Coluna do Gerson Nogueira – 08.03.15

8 de março de 2015 at 3:42 am Deixe um comentário

Fair play ou jogo de cena?

Que atleta profissional terá coragem de denunciar e levar seu próprio clube a perder pontos no campeonato? Este é talvez o ponto mais delicado do “fair play trabalhista” lançado nesta semana pela CBF para enquadrar os clubes que disputam as séries A e B do Campeonato Brasileiro. Em caso de atraso salarial, os clubes serão punidos com a perda de pontos, desde que denunciados pelos atletas que se julguem prejudicados.
Quem primeiro chiou foi o Bom Senso Futebol Clube. Para a entidade, que defende os interesses dos jogadores, a proposta é genérica demais e contém um perigoso sentido denuncista.
O Bom Senso F.C. se preocupa com a definição do responsável pela aplicação das sanções. Este item não foi esclarecido pela CBF. Por outro lado, deixar com o atleta a incumbência de denunciar o clube caloteiro ao STJD é outro aspecto contestado, pois pode marcar negativamente a carreira do jogador.
A preocupação do Bom Senso é com o peso sobre os ombros do atleta, justamente o lado mais fraco da história. Vítima de atraso salarial, ele será obrigado a bancar o algoz de seu clube. Em resumo: vai forçar a perda de três pontos que ajudou a ganhar em campo.
No futebol paulista, inspirador da iniciativa da CBF, a instituição do fair play pela federação foi um completo fiasco, com apenas quatro denúncias contabilizadas até hoje. Por um motivo simples: a obrigação de apresentar a denúncia no pagamento fica por conta dos jogadores. Ora, temendo a fama de dedo-duro e de traidor da própria agremiação, os atletas sempre evitaram formalizar denúncia.
Em tom irônico, a nota oficial do Bom Senso avalia que o fair play trabalhista foi criado pela CBF com a intenção de “mudar para que tudo continue como está”, citando o escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Sinaliza ainda para as matreiras articulações da cartolagem para burlar o projeto do governo federal, que tramita no Congresso Nacional e que prevê normas bem mais rígidas para sanear o futebol brasileiro.
Para o Bom Senso, o fair play deveria ser financeiro, seguindo um modelo que obrigue os clubes a prestarem contas periodicamente sobre o pagamento de salários e direito de imagem a todos os funcionários (atletas e não-atletas), prevendo punições desportivas e também a responsabilização direta dos dirigentes que descumprirem as normas fiscais e trabalhistas.
A notícia de que o São Paulo está atrasando o pagamento dos direitos de imagem de vários jogadores abre outra dúvida quanto ao fair play trabalhista criado pela CBF para as séries A e B.
Diante dos problemas enfrentados pelo São Paulo e tantos outros clubes, é natural questionar se o direito de imagem está incluso no fair play trabalhista. Sabe-se que é parte dos ganhos mensais de um atleta profissional, complementados com a parte formalizada na carteira (CLT), mas seu atraso também provocará punição? Com a palavra, dona CBF.
Em tempo: o atraso salarial de 15 dias permite aos atletas da Série A denunciarem o clube ao STJD. O mesmo ocorrerá na Série B, mas com um prazo é maior – 30 dias de atraso.

Galo favorito contra o perigoso Pebas

O bom-mocismo não permite que jogadores e técnicos digam certas coisas, mas é justo considerar que o Independente entra como favorito no confronto com o Parauapebas, decidindo hoje à o primeiro turno do Parazão. Além de jogar diante de seus torcedores, o time de Ricardo Lecheva atravessa um momento mais fulgurante.
Seus últimos resultados não deixam dúvidas quanto a isso. Primeiro, derrotou o Tapajós em Santarém, com autoridade e merecimento. Em seguida, goleou o Icasa de maneira categórica, praticamente garantindo classificação na Copa do Brasil.
De sua parte, o Parauapebas, debutante no certame estadual, faz boa campanha, mas vive fase ligeiramente inferior ao do adversário. Léo Goiano montou um time disciplinado taticamente, que se destaca pela defesa sólida e um meio-campo centrado na habilidade de Juninho. O esquema se baseia no contra-ataque e, naturalmente, funciona melhor quando o Pebas é visitante – como hoje.

Uma novela longe do desfecho

Não será fácil a batalha de Grêmio, Corinthians, Fluminense, Santos, Vasco, Atlético-MG, Palmeiras, Goiás e Ponte Preta pela volta do mata-mata à disputa do Campeonato Brasileiro. A principal dificuldade é de ordem legal e inviabiliza por enquanto as pretensões desses clubes, apesar da indisfarçada boa vontade da emissora que controla os direitos de transmissão e manda informalmente na competição.
O enrosco é que a lei (inciso II do artigo 8 da Lei 10.671/ Estatuto do Torcedor) estabelece que os clubes terão que participar de pelo menos uma competição nacional onde todos os jogos serão conhecidos antecipadamente. Bem, isso só é possível no sistema atual de disputa do Brasileiro – em pontos corridos.
Como se vê, para que os defensores da volta do mata-mata obtenham êxito na empreitada, será necessário modificar via Congresso Nacional os termos da lei atual ou inventar outro torneio de abrangência nacional em pontos corridos.
Modificar a legislação não é tarefa simples, mesmo com a forte influência que a “bancada da bola” tem no Legislativo. Ocorre que mesmo esse bloco parlamentar está dividido, pois grandes clubes – como Flamengo, São Paulo, Botafogo, Internacional e Cruzeiro – defendem a manutenção dos pontos corridos (implantados em 2003) e se opõem radicalmente ao retorno do mata-mata.
Contra os argumentos de gente respeitável e que admiro, mas em nome da emoção e da imprevisibilidade, fico com o modelo misto – como propõe o Grêmio –, com pontos corridos e confronto direto entre os melhores de cada turno para definir o campeão. O inconveniente dessa fórmula é deixar a maioria dos clubes sem atividade por cerca de um mês e meio. Alijados da disputa final, entrariam em férias antecipadas.

Bola na Torre

Dado Cavalcanti, técnico do Papão, é o convidado do programa deste domingo. Guilherme Guerreiro apresenta, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Começa depois do Pânico na Band, por volta de 00h10.

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