando de pencas, começando pelo treinador. Time sem padrão de jogo. O placar dessa partida era pra ser no mínimo com diferença de dois gols pro Tapajós. Ainda bem que dar tempo de cair na real e contratar jogadores que realmente venham fazer a diferença, pois este plantel dar pra tirar no máximo dois ou três jogadores para disputar a série B.”
De Fernandes Filho, decepcionado com o fraco desempenho do Papão no Barbalhão.

Quando a ressaca antecede a festa

A quinta-feira foi um dia de festa para os azulinos. O clube de Periçá completou 110 anos de fundação, marca que evidencia sua importância e peso no contexto do futebol brasileiro. Pena que os torcedores tenham amanhecido de ressaca pelo revés em Tucuruí.
Durante o dia, os boatos se multiplicavam quanto a mudanças em consequência do segundo tropeço e do quadro espinhoso que se desenha para o time no turno do Parazão.
Falou-se em dispensa de jogadores, renúncia de dirigentes e até na substituição de Zé Teodoro. Talvez em função da data especial nada disso se confirmou. Uma reunião tensa discutiu alguns pontos e sacramentou a permanência da comissão técnica.
Prevaleceu o entendimento de que, a essa altura, o recomeço da programação seria ainda mais danoso ao clube. Foi observada ainda a importância do compromisso diante do Rio Branco, marcando a estreia na Copa Verde.
O caminho é o da recuperação, mas algumas questões internas precisam de urgente alinhamento, sob pena de novos dissabores para a torcida azulina.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 06.02.15 CHUMBO GROSSO – Paulo Fernando – 06. 02. 15

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