Coluna do Gerson Nogueira – 22.02.15

22 de fevereiro de 2015 at 10:44 am Deixe um comentário

Entre o atalho e o abismo

Para os orientais, crises significam oportunidades. Avaliam que situações traumáticas trazem a chance de achar novos caminhos ou redirecionar rotas. Mesmo que alguns tentem diminuir o tamanho da encrenca, o fato é que a dupla Re-Pa está diante de uma encruzilhada inédita na história dos grandes clubes paraenses. Caso os gestores entendam a gravidade da situação, há uma boa possibilidade de que este seja o atalho para mudanças de vulto. Do contrário, pode ser o começo do fim.
Nem a terrível campanha do Remo em 2000 foi tão impactante quanto a eliminação dos dois rivais neste primeiro turno. Naquela temporada, os remistas cometeram erros pontuais, apresentando um time tão desentrosado como agora. Terminaram rebaixados, vindo a escapar da segunda divisão devido à virada de mesa pelo caso Leandrinho.
Desta vez, os dois gigantes foram abatidos logo de cara. Não houve tempo para mascarar os problemas nas escalações e as deficiências de condicionamento. Com todas as fragilidades táticas e técnicas expostas, os adversários, apesar de mais modestos em gastos e ambições, trataram de tirar proveito da situação e atropelaram a dupla.
O aspecto mais desconcertante é que, depois de muitos anos, todos os times desfrutaram de tempo razoável para preparar e treinar seus times. O mês de janeiro foi todo dedicado a isso. No entanto, quando a bola finalmente rolou, só os times do interior pareciam prontos.
São muitas as causas do fiasco, a começar pelo excesso de contratações. Com tantos jogadores novos chegando torna-se mais trabalhoso construir bons times. Por outro lado, é justo ressaltar os méritos dos emergentes, que contrataram menos e melhor. Souberam se estruturar com eficiência, mesmo com parcos recursos.
É preciso considerar também as aspirações de cada time na competição. O Remo, sem vaga na Série D, elege o campeonato como prioridade máxima. O Papão, mesmo disposto a conquistar o título estadual, mira o Parazão mais como um laboratório de preparação para a Série B.
Após três rodadas, as campanhas de ambos desmentem qualquer empenho prático em atingir esses objetivos. Nem o Papão conseguiu estruturar uma equipe visando a competição mais importante da temporada, nem o Remo se aproximou da aspiração à Série D.
Haverá ainda muito debate em torno do desastre e de suas consequências para o futebol paraense. O processo de decadência é mais do que explícito. Descobrir as maneiras de estancar a sangria é o mais complexo dos desafios – para todos os envolvidos, inclusive a imprensa esportiva.

Decisão na Arena da Floresta

Nem deu tempo de esfriar a cabeça. Depois de empatar com o São Francisco em Santarém, o Remo entra em campo neste domingo para uma nova decisão. Terá que garantir classificação à próxima fase da Copa Verde, jogando contra o Rio Branco na Arena da Floresta.
A vantagem azulina é razoável. Marcou 2 a 0 em Belém e joga por dois resultados – empate ou até uma derrota pela contagem mínima. O Rio Branco não é mais aquele Rio Branco de outros carnavais, mas é sempre um adversário tinhoso dentro de seus domínios.
O confronto é difícil e, para se classificar, o Remo terá que esquecer a má jornada no Parazão e corrigir os pontos que mais comprometeram sua vida no campeonato estadual: lentidão no meio-de-campo, buracos nas laterais e erros de finalização.

Champions e Libertadores: o valor da diferença

Caso alguém se dedique a medir a distância entre o rico futebol europeu e o cambaleante futebol sul-americano vai chegar à cifra de R$ 86 milhões como ponto de referência. É esta a diferença entre as premiações pagas pela Champions League e a Copa Libertadores.
A Uefa oferta R$ 100 milhões ao vencedor do maior torneio continental entre clubes. A Conmebol paga R$ 14 milhões ao campeão da Libertadores.
Curiosamente, a Champions só consegue movimentar cifras tão fabulosas graças ao talento de alguns sul-americanos ilustres, como Messi e Neymar.

Figo e o projeto para avacalhar a Copa

Ao longo da semana, ganhou espaço precioso na mídia esportiva mundial uma intempestiva declaração do português Luís Figo, candidato à presidência da Fifa. Preocupado em conquistar os votos do chamado terceiro mundo do futebol, o ex-atacante de Barcelona e Real Madri pisou feio na redonda.
Propôs a ampliação do número de participantes da Copa do Mundo de 32 para 48. É um ato que beira a irresponsabilidade. O glamour e a excelência do torneio seriam velozmente dissipados caso a infeliz (e eleitoreira) ideia de Figo fosse posta em prática.
Nos moldes atuais, a competição já se mostra extremamente ampla, conciliando interesses políticos em detrimento do bom futebol. Acrescentar mais 16 seleções à festa só serviria para comprometer a qualidade dos jogos.

Bola na Torre

O técnico Sidney Moraes (PSC) é o convidado do Bola na Torre deste domingo. Guilherme Guerreiro comanda o programa, com participações de Cláudio Guimarães e deste escriba de Baião. Começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 00h10.

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